Enola Holmes

 


Enola Holmes

Se você achava que a árvore genealógica da família Holmes se resumia ao brilhantismo do Sherlock e à arrogância do Mycroft, precisa rever seus conceitos. O universo dos detetives ganhou um fôlego totalmente novo quando a irmã caçula deles resolveu assumir as rédeas de sua própria história. É uma daquelas produções que pegam a ambientação clássica da era vitoriana e injetam uma dose massiva de energia, misturando mistério tradicional com uma quebra de ritmo muito bem-vinda.

Vou te contar como essa aventura consegue prender a atenção do início ao fim, destrinchando o que funciona e os bastidores que fazem esse filme valer o play. Prepara o seu café e vem comigo.

Como começa a jornada da jovem detetive?

A história se passa na Inglaterra do final do século XIX. Tudo começa quando Enola acorda no dia do seu aniversário de 16 anos e descobre que sua mãe desapareceu misteriosamente, deixando para trás apenas alguns presentes enigmáticos e nenhum rastro claro. Criada de forma totalmente fora dos padrões para as mulheres daquela época — aprendendo jiu-jítsu, xadrez e ciência em vez de etiqueta —, ela se recusa a aceitar os planos de seus irmãos mais velhos, que querem mandá-la para uma escola de etiquetas. Decidida e muito inteligente, Enola foge para Londres para decifrar o sumiço da mãe. No meio do caminho, ela tromba com um jovem lorde fugitivo, e o que era uma busca familiar acaba virando uma conspiração política que pode mudar o rumo do país.

Quem comanda a direção e o elenco de peso?

A produção entrega um cartão de visitas de respeito. Sob o título original de Enola Holmes, o longa foi lançado no ano de 2020 e rapidamente se tornou um fenômeno. Se você gosta de checar o termômetro do público antes de escolher o que assistir, a obra mantém uma nota sólida de 6.6 no IMDb, refletindo que o filme entrega exatamente o que promete: diversão de qualidade e um ritmo que não te deixa entediado.

A direção ficou nas mãos de Harry Bradbeer, conhecido por seu trabalho dinâmico na televisão, o que explica a agilidade da narrativa. No elenco, a escalação foi certeira. Millie Bobby Brown carrega o filme nas costas com uma carisma impressionante na pele de Enola. Para interpretar o icônico Sherlock Holmes, chamaram ninguém menos que Henry Cavill, que traz uma imponência física e uma postura mais humana ao detetive. Sam Claflin entrega um Mycroft rabugento e rígido na medida certa, enquanto a fantástica Helena Bonham Carter dá vida à excêntrica mãe da protagonista.

Onde o filme foi gravado e quais são suas curiosidades?

Para recriar a Inglaterra vitoriana com fidelidade, a produção não economizou nas locações. As filmagens aconteceram em cenários reais magníficos espalhados pelo Reino Unido. Vilas históricas em Worcestershire serviram de base para os cenários rurais, enquanto a imponente Luton Hoo em Bedfordshire foi usada para dar vida à mansão da família de Lorde Tewkesbury. Até mesmo as estações de trem preservadas da ferrovia Severn Valley Railway entraram em cena para dar aquela textura autêntica de fumaça e ferro.

Nos bastidores, existem alguns detalhes bem curiosos que mostram a grandiosidade do projeto:

·         Processo inusitado: Os herdeiros de Sir Arthur Conan Doyle (criador de Sherlock Holmes) abriram um processo contra a Netflix na época. O motivo? Eles alegaram que o filme mostrava um Sherlock "emocional demais" e que respeitava mulheres, características que, segundo o processo, só apareciam nas últimas histórias do autor, que ainda estavam sob direitos autorais.

·         Quebra da quarta parede: A técnica de Enola olhar direto para a câmera e falar com o espectador foi inspirada no trabalho anterior do diretor Harry Bradbeer na série Fleabag.

·         Produção executiva: A jovem Millie Bobby Brown não foi apenas a estrela do filme; ela também assina como uma das produtoras principais, mostrando sua força nos bastidores de Hollywood com apenas 16 anos na época.

O que realmente funciona e qual é a crítica do filme?

Sendo muito transparente com você, o filme funciona muito bem como entretenimento de ação e mistério. O grande acerto aqui é o equilíbrio. Ele não tenta ser um suspense denso, arrastado ou sombrio demais. A dinâmica das cenas de combate, usando técnicas de autodefesa clássicas combinadas com o intelecto afiado da protagonista, dá uma dinâmica muito legal para a história.

A química em tela entre o Sherlock de Henry Cavill — que traz uma presença robusta e protetora, mas sem perder o faro dedutivo — e a Enola de Millie Bobby Brown é o ponto alto da produção. O mistério principal é bem amarrado, embora os puristas dos livros de Conan Doyle possam achar a resolução das pistas um pouco rápida. No geral, o filme constrói um universo muito sólido, visualmente bonito, com figurinos impecáveis e coreografias de ação limpas. Se você procura um bom filme de aventura, com uma narrativa inteligente e direta que prende a atenção do início ao fim, essa é uma escolha certeira para o seu final de semana.

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