Muti: Crime e Poder (The Ritual Killer)

 

Se você curte aquele clima de suspense policial pesado, com investigação criminal pura e uma pitada de misticismo sombrio, provavelmente já se deparou com Muti: Crime e Poder vasculhando os catálogos de streaming. Eu assisti ao filme recentemente e, confesso, a trama me pegou logo de cara pela proposta incomum. Não estamos falando de um assassino comum de Hollywood, mas de algo bem mais visceral.

Lançado oficialmente no ano de 2023, o longa carrega o título original de The Ritual Killer. A história acompanha o detetive Lucas Boyd, um homem que carrega o peso brutal de uma tragédia familiar (a morte de sua filha) e que precisa caçar um serial killer impiedoso. O criminoso atua realizando o "Muti", um ritual tribal antigo originário da África do Sul, onde partes do corpo das vítimas são removidas enquanto elas ainda estão vivas para criar feitiços de poder. Atualmente, o filme amarga uma nota IMDb de 4,3, o que considero um tanto injusto para quem busca apenas um thriller direto e sem enrolação para o final de semana.

Qual é a história por trás de Muti: Crime e Poder?

A narrativa foca no embate clássico de gato e rato, mas com uma dinâmica bem peculiar. Como o detetive Boyd não consegue decifrar os símbolos e a lógica por trás dos crimes brutais que começam a surgir na sua jurisdição, ele recorre a quem realmente entende do assunto: o Dr. Mackles, um professor de estudos africanos que esconde os seus próprios segredos.

O roteiro constrói uma atmosfera cinzenta e chuvosa, dividida entre a caçada policial e as explicações antropológicas sobre até onde o ser humano é capaz de ir pela ambição do poder absoluto. É aquele tipo de filme que avança de forma fluida, sem tentar inventar a roda, focando no clima de urgência de uma investigação tradicional.

Quem está por trás da direção e do elenco?

Quem comanda a produção na cadeira de diretor é George Gallo, conhecido por transitar bem entre o cinema de ação e o suspense. Para dar vida a essa caçada, ele escalou uma dupla de peso que segura o filme do início ao fim.

O detetive Boyd é interpretado por Cole Hauser (que muitos vão reconhecer de cabeça pelo trabalho marcante na série Yellowstone), trazendo aquela energia de um policial obstinado e cansado do sistema. Ao seu lado, como o enigmático professor Mackles, temos ninguém menos que o veterano Morgan Freeman. A presença de Freeman eleva o nível dos diálogos e dá o tom de mistério necessário para que a trama funcione. O elenco ainda conta com nomes como Peter Stormare e o ex-jogador de futebol americano Vernon Davis, que assume um papel surpreendentemente físico e ameaçador na pele do assassino.

Onde o filme foi gravado e quais as principais locações?

Para criar o clima melancólico que o roteiro exige, a equipe de produção escolheu locações bem específicas nos Estados Unidos e na Europa. A maior parte das filmagens principais aconteceu em Jackson, Mississippi, utilizando cenários reais como o Millsaps College e o bairro residencial de Belhaven. Na trama, a cidade serve de pano de fundo para a ambientação da Louisiana.

Porém, como a investigação ganha contornos internacionais e o passado do assassino se conecta com outros crimes, a produção também rodou cenas importantes em Roma, Itália. Essa troca de cenários — do interior úmido americano para a arquitetura histórica europeia — dá uma amplitude interessante para o visual da obra, cortesia da fotografia assinada por Andrzej Sekuła (o mesmo diretor de fotografia de clássicos como Pulp Fiction e Cães de Aluguel).

Quais são as maiores curiosidades dos bastidores?

Como todo bom thriller, os bastidores de The Ritual Killer guardam alguns detalhes que mudam a forma como assistimos ao filme. Separei os pontos mais interessantes para você notar na próxima vez que der o play:

·         Mudança de Nome: O filme foi inteiramente planejado, anunciado e rodado sob o título de Muti. Foi apenas na fase de divulgação do trailer, pouquíssimos meses antes do lançamento, que os distribuidores decidiram mudar para The Ritual Killer para torná-lo mais comercial no mercado internacional.

·         Parceria Repetida: Cole Hauser e Morgan Freeman parecem gostar de trabalhar juntos. Esta foi a terceira vez que os dois dividiram o mesmo set de filmagem, tendo atuado antes em Invasão à Casa Branca (2013) e no suspense The Minute You Wake Up Dead (2022).

·         Corrida Noturna Real: A cena de perseguição a pé que abre o filme, rodada na famosa Piazza di Spagna (a Escadaria de Espanha) em Roma, foi filmada inteiramente durante a madrugada para evitar a multidão de turistas da capital italiana.

O que funcionou e o que falhou na crítica do filme?

Sendo bem direto na minha análise, Muti: Crime e Poder é um filme honesto com a sua proposta, embora tenha problemas de ritmo no terço final. O grande acerto da obra está na química silenciosa entre Hauser e Freeman. Hauser entrega o que se espera de um protagonista de filme policial clássico: determinação, poucas palavras e um senso implacável de justiça. Freeman, por sua vez, usa sua imponência natural para entregar falas explicativas que poderiam soar bobas na boca de outro ator, mas que aqui ganham contornos quase sinistros.

O conceito do ritual "Muti" também é um terreno pouco explorado pelo cinema comercial, o que gera um interesse genuíno nas cenas de investigação. Por outro lado, o orçamento visivelmente limitado em alguns momentos e a resolução um tanto apressada impedem que o longa atinja o patamar de thrillers consagrados como Se7en. No balanço geral, se você busca um suspense policial com uma pegada de investigação urbana clássica, focado em uma caçada direta e sem firulas intelectuais, vale o seu tempo no streaming.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe um comentário sobre o filme e compartilhe com seus amigos.