O Outro Nome do Jogo (Be Cool)

 

Se você curte aquela mistura clássica de malandragem, gângsteres de terno e uma boa dose de ironia, provavelmente já ouviu falar de Chili Palmer. Lembro bem de quando decidi rever O Outro Nome do Jogo, a sequência direta do aclamado O Nome do Jogo (Get Shorty). No primeiro filme, nosso protagonista troca a vida de cobrador da máfia por Hollywood. Já nesta continuação, ele resolve que o cinema saturou e que o verdadeiro faroeste moderno é a indústria da música.

Bater um papo sobre esse filme é revisitar uma época muito específica dos anos 2000, onde o estilo importava tanto quanto o roteiro. Vou te contar como essa obra se constrói e se ainda vale a pena dar o play.

Qual é o contexto e a história por trás de Be Cool?

Lançado nos cinemas no ano de lançamento de 2005, o longa traz o título original de Be Cool. A trama acompanha Chili Palmer entediado com os bastidores do cinema. Quando um amigo próximo e dono de uma gravadora é assassinado pela máfia russa bem na sua frente, Chili vê a oportunidade perfeita para mudar de ares. Ele decide agenciar uma jovem cantora talentosa chamada Linda Moon, mas para isso precisa peitar empresários picaretas, gângsteres russos e produtores de rap armados até os dentes.

O filme tenta replicar a fórmula do primeiro, trocando os sets de filmagem pelos estúdios de gravação de Los Angeles. O ritmo é de uma comédia de erros policial, onde todo mundo está tentando passar a perna em todo mundo, e apenas o cara mais calmo da sala consegue ditar as regras.

Quem está no comando e quem brilha no elenco?

A direção ficou nas mãos de F. Gary Gray, um cara que sabe muito bem como filmar ação e transitar pela cultura pop (ele dirigiu Uma Saída de Mestre e, mais tarde, Velozes e Furiosos 8). O elenco é um verdadeiro desfile de astros. John Travolta retorna impecável na pele de Chili Palmer, destilando aquela ginga e frieza que só ele sabe fazer. Ao seu lado, Uma Thurman interpreta Edie Athens, a viúva do dono da gravadora que se torna parceira de Chili. Reunir o casal de Pulp Fiction na pista de dança foi uma jogada puramente nostálgica.

O time de apoio é pesado: Vince Vaughn está hilário como um empresário branco que jura que é um gângster negro, Harvey Keitel entrega a malandragem de sempre, e Cedric the Entertainer comanda a ala dos produtores de hip-hop cheios de marra. Mas a grande surpresa do filme é Dwayne Johnson (na época creditado apenas como The Rock), que rouba a cena vivendo Elliot Wilhelm, um capanga samoano, homossexual e aspirante a ator, que faz o "olhar de sobrancelha" mais famoso do cinema.

Quais são as principais locações e curiosidades dos bastidores?

A principal locação do filme é a ensolarada e caótica cidade de Los Angeles, Califórnia. A produção usou cenários icônicos da noite americana, como a lendária casa de shows Viper Room na Sunset Strip, o histórico Canter's Deli e até o Shrine Auditorium. Uma das cenas mais marcantes, um show do Aerosmith, foi gravada no Tweeter Center em Massachusetts, trazendo o próprio Steven Tyler para dividir o microfone com a personagem Linda Moon.

Nos bastidores, existem algumas curiosidades que explicam o tom da obra:

·         A dança icônica: A cena de dança entre Travolta e Uma Thurman levou dias para ser coreografada. Eles sabiam que a comparação com Pulp Fiction seria inevitável, então tentaram trazer algo mais voltado para o R&B e o charme maduro.

·         O fator PG-13: O diretor F. Gary Gray revelou tempos depois que a decisão do estúdio de mudar a classificação indicativa de R (para maiores) para PG-13, bem perto das filmagens, quebrou um pouco da autenticidade e do peso que os gângsteres deveriam ter.

·         Previsão do futuro: O figurino e a dança que o personagem de Dwayne Johnson faz no palco são bizarramente parecidos com os trejeitos do semideus Maui na animação Moana, lançada mais de uma década depois, onde o próprio The Rock dubla o personagem.

O Outro Nome do Jogo realmente vale o seu tempo?

Olhando friamente para a nota IMDb de 5.6, fica claro que a recepção do público e da crítica não foi das mais calorosas. Mas vamos ao que interessa: a minha crítica da obra. O Outro Nome do Jogo não tem o mesmo impacto cirúrgico do primeiro filme, que era baseado na escrita afiada de Elmore Leonard. Ao tentar abraçar o mercado fonográfico com uma pegada mais leve e caricata, o filme perdeu um pouco daquela malícia urbana legítima.

No entanto, se você assistir sem a obrigação de ver uma obra-prima do crime, ele entrega um ótimo entretenimento de fim de semana. A dinâmica de John Travolta flutuando entre os perigos sem perder a pose de homem de negócios é magnética. Vince Vaughn e Dwayne Johnson entregam momentos legítimos de comédia que compensam as fragilidades do roteiro. É um filme estiloso, com uma trilha sonora fantástica que vai do rap ao rock clássico, feito para quem gosta de acompanhar uma história de malandros contada com muita marra e uma boa dose de ironia. Se você quer relaxar e ver uma Hollywood que não existe mais, vale o play.

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