Se você viveu a virada dos anos 2000, sabe muito bem o peso que a
franquia dos mutantes teve para o cinema. Depois do sucesso do primeiro filme,
a expectativa estava lá no teto. Hoje, vou te contar por que X-Men 2 não só deu conta do recado, mas se tornou um
verdadeiro clássico absoluto que moldou as estruturas dos blockbusters
modernos. Prepara o café e vem comigo nessa viagem nostálgica.
Qual é a história e o contexto por
trás de X-Men 2?
Lançado nos cinemas em 2003, com o título
original de X2 (ou X2: X-Men United nos
EUA), o longa chegou em um momento em que o gênero de super-heróis ainda estava
fincando suas garras em Hollywood. O primeiro filme, de 2000, provou que dava
para levar gibis a sério. Mas foi na sequência que a máquina engrenou de
verdade, trazendo um orçamento muito maior e a liberdade para ousar na escala
da ação.
Na trama, a trégua entre os humanos e os mutantes vai para o espaço após
um atentado contra o presidente dos Estados Unidos, executado pelo
impressionante Noturno. Esse evento serve de gancho para o governo acionar o
coronel William Stryker, um cientista militar com um ódio visceral pelos
mutantes. O cara invade a escola do Professor Xavier, forçando uma aliança
inédita e indigesta: os X-Men precisam se juntar a Magneto e sua Irmandade para
sobreviverem. É aquela velha máxima de que o inimigo do meu inimigo é meu
amigo, sabe?
Comandado novamente pelo diretor Bryan Singer, o
filme conseguiu equilibrar perfeitamente o drama psicológico de caras como o
Wolverine com cenas de pancadaria que deixavam qualquer marmanjo colado na
poltrona. No termômetro do público e da crítica, a produção garantiu o seu
lugar ao sol, ostentando até hoje uma sólida nota 7.4 no IMDb, o
que reflete o quanto ele continua respeitado mesmo com o passar dos anos.
Quem faz parte do elenco e onde o
filme foi gravado?
O grande trunfo desse projeto foi conseguir manter a química pesada do
elenco original e ainda adicionar peças que roubaram a cena. O time de peso
conta com:
·
Hugh Jackman como Logan / Wolverine (no auge da
sua forma física e entregando a fúria característica do personagem);
·
Patrick Stewart como Professor Charles Xavier;
·
Ian McKellen como Erik Lehnsherr / Magneto;
·
Halle Berry como Tempestade;
·
Famke Janssen como Jean Grey;
·
James Marsden como Ciclope;
·
Brian Cox como o implacável vilão William
Stryker;
·
Alan Cumming na pele do carismático Noturno.
Para dar vida a esse universo cinzento e militarizado, a produção montou
base no Canadá. A maior parte das locações externas e de estúdio rolou em Vancouver, na Colúmbia Britânica. A famosa Mansão X,
por exemplo, utilizou o Castelo Hatley, localizado em Victoria (também no
Canadá) — um lugar imponente que trouxe a imponência exata que a escola de
superdotados precisava. As instalações militares subterrâneas de Stryker foram
construídas em cenários gigantescos em estúdio, transmitindo aquela sensação
claustrofóbica de base secreta que a gente adora ver em produções de espionagem
e ação.
Quais são as melhores curiosidades
dos bastidores?
Dar vida a um universo desse tamanho sempre rende histórias bizarras e
fatos marcantes de bastidores. Separei três detalhes que mostram o suor por
trás das câmeras:
·
O drama da maquiagem do Noturno: O ator Alan Cumming
passava por um verdadeiro teste de paciência diariamente. Eram necessárias
cerca de quatro horas para aplicar as próteses azuis e as cicatrizes pelo seu
corpo. O processo era tão desgastante que ele acabou se recusando a voltar para
o terceiro filme da franquia.
·
A fúria real de Hugh Jackman: Na icônica cena em
que a mansão é invadida e o Wolverine entra em modo berserker para defender a
garotada, Jackman levou o papel tão a sério que, em uma das tomadas de ação,
acabou golpeando acidentalmente a dublã de Rebecca Romijn (a Mística) com suas
garras de mentira, causando um susto danado na equipe.
·
Cenários reaproveitados: A cabine da
aeronave X-Jet foi construída com tanta tecnologia e detalhes na época que o
painel e várias peças foram posteriormente reaproveitados em outras produções
de ficção científica do mesmo estúdio para cortar custos.
Vale a pena assistir X-Men 2 hoje em
dia?
Sendo bem direto: vale cada minuto. Assistir a esse longa nos dias de
hoje é um exercício nostálgico fantástico, e ele envelheceu como um bom vinho.
Enquanto os filmes atuais de heróis abusam de piadinhas a cada cinco minutos e
cenários coloridos de computação gráfica que parecem videogame, a produção de
2003 entrega uma pegada mais crua, tensa e urbana.
A sequência de abertura com o Noturno invadindo a Casa Branca ao som de
música clássica continua sendo, na minha opinião, uma das melhores introduções
da história do cinema de ação. Ela dita o ritmo de um filme que sabe trabalhar
a urgência. A jornada do Wolverine em busca do seu passado ganha contornos
dramáticos excelentes no confronto com Stryker, e o sacrifício final de Jean
Grey deixa um nó na garganta que poucos filmes de gibi conseguiram replicar com
tanta dignidade.
O filme acerta ao tratar os poderes não como um dom divertido, mas quase
como um fardo biológico, levantando discussões sobre preconceito e aceitação
sem parecer palestrinha. É um baita filme de ação, com roteiro inteligente,
vilões ameaçadores de verdade e um ritmo que não te deixa desviar o olho da
tela. Se você quer entender onde o cinema de ação moderno aprendeu a andar,
precisa revisitar essa obra-prima.
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