Se você curte aquele tipo de cinema que não pede licença para chutar a porta, provavelmente já ouviu falar do rebuliço que tomou conta das redes sociais e dos fóruns de cinema recentemente. Eu sempre fui fã de thrillers urbanos que exploram a linha tênue entre justiça e vingança com as próprias mãos, ao melhor estilo Desejo de Matar. Por isso, quando soube que um novo longa com essa pegada estava quebrando a internet, precisei parar tudo para conferir. Estou falando de uma das produções mais comentadas, controversas e debatidas do ano.
Do que se trata a história de CitizenVigilante?
O filme, cujo título original é exatamente Citizen Vigilante,
foi lançado oficialmente em junho de 2026 e traz uma
atmosfera crua e cinzenta. A trama acompanha Michael Sanders, interpretado por
Armie Hammer, um proprietário americano rico que mora na Europa. Consumido pela
raiva diante do que enxerga como o colapso total da lei e da ordem, ele decide
fazer justiça com as próprias mãos. Sanders começa uma caçada violenta contra
criminosos locais e autoridades que ele considera corruptas ou omissas, transformando-se
rapidamente em um fenômeno viral na internet e dividindo a opinião pública
entre um herói improvável e um criminoso perigoso.
Quem assina a direção é o polêmico diretor alemão Uwe Boll, conhecido por nunca fugir de uma boa briga
com a crítica especializada. No elenco, além de Hammer tentando reconstruir sua
carreira em Hollywood, temos a presença marcante de Costas
Mandylor (da franquia Jogos Mortais) na
pele de um chefe da Interpol determinado a caçar o justiceiro, além de nomes
como Neb Chupin e Lennart Betzgen. É um filme que resgata aquela pegada de ação
urbana direta, focada em um protagonista focado e obstinado, sem espaço para
firulas ou excesso de sentimentalismo.
Onde foi gravado Citizen Vigilante e
quais as principais locações?
Visualmente, o filme foge do óbvio ao deixar de lado as tradicionais
metrópoles norte-americanas como Nova York ou Los Angeles. A produção escolheu
a Europa como pano de fundo, rodando a maior parte de suas cenas na Croácia e em partes da Alemanha.
A arquitetura de cidades croatas de clima mais sóbrio e cinzento casou
perfeitamente com o tom que Uwe Boll queria passar. Em vez das praias
paradisíacas que costumamos ver no turismo, o diretor explorou becos escuros,
bairros industriais e a periferia urbana europeia. Essa escolha geográfica dá
ao filme um ar de realismo desconfortável, fazendo com que a jornada do
protagonista pareça acontecer na rua de trás da sua casa, longe do glamour de
Hollywood.
Quais são as maiores curiosidades dos
bastidores desse longa?
Se a história dentro da tela é tensa, os bastidores de Citizen Vigilante são um filme à parte. Atualmente com
uma nota de 6.5 no IMDb — um número surpreendentemente alto para o
histórico do diretor, impulsionado por um público muito fiel —, a obra acumulou
polêmicas antes mesmo de estrear.
A primeira grande curiosidade é que o longa originalmente se chamaria The Dark Knight. Obviamente, a Warner Bros. não gostou
nada da ousadia e enviou uma carta de ordem de restrição (cease-and-desist), o
que forçou a mudança para o título atual.
Além disso, o filme sofreu duras barreiras de distribuição. O órgão de
classificação da Alemanha se recusou a dar uma nota de idade para o longa, o
que na prática barrou sua exibição nos cinemas e o comércio tradicional por lá,
sob a alegação de incitação à violência. O jogo mudou quando o bilionário Elon
Musk decidiu exibir o filme de graça em sua plataforma, o X, por 48 horas. Isso
gerou uma explosão de acessos que levou o longa ao topo dos mais vendidos da
Apple TV e Amazon Prime Video logo em seguida. Para fechar o pacote de
bizarrices, fontes de Hollywood afirmaram que o próprio protagonista, Armie
Hammer, ficou chocado ao ver o corte final e teria achado o resultado
exageradamente pesado e desconfortável.
Vale a pena assistir ou o filme é
apenas polêmica?
Olhando para a obra de forma fria, sem o barulho das redes sociais, a
minha crítica é direta: Citizen Vigilante
entrega exatamente o que se propõe a ser, mas falha em se tornar um clássico. É
um filme de exploração moderno, feito para chocar e tocar em feridas sociais
reais de forma extremamente agressiva e sem filtros.
O ritmo do filme é um pouco irregular e a edição de Uwe Boll às vezes
parece um tanto amadora, lembrando projetos de baixo orçamento. Por outro lado,
a atuação de Armie Hammer carrega o filme nas costas. Ele entrega um
protagonista amargurado, frio e com uma presença física imponente, o que
sustenta a tensão nas cenas de ação. O roteiro não tem medo de ser
politicamente incorreto, o que vai afastar muita gente e prender a atenção de
quem busca algo fora do padrão higienizado do cinema atual. Não é uma
obra-prima da sétima arte, mas se você procura um thriller de vingança
puramente visceral e quer entender o motivo de tanta discussão no cenário
cultural, vale o play para tirar as suas próprias conclusões.
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