Se você é fã de terror de verdade, daquele que não depende só de monstros pulando na tela a cada cinco minutos, senta aí. Vamos trocar uma ideia sobre um filme que, para mim, redefiniu o gênero nos últimos anos: Hereditário.
Lembro perfeitamente da sensação de sair do cinema completamente
atordoado. Sabe quando um filme deixa um peso no seu peito e você fica
processando aquilo por dias? Pois é. Lançado no ano de lançamento de
2018, esse longa entrou direto para a minha lista de favoritos e, cara, ele
continua perturbador até hoje. O título original é
simplesmente Hereditary, e o que parecia ser apenas mais um drama
familiar logo se transforma em um pesadelo absoluto.
O que acontece na história de
Hereditário?
A trama começa com a morte da matriarca da família Graham. Eu confesso
que, no início, achei que veria apenas um estudo sobre o luto. Acompanhamos
Annie, uma artista que cria miniaturas incrivelmente detalhadas (e bizarras) de
sua própria vida, seu marido Steve, o porto seguro da casa, e os filhos Peter e
Charlie.
O clima de tensão é construído de forma muito lenta, como um nó que vai
apertando no seu pescoço. Quando um acidente brutal e completamente inesperado
acontece logo no primeiro ato, o filme muda de marcha. A partir dali, a
sanidade daquela família começa a derreter, e a gente percebe que há forças
muito mais antigas e sinistras controlando o destino deles. Não é um terror de
sustinho; é um terror de atmosfera, que mexe com o psicológico.
Quem está por trás desse clássico
moderno?
O grande cérebro por trás dessa obra-prima é o diretor Ari Aster, que estreou no cinema justamente com
esse filme. O cara é um gênio na forma de posicionar a câmera. Ele usa os
cenários e as maquetes de Annie para fazer a gente se sentir como um observador
impotente, olhando para ratos em um labirinto.
No elenco, o destaque absoluto vai para Toni Collette, que
entrega uma das atuações mais viscerais que já vi na vida. A entrega dela como
Annie é assustadora, especialmente na famosa cena do jantar. Ao lado dela, Alex
Wolff (Peter) faz um trabalho bizarro de bom transmitindo culpa e pânico, Milly
Shapiro dá uma identidade única e assustadora para a caçula Charlie, e o
veterano Gabriel Byrne traz o equilíbrio necessário como Steve. O filme foi rodado no estado de Utah, nos Estados Unidos, e a casa
isolada cercada por árvores altíssimas funciona quase como um personagem
isolado do mundo. Atualmente, a nota imdb do filme
está em sólidos 7.3/10, o que é altíssimo para o gênero de terror, que costuma
ser bem castigado pelo público geral.
Quais são as maiores curiosidades
sobre os bastidores?
Uma das coisas que mais curto pesquisar depois de ver um filme forte
assim são os bastidores. Separei três fatos que mostram o nível de loucura
dessa produção:
·
O estalo com a língua: Aquele som
característico que a Charlie faz com a boca não estava detalhado no roteiro
original. Foi uma decisão criativa que se tornou a marca registrada mais
apavorante do filme.
·
Cenários gigantes: A casa que vemos
por dentro não existe de verdade. O diretor mandou construir os cômodos em um
estúdio para que as paredes pudessem se mover, permitindo aqueles planos de
câmera claustrofóbicos que parecem simular as maquetes da Annie.
·
Trauma real: O ator Alex Wolff revelou em
entrevistas que o clima pesado das filmagens e a intensidade do seu personagem
o afetaram psicologicamente por meses após o término das gravações, causando
episódios de perda de sono.
Vale a pena assistir Hereditário hoje
em dia?
Sem rodeios: vale cada segundo, mas você precisa estar no espírito
certo. Minha crítica da obra é que Hereditário funciona
tão bem porque ele joga com medos reais. O sobrenatural está ali, claro, mas o
que realmente assusta é a destruição dos laços familiares, a inevitabilidade do
destino e a sensação de que você não tem controle sobre a sua própria vida ou
sobre a herança maldita de sangue que carrega.
O ritmo dele é cadenciado. Aster não tem pressa. Ele deixa o silêncio
desconfortável reinar e usa o design de som para te deixar tenso na cadeira. Se
você procura um filme de ação com monstros, passe longe. Mas se você quer uma
experiência de terror psicológico pura, pesada e artisticamente impecável,
apague as luzes, aumente o som e encare os Graham. Só não garanto que você vai
dormir tranquilo depois do ato final.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe um comentário sobre o filme e compartilhe com seus amigos.