Parque dos Dinossauros (Jurassic Park)


Parque dos Dinossauros

Se você é fã de cinema assim como eu, sabe que existem filmes que a gente assiste para passar o tempo, e existem aqueles que mudam a nossa cabeça para sempre. Em 1993, eu entrei no cinema para ver uma promessa de dinossauros hiper-realistas. O que eu não sabia é que testemunharia um dos maiores marcos da história da cultura pop. Falar de O Parque dos Dinossauros (Jurassic Park, no título original) não é apenas falar de nostalgia; é falar sobre o dia em que Hollywood provou que o impossível era perfeitamente realizável na tela grande.

Lembro perfeitamente do impacto de ver aquele Braquiossauro respirando e comendo folhas pela primeira vez. A sensação de maravilhamento misturada com um baita frio na espinha potencializou o meu gosto por cinema de ficção científica e aventura. Dirigido pelo mestre Steven Spielberg, o longa adaptou o livro homônimo de Michael Crichton e se tornou um monstro de bilheteria, conquistando corações e mentes ao redor do globo. Hoje, ostentando uma sólida nota de 8.2 no IMDb, o filme continua relevante, provando que envelheceu como um bom vinho.

Como surgiu a ideia de reviver os dinossauros no cinema?

Tudo começou quando Steven Spielberg e o autor Michael Crichton estavam trabalhando em outro projeto (a série E.R. Plantão Médico). Crichton comentou que estava escrevendo um livro sobre clonagem de dinossauros a partir de DNA preservado em âmbar pré-histórico. Spielberg, que sempre teve o faro apurado para grandes histórias, comprou os direitos de adaptação antes mesmo de o livro ser publicado.

O pano de fundo é uma verdadeira aula de suspense e ética científica: o bilionário John Hammond cria um parque temático isolado em uma ilha na América Central, mas antes de abrir as portas ao público, precisa do aval de um grupo de especialistas. É aí que entram o paleontólogo Alan Grant, a paleobotânica Ellie Sattler e o matemático falastrão Ian Malcolm. O que era para ser um passeio de frotas automatizadas vira um teste brutal de sobrevivência quando a energia da ilha é cortada e os predadores ficam livres.

Quem fez parte do elenco e onde o filme foi gravado?

Spielberg tomou uma decisão muito madura na época: em vez de entupir o filme com astros gigantescos de ação dos anos 90, ele escolheu um elenco de atores talentosos que pareciam pessoas reais, cientistas de verdade. Sam Neill trouxe o equilíbrio perfeito de autoridade e desconforto no papel do Dr. Alan Grant. Laura Dern foi fantástica como Ellie, e Jeff Goldblum roubou todas as cenas com o carisma excêntrico e as tiradas ácidas do Dr. Ian Malcolm. Não dá para esquecer também do veterano Richard Attenborough como o idealista e perigoso John Hammond.

Para dar vida à fictícia Isla Nublar, a produção viajou para cenários impressionantes. As locações principais foram nas ilhas de Kauai e Oahu, no Havaí. A escolha não poderia ter sido melhor. As paisagens tropicais, os vales verdes profundos e as montanhas imponentes criaram aquela atmosfera isolada, selvagem e grandiosa que o filme pedia. Inclusive, durante as filmagens, a equipe enfrentou o terrível Furacão Iniki na ilha de Kauai, o que destruiu parte dos cenários e obrigou todo o elenco a se abrigar no hotel, adicionando um drama real aos bastidores.

Quais são as maiores curiosidades dos bastidores de Jurassic Park?

Os segredos por trás das câmeras desse filme dariam outro roteiro espetacular. Separar o que é computação gráfica (CGI) do que é efeito prático ali é uma arte, e a engenhosidade da equipe de efeitos visuais foi fora do comum.

·         O rugido do T-Rex: Você já parou para pensar de onde veio aquele som assustador? Os designers de áudio criaram o rugido combinando sons de um filhote de elefante, um jacaré e um tigre. Já o som do sopro do T-Rex era, na verdade, o som da água saindo da tromba de um elefante.

·         O terrível pesadelo mecânico: O T-Rex animatrônico em tamanho real construído por Stan Winston era gigantesco e pesava cerca de 6 toneladas. O problema é que, quando chovia nas locações, a pele de espuma do monstro absorvia a água e ele começava a tremer sozinho por causa do peso extra, assustando os técnicos de madrugada.

·         O truque do copo d'água: Aquela cena clássica em que a água no copo vibra com a aproximação do T-Rex deu um trabalho danado. Spielberg queria aquele efeito visual de qualquer jeito, e o supervisor de efeitos conseguiu ligando uma corda de guitarra por baixo do painel do carro e dedilhando a nota certa para gerar as ondas concêntricas.

Por que Jurassic Park ainda é considerado uma obra-prima do cinema?

Olhando para trás, a minha crítica a Jurassic Park é extremamente positiva, e o motivo é simples: equilíbrio. Hoje em dia, muitos filmes de ação abusam do CGI e esquecem de construir tensão real. Spielberg fez o oposto. Ele usou os efeitos de computador com conta-gotas — são apenas cerca de 6 a 7 minutos de dinossauros digitais no filme todo. O resto do tempo vemos os animatrônicos absurdamente detalhados de Stan Winston e, acima de tudo, o uso inteligente da câmera para sugerir o perigo antes de mostrá-lo.

O roteiro mexe com o nosso instinto mais primitivo de sobrevivência e levanta questões que continuam atuais: até onde a ciência e o ego humano podem ir antes que a natureza decida retomar o controle? O longa funciona como um filme de monstro clássico, mas embalado em uma aventura técnica perfeita e com uma trilha sonora inesquecível de John Williams que gruda na mente. É um filme robusto, tenso na medida certa, que respeita a inteligência do espectador e que dita as regras do cinema de entretenimento até hoje. Se você está montando a sua lista de filmes obrigatórios para a vida, esse aqui precisa estar no topo.

 

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