A Grande Fuga (The Great Escaper)

 

A Grande Fuga

Se você está procurando um filme que entrega uma história sólida sem precisar de artifícios exagerados, "A Grande Fuga" (The Great Escaper), lançado em 2023, é o título que você precisa conhecer.

Não se trata de uma aventura de ação frenética, mas sim de um relato seco e direto sobre dever, tempo e a teimosia de um veterano de guerra. Abaixo, conto um pouco sobre o que faz esse filme valer o seu tempo.

O plano de Bernard Jordan: De uma casa de repouso para a França

A trama é baseada em uma história real que ganhou as manchetes mundiais em 2014. Bernard Jordan, um veterano da Marinha Real de 90 anos, decide que não vai ficar sentado esperando o tempo passar em sua casa de repouso. Ele quer prestar suas homenagens no aniversário de 70 anos do Dia D, na Normandia.

O problema? Ele não avisou ninguém e simplesmente "fugiu" da instituição onde morava. O filme acompanha essa jornada de travessia do Canal da Mancha, intercalando com momentos do presente e memórias do passado. É uma narrativa que foca no essencial: a determinação de um homem em fechar um ciclo, custe o que custar.

Ficha técnica e elenco de peso

Para segurar um roteiro que depende tanto do carisma dos personagens, o diretor Oliver Parker não economizou no elenco. Temos aqui o encontro de duas lendas do cinema britânico, o que por si só já justifica o ingresso.

  • Título Original: The Great Escaper

  • Data de Lançamento: Outubro de 2023 (Reino Unido)

  • Diretor: Oliver Parker

  • Elenco Principal: Michael Caine (Bernard Jordan), Glenda Jackson (Irene Jordan) e John Standing (Arthur).

  • Nota IMDb: 7.0/10 (uma média sólida para o gênero)

Vale o registro: este foi o último trabalho de Glenda Jackson, que faleceu pouco antes do lançamento, e marcou a despedida oficial de Michael Caine das telas. É o fim de uma era para o cinema mundial.

Locações, trilha sonora e bastidores

O filme optou por uma estética realista e pé no chão. Grande parte das filmagens aconteceu no Reino Unido, em locações como Camber SandsHastings e no terminal de balsas de Dover. Embora a história se passe em parte na França, a produção utilizou a costa inglesa para simular diversos cenários, garantindo um visual cinzento e autêntico que combina com o tom da obra.

A trilha sonora ficou a cargo de Craig Armstrong. Se você não reconhece o nome, ele é o responsável por trilhas de filmes como Moulin Rouge! e O Grande Gatsby. Aqui, ele entrega algo muito mais contido, focado no piano e em arranjos que acompanham o ritmo de caminhada do protagonista.

Quanto a premiações, o filme teve uma recepção crítica muito positiva, focada principalmente nas atuações de Caine e Jackson, figurando em diversas listas de melhores do ano no circuito britânico e recebendo indicações em premiações regionais de crítica.

Curiosidades que você precisa saber

  1. Reencontro Histórico: Michael Caine e Glenda Jackson não trabalhavam juntos há 47 anos. O último filme da dupla tinha sido A Inglesa Romântica, em 1975.

  2. Aposentadoria Real: Aos 90 anos, Michael Caine confirmou que este é o seu último filme, afirmando que "não consegue mais andar direito" e que preferia encerrar a carreira com um papel de protagonista tão forte.

  3. Fidelidade aos Fatos: O "sumiço" de Bernard Jordan na vida real gerou uma busca policial que terminou quando ele foi encontrado em um hotel na França, já com sua medalha no peito.

"A Grande Fuga" é um filme sobre não se deixar vencer pela idade e sobre o peso das promessas feitas na juventude. Se você gosta de dramas biográficos que não tentam te manipular emocionalmente, mas que entregam uma história com substância, vale a pena dar o play.


Apresentando os Ricardos (Being the Ricardos)

 

Fala, pessoal. Se você curte os bastidores da Hollywood clássica ou é fã de dramas biográficos que mostram o que acontece quando a câmera desliga, hoje o papo é sobre o filme Apresentando os Ricardos (Being the Ricardos).

Eu assisti e resolvi dissecar os pontos principais para você decidir se vale o play. Sem enrolação e direto ao ponto.

O que é Apresentando os Ricardos?

Lançado em 10 de dezembro de 2021 (nos cinemas) e logo depois no Prime Video, o filme foca em uma semana específica e extremamente tensa da produção da icônica sitcom I Love Lucy. O título original, Being the Ricardos, faz uma referência direta ao sobrenome dos personagens de Lucille Ball e Desi Arnaz na TV.

O longa não tenta contar a vida inteira do casal, o que eu acho um acerto. Ele foca no "olho do furacão": uma crise política (com acusações de comunismo) e uma crise conjugal, tudo isso enquanto eles precisam entregar um episódio perfeito.

Direção, elenco e a nota no IMDB

Quem assina o roteiro e a direção é o Aaron Sorkin. Se você conhece o trabalho dele (A Rede SocialOs 7 de Chicago), já sabe o que esperar: diálogos rápidos, ácidos e muita gente andando e falando ao mesmo tempo. É um ritmo frenético que dita o tom do filme.

No elenco, temos pesos pesados:

  • Nicole Kidman como Lucille Ball.

  • Javier Bardem como Desi Arnaz.

  • J.K. Simmons (sempre excelente) como William Frawley.

  • Nina Arianda como Vivian Vance.

No IMDb, o filme segura uma nota 6.5, o que eu considero justo. Não é uma obra-prima unânime, mas é um retrato sólido de uma época de ouro da televisão americana.

Premiações, trilha sonora e bastidores

Mesmo dividindo um pouco a opinião do público, a crítica especializada reconheceu o trabalho. O filme recebeu 3 indicações ao Oscar: Melhor Atriz (Kidman), Melhor Ator (Bardem) e Melhor Ator Coadjuvante (Simmons). Nicole Kidman ainda levou o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Drama.

trilha sonora é assinada por Daniel Pemberton. Ela é funcional, ajuda a manter o clima de tensão dos anos 50, mas confesso que o destaque sonoro mesmo são as recriações das músicas clássicas que o Desi Arnaz cantava no show.

Sobre as locações de filmagem, a maior parte rolou em Los Angeles, Califórnia. Faz sentido, já que o filme se passa quase inteiramente dentro dos estúdios da RKO e nos sets de gravação originais da série.

Curiosidades que você precisa saber

Separei alguns fatos interessantes sobre a produção:

  1. Escolha do elenco: Inicialmente, Cate Blanchett era a favorita para o papel de Lucille, mas Nicole Kidman acabou assumindo e entregou uma performance física impressionante.

  2. Aprovação da família: Lucie Arnaz, filha do casal real, defendeu publicamente as escolhas de elenco e a forma como a história foi contada.

  3. Voz de Lucille: Nicole Kidman treinou exaustivamente para conseguir aquele tom de voz rouco e grave que Lucille Ball tinha quando não estava interpretando a "Lucy" da TV.

Resumo da ópera: É um filme para quem gosta de processo criativo, política de estúdio e quer entender por que Lucille Ball foi uma das mulheres mais poderosas da história da TV.

Se você gosta desse estilo de cinebiografia mais direta e menos "melosa", vale a conferida.