Se
você curte um bom filme de terror que foge do óbvio e mexe com o psicológico,
senta aí e pega um café, porque hoje vamos falar de um lançamento que deu o que
falar. Estou falando de Hokum: O Pesadelo da Bruxa, um
filme que chegou dividindo opiniões, mas que carrega aquela atmosfera cinzenta
e pesada que quem é fã do gênero sabe respeitar. A produção mergulha fundo no
folclore e na culpa humana, entregando uma experiência claustrofóbica clássica
de isolamento.
O filme foi lançado em 2026 e tem como
título original apenas Hokum (uma palavra que, traduzida,
significa algo como "balela" ou "conversa fiada").
Atualmente, a obra sustenta uma nota de 6.8 no IMDb, o que é
um número bem sólido para o gênero de horror, onde o público costuma ser bem
exigente. A trama acompanha Ohm Bauman, um escritor solitário que decide viajar
até uma pousada isolada para espalhar as cinzas de seus pais, sem imaginar o
passado sombrio que o aguarda por lá.
Qual é a história por trás de Hokum: O Pesadelo da Bruxa?
A narrativa gira em torno de Ohm, um autor de sucesso que
está travado no final de sua trilogia literária. Após ter visões com o fantasma
de sua falecida mãe, ele decide buscar um encerramento emocional e viaja até o The Bilberry Woods Hotel,
uma pousada remota onde seus pais passaram a lua de mel. O objetivo era
simples: um momento de paz para jogar as cinzas deles e tentar reencontrar a
inspiração.
O problema começa quando ele chega ao local e ouve
histórias locais sobre a Cailleach, uma bruxa ancestral que,
segundo a lenda, sequestra crianças e as arrasta em correntes pelo submundo. O
ceticismo inicial de Ohm vai por água abaixo quando uma funcionária do hotel
desaparece misteriosamente e o quarto de lua de mel — que permanece trancado —
revela segredos terríveis. A partir daí, o que era para ser uma viagem de luto
se transforma em um confronto direto contra forças sobrenaturais e memórias
traumáticas da própria infância do protagonista.
Quem faz parte do elenco e da direção desse terror
psicológico?
O grande cérebro por trás da obra é o diretor e
roteirista Damian McCarthy. Se
você assistiu a Oddity ou Caveat, já sabe que
o cara é especialista em criar tensão usando poucos cenários e uma atmosfera
bizarramente desconfortável. Ele sabe exatamente como usar o silêncio e o
enquadramento de câmera para deixar a gente tenso, esperando o pior a qualquer
segundo.
No elenco principal, temos Adam Scott (muito
conhecido por seu papel em Severance) entregando uma atuação
excelente como o perturbado Ohm Bauman. Ele consegue passar muito bem aquela
vibe de um sujeito cético, meio sarcástico, mas que vai desmoronando à medida
que o medo toma conta. Junto com ele, temos nomes de peso como David Wilmot, Austin Amelio
(interpretando o Conquistador, personagem do livro de Ohm), Peter Coonan, Florence Ordesh e Michael Patric, que
dão corpo aos moradores locais e funcionários do hotel de forma bem
convincente.
Quais são as principais curiosidades e bastidores da
produção?
Uma das coisas que mais me chamou a atenção foram os
bastidores. Toda a produção tem uma identidade visual muito forte graças à sua
locação principal: o filme foi totalmente rodado na Irlanda rural,
aproveitando aquelas paisagens isoladas, úmidas e cinzentas para amplificar a
sensação de abandono e mistério.
Entre as principais curiosidades, destaca-se a ironia do
título original. Chamar o filme de Hokum
("conversa fiada") é uma brincadeira direta com a postura inicial do
protagonista, que entra no hotel desdenhando das lendas locais e achando que
tudo não passa de folclore bobo de interior. Outro detalhe excelente é a
criatura folclórica Cailleach, que é baseada em mitos
celtas reais sobre uma bruxa ou divindade ancestral ligada ao inverno e à
criação da terra. Além disso, o filme traz um elemento visual bem bizarro
chamado Jack the Jackass, um
personagem de programa infantil interpretado por Will O'Connell que adiciona
uma camada extra de desconforto psicológico à trama.
Vale a pena assistir? Minha crítica sincera sobre o filme
Olha, se você vai assistir a esse filme esperando sustos
rápidos e monstros pulando na tela a cada cinco minutos, pode tirar o cavalo da
chuva. O foco aqui é o terror psicológico de construção lenta. Na minha
avaliação, o diretor Damian McCarthy mostra mais uma vez que é um mestre em
criar desconforto. A forma como ele usa o espaço confinado do hotel e perverte
medos primordiais, como a perda de controle e o tormento eterno, é brilhante.
Por outro lado, o filme não é perfeito. Em alguns
momentos do terço final, a narrativa parece perder um pouco da confiança na
própria atmosfera e recorre a alguns clichês previsíveis que quebram um pouco o
ritmo da imersão. Ainda assim, a atuação seca e direta de Adam Scott sustenta o
peso dramático perfeitamente. O saldo final é extremamente positivo: é um filme
robusto, sombrio na medida certa, ideal para quem gosta de histórias que deixam
imagens perturbadoras grudadas na mente por um bom tempo após os créditos
rolarem. Se você curte um mistério bem amarrado com uma dose forte de folclore
sombrio, vale cada minuto do seu tempo.
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