Leão Branco: O Lutador sem Lei (Lionheart)

 

Leão Branco: O Lutador sem Lei

Sabe aquele tipo de filme que você assiste num domingo à tarde e, mesmo sabendo cada fala, não consegue mudar de canal? Para mim, essa obra-prima nostálgica é o clássico das artes marciais protagonizado por Jean-Claude Van Damme. Se você viveu a era de ouro das locadoras ou simplesmente respeita um bom soco bem aplicado no cinema, sabe que esse longa tem um lugar reservado no peito de quem curte uma boa história de superação e porrada franca.

Hoje resolvi resgatar essa relíquia e contar para você por que ela ainda mexe tanto com a nossa memória afetiva. Pegue o seu café e venha comigo nessa viagem no tempo.

Qual é o contexto inicial dessa história?

A trama nos apresenta Lyon Gaultier, um soldado focado e resiliente que serve na Legião Estrangeira Francesa, bem longe de casa, no Norte da África. Tudo muda quando ele recebe a notícia de que seu irmão foi brutalmente assassinado em Los Angeles. Sem receber permissão para viajar e se despedir, Lyon toma a única decisão possível para um homem de palavra: ele deserta do exército.

Ele foge, cruza o oceano trabalhando em um navio cargueiro e desembarca em Nova York sem um tostão no bolso. Ao chegar ao seu destino final, descobre que sua cunhada e a sobrinha pequena estão cheias de dívidas e sem qualquer amparo. Sem um trabalho formal e caçado por oficiais da Legião, Lyon entra de cabeça no submundo das lutas clandestinas de rua para garantir o sustento daquela família. É um enredo clássico de honra, sacrifício e punhos cerrados.

Quem está por trás das câmeras e no elenco principal?

Lançado oficialmente no ano de 1990, o filme chegou com o título original de "Lionheart" (embora em alguns mercados tenha saído como A.W.O.L. ou Full Contact). A direção ficou nas mãos de Sheldon Lettich, um cara que entendia perfeitamente o cinema de ação daquela época e que também assinou o roteiro ao lado do próprio Van Damme.

O elenco entrega exatamente o que a proposta pede:

·         Jean-Claude Van Damme como o protagonista Lyon Gaultier.

·         Harrison Page vivendo Joshua Eldridge, o malandro de rua carismático que se torna o empresário e amigo de Lyon.

·         Deborah Rennard no papel de Cynthia Caldera, a organizadora fria e ambiciosa das lutas de luxo.

·         Lisa Pelikan como Hélène Gaultier, a cunhada resiliente.

·         Ashley Johnson (bem pequenininha, em sua estreia no cinema) interpretando a sobrinha Nicole.

·         Brian Thompson como Russell, o capanga imponente de Cynthia.

As locações viajam por cenários bem urbanos e crus, começando pelo calor árido de Djibouti (onde simularam a base da Legião), passando pelo clima portuário e cinzento de Nova York e terminando no glamour perigoso das mansões e becos de Los Angeles, na Califórnia.

Quais são as maiores curiosidades dos bastidores?

Uma das coisas que mais me impressiona nessa produção é como o universo das artes marciais estava interligado nos bastidores. O grande rival final de Van Damme no filme, o brutal Atilla, foi interpretado por Abdel Qissi. Ele é irmão de Michel Qissi, o eterno vilão Tong Po de Kickboxer. O mundo é realmente pequeno quando se trata de desferir chutes giratórios.

Outro detalhe bem legal é a participação relâmpago de Billy Blanks. Antes de se tornar um fenômeno fitness mundial nos anos 90 com a criação do "Tae Bo", ele aparece logo no início do longa como um dos legionários que tenta capturar Lyon antes de sua fuga. Além disso, esse foi o primeiro filme de grande orçamento que a Universal Studios distribuiu para o astro belga nos Estados Unidos, abrindo de vez as portas de Hollywood para o ator.

Vale a pena assistir a esse clássico hoje em dia?

Atualmente, o longa ostenta uma nota de 6,2 no IMDb. Para os críticos mais exigentes de cinema, pode parecer uma avaliação mediana, mas para quem consome o gênero de coração aberto, o filme entrega muito mais do que os números mostram. Minha crítica sincera sobre a obra é que ela funciona porque tem alma.

Ao contrário de outros filmes de pancadaria da mesma época que focavam puramente em vingança ou torneios esportivos, aqui há um peso emocional real. Você sente o peso da responsabilidade nas costas de Lyon. Ele não está lutando por ego ou troféus; ele apanha e sangra para comprar uma bicicleta para a sobrinha e pagar o aluguel de uma viúva. As coreografias são viscerais, a trilha sonora orquestrada por John Scott é épica e o carisma de Van Damme no auge da forma física carrega o espectador até o último e emocionante round. É um clássico indispensável para qualquer fã de ação de respeito.

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