Fala, beleza? Se você curte ficção científica ou simplesmente gosta de cinema bem feito, com certeza já ouviu falar de Duna (2021). Eu demorei um pouco para processar tudo o que vi na tela, mas a real é que o diretor Denis Villeneuve conseguiu o que muitos consideravam impossível: adaptar a obra densa de Frank Herbert sem transformar tudo em uma bagunça visual.
O filme, cujo título original é Dune (ou Dune: Part One), chegou para redefinir o que a gente espera de um épico espacial. Vou te contar por que ele vale cada minuto do seu tempo, sem entregar nada da história, caso você ainda não tenha assistido.
Direção e o elenco de peso que carrega Arrakis
O Denis Villeneuve já tinha mostrado do que era capaz em Blade Runner 2049 e A Chegada, mas em Duna ele elevou o nível. Ele não só dirige, como assina o roteiro. E para dar vida aos personagens, chamou uma galera que não está para brincadeira.
No centro de tudo temos Timothée Chalamet como Paul Atreides. O cara entrega uma atuação contida, bem no estilo do personagem. Ao lado dele, temos nomes como Rebecca Ferguson, Oscar Isaac, Josh Brolin, Jason Momoa e Zendaya. É aquele tipo de filme onde até os personagens secundários são interpretados por estrelas do primeiro escalão, o que dá uma sobriedade maior para a trama política da história.
Um espetáculo técnico premiado e a nota no IMDB
Se você liga para números, a recepção foi pesada. O filme ostenta uma nota 8.0 no IMDb, o que é um feito e tanto para uma ficção científica de ritmo mais lento e contemplativo. Mas onde ele realmente limpou a mesa foi nas premiações.
No Oscar 2022, Duna levou nada menos que 6 estatuetas, dominando as categorias técnicas:
Melhor Trilha Sonora Original;
Melhor Som;
Melhor Montagem;
Melhor Fotografia;
Melhor Design de Produção;
Melhores Efeitos Visuais.
A trilha sonora, inclusive, merece um parágrafo à parte. Hans Zimmer recusou trabalhar com o Christopher Nolan em Tenet só para fazer Duna. Ele criou instrumentos novos e usou coros femininos para dar um som que não parece deste mundo. É visceral.
Onde o deserto ganha vida: Locações e visuais
Muita gente acha que o filme é puro CGI, mas o Villeneuve fez questão de filmar em locações reais para trazer textura. O planeta deserto Arrakis foi "construído" combinando as dunas infinitas de Wadi Rum, na Jordânia, e os desertos de Abu Dhabi.
Já o planeta natal dos Atreides, Caladan, teve suas cenas gravadas na Noruega (Stadlandet), o que explica aquele contraste visual entre a névoa fria do início e o calor sufocante do resto do filme. Essa escolha faz toda a diferença na imersão; você quase sente a areia batendo no rosto.
Curiosidades que você talvez não saiba
Para fechar, separei alguns detalhes de bastidores que mostram o nível de insanidade dessa produção:
Maquiagem pesada: O ator Stellan Skarsgård, que vive o Barão Harkonnen, passava cerca de 8 horas por dia na cadeira de maquiagem para aplicar as próteses do personagem.
Linguagem própria: O filme utiliza o Chakobsa, uma língua criada para os livros que mistura árabe, francês e até sânscrito.
Nada de cenas deletadas: O diretor já declarou que não libera versões estendidas. Para ele, se a cena saiu do corte final, ela está morta e enterrada.
O filme foi lançado oficialmente no Brasil em 21 de outubro de 2021 e, desde então, virou porta de entrada para uma nova geração de fãs desse universo. Se você busca algo profundo, visualmente impecável e que te trate como um espectador inteligente, dê o play.
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