Duna (Dune)

 

Cara, se você gosta de ficção científica, com certeza já esbarrou no nome Duna. Mas antes do espetáculo visual que vimos recentemente nos cinemas, existiu uma versão de 1984 que, até hoje, é motivo de debate entre os fãs. Eu resolvi revisitar esse clássico para entender o que faz dele uma obra tão única e, ao mesmo tempo, tão controversa.

A visão de David Lynch e o peso do elenco

Para começar, o título original é simplesmente Dune. O projeto caiu nas mãos de David Lynch, um diretor conhecido por um estilo bem fora da curva. O filme foi lançado oficialmente em 14 de dezembro de 1984 e trazia o desafio de adaptar o livro gigantesco de Frank Herbert em apenas algumas horas de tela.

O elenco é um ponto que chama a atenção. Temos a estreia de Kyle MacLachlan como o protagonista Paul Atreides. Mas não para por aí: o filme tem participações de Patrick Stewart (sim, o Professor X) e até do cantor Sting, que interpreta um dos vilões de forma bem memorável. É um grupo de atores sólido que tentou dar vida a uma trama política e mística densa pra caramba.

Onde a mágica aconteceu: Locações e visual

Uma coisa eu garanto: o filme tem uma identidade visual que você não encontra em nenhum outro lugar. Em vez de usar apenas computação gráfica (que era limitada na época), a produção apostou em cenários físicos massivos. As locações de filmagem foram principalmente no México, nos Estúdios Churubusco e nas dunas de Samalayuca.

Dá para sentir o peso dos cenários. Foram construídos mais de 80 sets diferentes para criar o planeta desértico Arrakis e os palácios industriais das outras casas nobres. Mesmo que alguns efeitos tenham envelhecido, a direção de arte ainda entrega uma atmosfera pesada e tátil que eu, pessoalmente, acho muito interessante.

A trilha sonora do Toto e o reconhecimento técnico

Um detalhe que muita gente esquece é a trilha sonora. Diferente do que se esperava para um épico espacial, quem assinou a música foi a banda de rock Toto, com uma pequena colaboração do Brian Eno. O resultado é uma sonoridade sintetizada, bem oitentista, que dá um tom épico e estranho ao mesmo tempo.

No quesito recepção, o filme hoje ostenta uma nota 6.3 no IMDb. Não é uma unanimidade, eu sei. Em termos de premiações, o longa chegou a ser indicado ao Oscar de Melhor Som, o que mostra que a parte técnica era levada muito a sério, mesmo que a narrativa tenha ficado um pouco picotada na edição final.

Curiosidades que você precisa saber

Para quem gosta de bastidores, o Duna de 1984 é uma mina de ouro. Aqui vão alguns fatos que mostram a escala da coisa:

  • A produção envolveu uma equipe de mais de 1.700 pessoas.

  • Frank Herbert, o autor do livro, chegou a dizer que gostou da adaptação, apesar das mudanças que o Lynch fez na história.

  • Existe uma versão estendida para a TV que o David Lynch detesta tanto que pediu para retirarem o nome dele dos créditos, usando o pseudônimo "Alan Smithee".

  • O filme foi um dos mais caros da sua época, custando cerca de 40 milhões de dólares.

No fim das contas, assistir ao Duna de 84 é uma experiência. Não é um filme perfeito, mas tem uma personalidade que falta em muitas produções atuais. Se você quer entender as raízes da ficção científica no cinema, vale o play.




Duna Parte 1 (Dune: Part One)

 

Fala, beleza? Se você curte ficção científica ou simplesmente gosta de cinema bem feito, com certeza já ouviu falar de Duna (2021). Eu demorei um pouco para processar tudo o que vi na tela, mas a real é que o diretor Denis Villeneuve conseguiu o que muitos consideravam impossível: adaptar a obra densa de Frank Herbert sem transformar tudo em uma bagunça visual.

O filme, cujo título original é Dune (ou Dune: Part One), chegou para redefinir o que a gente espera de um épico espacial. Vou te contar por que ele vale cada minuto do seu tempo, sem entregar nada da história, caso você ainda não tenha assistido.

Direção e o elenco de peso que carrega Arrakis

O Denis Villeneuve já tinha mostrado do que era capaz em Blade Runner 2049 e A Chegada, mas em Duna ele elevou o nível. Ele não só dirige, como assina o roteiro. E para dar vida aos personagens, chamou uma galera que não está para brincadeira.

No centro de tudo temos Timothée Chalamet como Paul Atreides. O cara entrega uma atuação contida, bem no estilo do personagem. Ao lado dele, temos nomes como Rebecca FergusonOscar IsaacJosh BrolinJason Momoa e Zendaya. É aquele tipo de filme onde até os personagens secundários são interpretados por estrelas do primeiro escalão, o que dá uma sobriedade maior para a trama política da história.

Um espetáculo técnico premiado e a nota no IMDB

Se você liga para números, a recepção foi pesada. O filme ostenta uma nota 8.0 no IMDb, o que é um feito e tanto para uma ficção científica de ritmo mais lento e contemplativo. Mas onde ele realmente limpou a mesa foi nas premiações.

No Oscar 2022, Duna levou nada menos que 6 estatuetas, dominando as categorias técnicas:

  • Melhor Trilha Sonora Original;

  • Melhor Som;

  • Melhor Montagem;

  • Melhor Fotografia;

  • Melhor Design de Produção;

  • Melhores Efeitos Visuais.

A trilha sonora, inclusive, merece um parágrafo à parte. Hans Zimmer recusou trabalhar com o Christopher Nolan em Tenet só para fazer Duna. Ele criou instrumentos novos e usou coros femininos para dar um som que não parece deste mundo. É visceral.

Onde o deserto ganha vida: Locações e visuais

Muita gente acha que o filme é puro CGI, mas o Villeneuve fez questão de filmar em locações reais para trazer textura. O planeta deserto Arrakis foi "construído" combinando as dunas infinitas de Wadi Rum, na Jordânia, e os desertos de Abu Dhabi.

Já o planeta natal dos Atreides, Caladan, teve suas cenas gravadas na Noruega (Stadlandet), o que explica aquele contraste visual entre a névoa fria do início e o calor sufocante do resto do filme. Essa escolha faz toda a diferença na imersão; você quase sente a areia batendo no rosto.

Curiosidades que você talvez não saiba

Para fechar, separei alguns detalhes de bastidores que mostram o nível de insanidade dessa produção:

  • Maquiagem pesada: O ator Stellan Skarsgård, que vive o Barão Harkonnen, passava cerca de 8 horas por dia na cadeira de maquiagem para aplicar as próteses do personagem.

  • Linguagem própria: O filme utiliza o Chakobsa, uma língua criada para os livros que mistura árabe, francês e até sânscrito.

  • Nada de cenas deletadas: O diretor já declarou que não libera versões estendidas. Para ele, se a cena saiu do corte final, ela está morta e enterrada.

O filme foi lançado oficialmente no Brasil em 21 de outubro de 2021 e, desde então, virou porta de entrada para uma nova geração de fãs desse universo. Se você busca algo profundo, visualmente impecável e que te trate como um espectador inteligente, dê o play.