A Noite dos Mortos Vivos (Night of the Living Dead)

 

Se você curte cinema, sabe que existem filmes que apenas divertem e existem aqueles que mudam as regras do jogo. A Noite dos Mortos-Vivos (título original: Night of the Living Dead), lançado em 1º de outubro de 1968, é o pai de tudo o que conhecemos sobre zumbis hoje.

Não estou exagerando. Antes do George A. Romero colocar sua câmera na mão e filmar aquele preto e branco cru, o conceito de "morto-vivo" era algo muito ligado ao vudu ou folclore. Aqui, a coisa ficou séria, claustrofóbica e, acima de tudo, realista para a época.

O diretor e o peso do elenco original

Muita gente acha que grandes clássicos precisam de orçamentos astronômicos, mas o George A. Romero provou o contrário. Com pouco dinheiro e muita criatividade, ele entregou uma obra que hoje ostenta uma nota 7.8 no IMDb, o que é altíssimo para um filme de terror daquela década.

O elenco não era de estrelas de Hollywood, mas entregou o que precisava. Tivemos Duane Jones interpretando Ben — um papel fortíssimo e disruptivo para 1968 — e Judith O’Dea como Barbra. A dinâmica entre eles dentro daquela casa cercada é o que segura a tensão o tempo todo. É um filme sobre pessoas sob pressão, onde o perigo lá fora é tão grande quanto o conflito aqui dentro.

Locações e a trilha sonora que dita o ritmo

O clima de isolamento do filme não é fake. Ele foi rodado em Evans City, na Pensilvânia. Se você visitar o cemitério de Evans City hoje, ainda vai sentir aquele calafrio lembrando da cena de abertura. A fazenda, que serviu como cenário principal, trouxe o tom de "não há para onde fugir" que define o gênero survival.

Sobre a trilha sonora, um detalhe curioso: para economizar, eles usaram o que chamamos de stock music (músicas de biblioteca). Mas não se engane, a seleção foi tão precisa que as composições de gente como William Loose e Fred Steiner criam uma atmosfera pesada, sem precisar de melodias complexas. É o som do inevitável.

Curiosidades que tornam o filme único

Se você gosta de bastidores, A Noite dos Mortos-Vivos é uma mina de ouro. Aqui vão alguns fatos que mostram como eles se viravam:

  • Sangue de chocolate: Como o filme é em preto e branco, o sangue usado nas cenas era calda de chocolate Bosco. No monitor, a densidade parecia perfeita.

  • Domínio Público: Por um erro na troca do título (o original seria Night of the Flesh Eaters), o filme caiu em domínio público logo no lançamento. Isso foi um desastre financeiro para os produtores, mas ajudou o filme a ser exibido em todo lugar, criando uma legião de fãs gigante.

  • Crítica Social: Romero sempre disse que não escalou Duane Jones por ele ser negro, mas sim porque ele era o melhor ator para o papel. No entanto, o contexto racial dos EUA em 1968 deu ao final do filme um peso político que ecoa até hoje.

Premiações e o legado no cinema de terror

Na época, o Oscar não dava muita bola para filmes de "monstros". Por isso, você não vai encontrar uma lista de estatuetas da Academia. Porém, o reconhecimento veio com o tempo e de forma muito mais sólida.

O filme foi selecionado pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos para preservação no National Film Registry, sendo considerado "culturalmente, historicamente ou esteticamente significativo". Além disso, ele venceu o tempo, influenciando desde The Walking Dead até os jogos de Resident Evil. Sem o Romero, o apocalipse zumbi como conhecemos simplesmente não existiria.

Se você quer entender como o terror pode ser inteligente e visceral sem precisar de efeitos especiais digitais, esse é o ponto de partida. É um filme direto, sem enrolação e que te deixa pensando muito depois que os créditos sobem.


A Volta Dos Mortos Vivos (The Return of the Living Dead)

 

Eu sempre achei que, se existe um filme que define bem o espírito do terror oitentista, esse filme é A Volta dos Mortos-Vivos. Lançado originalmente como The Return of the Living Dead, ele não é apenas mais uma história de zumbis. Eu vejo essa obra como um divisor de águas que misturou punk rock, humor ácido e um tipo de medo que a gente não estava acostumado a ver naquela época.

Diferente dos filmes do George Romero, aqui as criaturas não são lentas e muito menos burras. Vou te contar por que esse clássico de 1985 ainda é relevante e o que você precisa saber sobre ele sem estragar a surpresa com spoilers.

O comando de Dan O'Bannon e o elenco de peso

O filme chegou aos cinemas em 16 de agosto de 1985 e teve a mão firme de Dan O'Bannon na direção. Para quem não liga o nome à pessoa, ele foi o cara que escreveu o roteiro original de Alien, o Oitavo Passageiro. O'Bannon trouxe uma visão bem particular para o gênero. Ele queria algo que fosse divertido, mas que não perdesse o peso do terror.

No elenco, temos figuras que entregaram atuações muito viscerais. James Karen e Thom Mathews carregam boa parte da trama inicial com uma química excelente, interpretando funcionários de um armazém de suprimentos médicos que acabam metendo os pés pelas mãos. Além deles, Clu Gulager e Don Calfa dão um suporte absurdo para a história. É um time que soube equilibrar o pânico com diálogos rápidos e diretos.

A trilha sonora punk e a estética urbana

Se tem uma coisa que eu preciso destacar é a trilha sonora. Ela é quase um personagem à parte. O filme é mergulhado na cultura punk dos anos 80, trazendo bandas como 45 Grave, T.S.O.L. e The Cramps. A música "Partytime" do 45 Grave virou um hino instantâneo para quem gosta desse universo.

Essa escolha musical não foi por acaso. Ela dita o ritmo frenético da narrativa e combina perfeitamente com o visual dos jovens que protagonizam as cenas de fuga. Enquanto muitos filmes de terror daquela década apostavam em sintetizadores atmosféricos, A Volta dos Mortos-Vivos preferiu a distorção das guitarras e a bateria acelerada, o que deu ao filme uma energia única.

Locações de filmagem e o nascimento dos comedores de cérebros

Embora a história se passe em Louisville, Kentucky, a maior parte das filmagens aconteceu em Los Angeles, na Califórnia. O cemitério e as ruas escuras que vemos na tela conseguem passar aquela sensação de isolamento e perigo iminente. É interessante notar como o design de produção transformou locações comuns em cenários de pesadelo urbano.

Uma curiosidade que eu sempre gosto de citar é que este foi o filme que introduziu a ideia de que zumbis comem especificamente cérebros. Antes disso, eles comiam qualquer tipo de carne humana. Além disso, foi aqui que vimos pela primeira vez mortos-vivos que corriam e até conseguiam articular frases simples no rádio. Isso mudou completamente o jogo e influenciou tudo o que veio depois no gênero.

Notas no IMDb e o reconhecimento da crítica

Mesmo sendo um filme com um orçamento mais modesto, ele conquistou um espaço considerável. Atualmente, a nota no IMDb é 7.3, o que é um número bem respeitável para um filme de terror daquela era. Ele não passou batido pelas premiações também, recebendo indicações ao Saturn Awards em categorias como Melhor Filme de Terror, Melhor Ator (James Karen) e Melhores Efeitos Especiais.

O reconhecimento veio pelo fato de que o filme não tenta ser apenas um susto barato. Existe uma construção de tensão real ali. Os efeitos práticos, as maquiagens dos zumbis (especialmente o famoso "Tarman") e o final impactante garantiram que ele se tornasse um filme cult adorado até hoje.

Se você está procurando um filme que entrega entretenimento puro, sem muita enrolação e com uma identidade visual fortíssima, essa é a escolha certa.


Devoradores de Estrelas (Project Hail Mary)

 

Cara, se você é fã de uma boa ficção científica "pé no chão", daquelas que te fazem fritar os neurônios pensando na imensidão do universo e no futuro da humanidade, precisa conhecer Devoradores de Estrelas. Eu lembro bem de quando ouvi falar do projeto pela primeira vez. A premissa era animal, e o pedigree dos envolvidos prometia entregar algo épico.

A história gira em torno de uma missão desesperada. O sol está morrendo de forma misteriosa, sendo "consumido" por algo que está roubando sua energia. Sem tempo a perder, a humanidade lança sua última esperança: a espaçonave Hail Mary, tripulada por uma equipe de cientistas e astronautas que precisam encontrar uma solução antes que a Terra vire uma bola de gelo sem vida.

Do que se trata exatamente Devoradores de Estrelas?

O filme, cujo título original é Project Hail Mary, foi lançado em 2024 e é baseado no livro homônimo do Andy Weir, o mesmo cara que escreveu Perdido em Marte. Se você curtiu a vibe de sobrevivência espacial com ciência pesada daquele filme, vai se sentir em casa aqui. A direção ficou nas mãos da dupla dinâmica Phil Lord e Christopher Miller, os cérebros por trás de Uma Aventura Lego e Homem-Aranha: No Aranhaverso. Eu confesso que fiquei meio curioso para ver como eles iriam lidar com um tom mais sério, e olha, eles entregaram um trabalho sensacional, equilibrando os momentos de tensão com a leveza e o humor que são marca registrada deles.

O elenco é encabeçado pelo Ryan Gosling, que interpreta o protagonista Ryland Grace, um ex-professor de ciências que acorda de um coma em plena espaçonave, sem lembrar quem ele é ou o que está fazendo ali. O Gosling entrega uma performance incrível, segurando a maior parte do filme sozinho (ou quase), com aquele carisma understated que a gente conhece bem. O elenco também conta com nomes de peso como Sandra Hüller e Anya Taylor-Joy.


Onde foi filmado Devoradores de Estrelas?

As filmagens principais rolaram em grandes estúdios no Reino Unido, usando tecnologias de ponta como a famosa The Volume (o painel de LED gigante usado em The Mandalorian) para criar os ambientes espaciais e a espaçonave Hail Mary com um realismo absurdo. Algumas locações externas foram usadas para as cenas na Terra antes do lançamento da missão, mas a maior parte da ação se passa no espaço, com CGI de primeira linha que te faz sentir a claustrofobia da nave e a imensidão do cosmos.

Quais são as maiores curiosidades sobre Devoradores de Estrelas?

Uma das coisas mais legais dos bastidores foi o envolvimento do próprio autor, Andy Weir, no desenvolvimento do roteiro. Ele trabalhou de perto com a equipe para garantir que a ciência por trás do filme fosse o mais precisa possível, o que sempre é um ponto positivo para os fãs do gênero. Outra curiosidade é a preparação do Ryan Gosling para o papel. Dizem que ele passou semanas em um simulador de gravidade zero para conseguir entregar as cenas de flutuação de forma natural.

Mas a maior curiosidade e, sem dúvida, o ponto alto do filme é o co-protagonista inusitado. Eu não vou dar spoilers aqui, mas a relação que o personagem do Gosling constrói durante a missão é uma das coisas mais surpreendentes e emocionantes que eu já vi em uma ficção científica recente. É um bromance espacial que você não vê chegando, mas que funciona perfeitamente.

Qual é a minha crítica honesta sobre o filme?

Com uma nota sólida de 8.2 no IMDb, Devoradores de Estrelas é, para mim, uma das melhores ficções científicas da década. Lord e Miller conseguiram adaptar o material denso do livro de forma brilhante, criando um filme que é ao mesmo tempo inteligente, emocionante e muito divertido. A performance do Ryan Gosling é o coração do filme, e o roteiro consegue equilibrar os conceitos científicos complexos com momentos de pura humanidade e conexão.

O viés do filme é bem pé no chão, focado na resolução de problemas através da ciência e do raciocínio lógico, o que me agrada muito. Não é um filme de ação frenético, mas a tensão é constante, e as reviravoltas na trama te mantêm preso na cadeira até o final. Se você gosta de filmes que te fazem pensar e se emocionar, Devoradores de Estrelas é imperdível.

Vale a pena assistir Devoradores de Estrelas?

Com certeza! Se você curte ficção científica inteligente, atuações de primeira e uma história emocionante que te faz refletir sobre o nosso lugar no universo, Devoradores de Estrelas é o filme certo para você. É uma obra robusta, que honra o livro em que foi baseada e entrega uma experiência cinematográfica inesquecível. Eu saí do cinema com a sensação de ter visto algo especial, uma ficção científica com alma e cérebro.