O Destino de Júpiter (Jupiter Ascending)

 

Se você curte uma boa ficção científica espacial, daquelas com naves gigantescas, tiros de laser para todo lado e conceitos de exploração espacial que fritam o cérebro, com certeza já cruzou com O Destino de Júpiter (Jupiter Ascending) zapeando pelo streaming. Lembro muito bem de quando o filme saiu: a promessa era de uma nova ópera espacial revolucionária, vinda diretamente das mentes que criaram Matrix.

Olhando hoje, o filme se tornou aquele clássico "ame ou odeie" que sempre rende boas discussões em mesas de bar. Vou te contar tudo sobre essa produção, o que funciona, o que derrapa e as loucuras que aconteceram nos bastidores. Pegue o seu café e vem comigo.

Quem está por trás da criação desse universo espacial?

Para entender a escala desse projeto, a gente precisa olhar para a cadeira de direção. O filme foi escrito, dirigido e produzido pelas irmãs Lana e Lilly Wachowski. Sim, a dupla por trás da trilogia original de Matrix. Depois do estrondo que fizeram no cinema de ação e ficção científica, elas ganharam praticamente um cheque em branco da Warner Bros. para tirar do papel qualquer ideia maluca que tivessem.

A ideia delas era criar uma espécie de Odisseia no espaço mesclada com contos de fadas e teorias de conspiração alienígena. Elas queriam entregar um visual absurdo, com designs de naves baseados em arquitetura gótica e tecnologia bio-mecânica. O resultado na tela é inegável: o design de produção é um espetáculo visual bruto, daqueles que te fazem focar na tela só para tentar entender a escala dos palácios espaciais e das armaduras dos soldados.

Qual é a história real por trás de O Destino de Júpiter?

O filme chegou aos cinemas em 2015, trazendo uma trama que mistura a rotina massacrante da Terra com o topo da realeza intergaláctica. No centro de tudo está Júpiter Jones, vivida por Mila Kunis. Na Terra, ela é uma imigrante russa que ganha a vida limpando banheiros e casas de luxo em Chicago. Uma rotina pesada, sem grandes perspectivas, até que o destino dela vira de cabeça para baixo.

Ela descobre que sua assinatura genética a torna a reencarnação da matriarca de uma das dinastias alienígenas mais poderosas do universo, a Casa de Abrasax. Isso significa que ela, tecnicamente, é a dona da Terra. O problema é que os três filhos herdeiros da dinastia — Balem (Eddie Redmayne), Kalique (Tuppence Middleton) e Titus (Douglas Booth) — enxergam a Terra apenas como uma fazenda de cultivo. Eles "colhem" a população de planetas inteiros para criar um soro da juventude eterna. Para salvar a pele e o seu planeta natal, Júpiter conta com a ajuda de Caine Wise, interpretado por Channing Tatum, um ex-militar licantropo (metade humano, metade lobo) geneticamente modificado que usa botas antigravidade para surfar no ar.

Quais foram as principais locações e os desafios de filmagem?

Embora o filme abuse dos efeitos visuais digitais de última geração, a produção viajou bastante para fincar os pés em cenários reais. A maior parte das cenas urbanas e de perseguição foi filmada nas ruas de Chicago, que serve como a base terrestre da história. Inclusive, uma das sequências de ação mais complexas do filme — uma perseguição de caças espaciais invisíveis no meio dos arranha-céus — levou seis meses de ensaios diários para ser gravada na própria cidade, aproveitando a luz exata do amanhecer.

Para dar vida aos palácios espaciais aristocráticos e cheios de detalhes góticos, a equipe se mudou para o Reino Unido. Eles utilizaram os palcos do tradicional Leavesden Studios e cenários históricos reais, como a Catedral de Ely e o Museu de História Natural de Londres. Essa mistura de arquitetura medieval europeia com tecnologia espacial futurista deu ao longa uma identidade visual bem marcante e pesada, que se diferencia da maioria das ficções científicas limpinhas que vemos por aí.

Quais curiosidades dos bastidores você provavelmente não sabia?

O desenvolvimento dessa obra foi uma verdadeira montanha-russa e gerou histórias de bastidores que quase rendem outro filme. Separei as melhores curiosidades para você entender o tamanho da encrenca:

·         O adiamento de última hora: O filme estava totalmente planejado e divulgado para estrear no meio de 2014. Faltando poucas semanas para o lançamento, a Warner Bros. adiou o filme em quase um ano. O motivo oficial foi a necessidade de finalizar os mais de 2.000 planos de efeitos visuais, mas o mercado já sentia o cheiro de que a edição estava dando trabalho.

·         Mila Kunis quase ficou de fora: O papel de Júpiter quase foi parar nas mãos de Natalie Portman, que acabou desistindo durante a pré-produção. Rooney Mara também foi fortemente considerada antes de fecharem o contrato com Kunis.

·         Channing Tatum de prótese bucal: Para parecer mais com um híbrido canino, Tatum teve que usar uma prótese na mandíbula que alterava o formato do seu rosto. Ele revelou mais tarde que mal conseguia fechar a boca direito e que falar as falas do roteiro era um baita desafio físico.

·         Inspiração em anime: As Wachowski nunca esconderam o amor pela cultura pop japonesa. Várias estéticas de voo e combate de Caine foram inspiradas diretamente em animações clássicas de robôs gigantes e combates aéreos.

O filme vale o seu tempo ou é uma decepção?

Chegamos à hora da verdade. Atualmente, o longa ostenta uma nota de 5.3 no IMDb, o que mostra o tamanho da divisão que ele causou. Minha crítica sincera é que o filme sofre de um mal clássico de projetos ambiciosos demais: ele quer construir um universo gigante, com leis políticas, biologia alienígenas e disputas comerciais, mas tenta espremer tudo isso em duas horas de tela. O roteiro atropela explicações e, às vezes, a própria Júpiter fica meio passiva na história, sendo jogada de um canto para o outro do espaço. A atuação de Eddie Redmayne como o vilão Balem também divide opiniões, já que ele alterna entre sussurros quase inaudíveis e gritos histéricos.

Por outro lado, se você assistir desarmado, procurando apenas uma boa diversão de ação com cara de videogame de alto orçamento, ele entrega muito. O combate com as botas antigravidade do Caine é criativo, as armaduras e naves têm um visual imponente e a escala das batalhas é massiva. Não é uma obra-prima como o primeiro Matrix, longe disso, mas tem a coragem de arriscar conceitos originais em uma época em que o cinema vive apenas de sequências e remakes. Vale o play em um sábado à noite se você curte o gênero e quer desligar a cabeça curtindo um visual de primeira linha.

 

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