Uma Batalha Após a Outra (One Battle After Another)

 

Eu parei para assistir Uma Batalha Após a Outra (One Battle After Another) outro dia e, olha, o filme é um soco no estômago, mas com aquela luva de veludo do Paul Thomas Anderson. Se você gosta de cinema que não tem medo de colocar o dedo na ferida política, esse aqui é o seu prato cheio.

O longa estreou por aqui no final de 2025, mas é agora em 2026 que ele está limpando as premiações e todo mundo só fala disso. Vou te contar o que achei, sem estragar as surpresas da trama, mas focando no que realmente importa.

Do que se trata Uma Batalha Após a Outra?

A história é, no fundo, uma saga revolucionária meio caótica. O título original já entrega que a vida desses personagens é uma sucessão de conflitos que nunca termina. O roteiro é uma adaptação livre de Vineland, aquele livro do Thomas Pynchon de 1990, e segue um grupo de ex-revolucionários que se vê obrigado a se reunir quando um velho inimigo do sistema ressurge das cinzas.

O Paul Thomas Anderson, que além de dirigir também assina o roteiro, traz uma sátira pesada sobre o autoritarismo nos Estados Unidos. É um filme que não esconde o seu viés esquerdista. Ele exalta a contracultura, critica o estado policial e coloca as minorias em um pedestal de resistência que chega a ser idealizado em alguns momentos. Se você busca algo neutro, passe longe. Esse filme tem lado, e ele é bem barulhento sobre isso.

O elenco de peso e a batida de Jonny Greenwood

Eu não sei como o DiCaprio ainda consegue se superar, mas aqui ele está genial como Bob Ferguson. Ele interpreta um cara meio anacrônico, que vive de roupão e parece ter parado no tempo, mas que carrega o peso de uma causa. Ao lado dele, o Benicio del Toro e o Sean Penn entregam atuações que justificam cada centavo do ingresso. O Sean Penn, inclusive, faz um vilão (o Coronel Lockjaw) que dá um nojo genuíno — é aquele tipo de autoridade militar que a gente adora odiar.

E tem a trilha sonora. Jonny Greenwood (do Radiohead) é o braço direito do diretor há anos, e aqui ele criou algo que mistura tensão com uma melancolia de quem sabe que a revolução pode ter falhado, mas ainda pulsa. A música dita o ritmo das perseguições e dos diálogos ácidos. É o tipo de som que você quer ouvir no fone depois que sai do cinema.

O visual e os bastidores das filmagens

Para quem curte os detalhes técnicos, o filme foi rodado em locações belíssimas e rústicas no norte da Califórnia, principalmente em Humboldt County e na cidade de Eureka. Aquela névoa natural da região ajuda a criar o clima de "lugar nenhum" onde os personagens tentam se esconder do sistema.

Uma curiosidade interessante é que o Paul Thomas Anderson trabalhou nesse projeto por quase 20 anos. Ele queria capturar essa essência da resistência política americana de um jeito que parecesse atual, mesmo usando uma base literária de décadas atrás. Outro ponto curioso: a cantora Alana Haim faz uma ponta, mantendo a parceria que começou em Licorice Pizza.

Vale a pena? Notas e premiações

Se você liga para números, a nota no IMDb está em 7,8, o que é bem alto para um filme tão politizado e divisivo. Nas premiações de 2026, o filme foi o grande destaque:

  • Globo de Ouro: Venceu Melhor Filme (Comédia ou Musical), Diretor e Roteiro.

  • Critics Choice: Levou Melhor Filme e Diretor.

  • Oscar 2026: Recebeu 13 indicações, incluindo Melhor Filme e Ator para o DiCaprio.

No fim das contas, Uma Batalha Após a Outra é um documento sobre o agora. É longo (quase 3 horas), é denso e é assumidamente partidário. Mas é cinema de primeira qualidade.

Ficha Técnica Resumida:

  • Título Original: One Battle After Another

  • Diretor: Paul Thomas Anderson

  • Elenco Principal: Leonardo DiCaprio, Sean Penn, Benicio del Toro, Regina Hall, Teyana Taylor e Chase Infiniti.

  • Lançamento no Brasil: Setembro de 2025 (circuito comercial em 2026).



Bar Doce Lar (The Tender Bar)

 

Se você está procurando um filme que não tenta reinventar a roda, mas entrega uma história sólida sobre amadurecimento, Bar Doce Lar (título original: The Tender Bar) é uma escolha segura. Assisti ao longa recentemente e a sensação é de que George Clooney, na direção, decidiu deixar de lado os artifícios complexos para focar no que realmente importa: o peso das referências que escolhemos na vida.

O filme foi lançado no final de 2021 nos cinemas e chegou ao Prime Video no início de 2022. Ele conta a história de J.R., um garoto que cresce sem a presença do pai e acaba encontrando no bar do tio Charlie — e nos frequentadores de lá — a educação que precisava para virar homem.

O que esperar de Bar Doce Lar

A trama gira em torno da busca de J.R. por uma figura paterna. Como o pai biológico é apenas uma voz no rádio (ele é DJ), o garoto gravita em torno do bar Dickens, comandado pelo tio Charlie. Não espere grandes reviravoltas ou cenas de ação. O ritmo aqui é de conversa de balcão, sabe? Aquela narrativa fluida que vai mostrando o crescimento do protagonista, vivido por Daniel Ranieri na infância e por Tye Sheridan na fase adulta.

O roteiro é baseado nas memórias reais do jornalista J.R. Moehringer. O que me chamou a atenção foi como o ambiente de um bar, que muitos veriam como um lugar "ruim" para uma criança, é retratado como um refúgio intelectual e de acolhimento. É um filme sobre livros, conselhos práticos de vida e a aceitação da nossa própria bagagem.

Um elenco que carrega a história nas costas

Muita gente deu o play só por causa do Ben Affleck, e com razão. Ele interpreta o tio Charlie e, honestamente, é um dos melhores papéis da carreira dele. Affleck traz uma calma e uma sabedoria de quem já viu de tudo, sem ser palestrinha. O esforço foi reconhecido, já que ele recebeu indicações ao Globo de Ouro e ao SAG Awards como Melhor Ator Coadjuvante por esse trabalho.

Além dele, temos Christopher Lloyd — o eterno Doc Brown de De Volta para o Futuro — como o avô ranzinza, mas carinhoso, e Lily Rabe no papel da mãe determinada. No site do IMDb, a nota do filme está em 6.7, o que eu considero justo. Não é uma obra-prima que vai mudar o cinema, mas é um filme honesto e bem executado.

Trilha sonora e o visual de Massachusetts

Se tem uma coisa que dita o tom desse filme é a música. A trilha sonora é recheada de clássicos dos anos 70, com nomes como Paul Simon, Steely Dan e Jackson Browne. É aquele tipo de som que faz você querer estar em um Cadillac antigo dirigindo por uma estrada secundária dos Estados Unidos.

As locações também ajudam muito nessa imersão. O filme foi gravado em Massachusetts, passando por cidades como Lowell, Beverly e Boston. Essa ambientação cinzenta e suburbana da Costa Leste traz uma autenticidade que combina com a pele dos personagens. George Clooney soube usar bem as texturas do local para passar aquela sensação de "cidade pequena de onde todo mundo quer sair, mas ninguém esquece".

Curiosidades que talvez você não saiba

Para quem gosta de detalhes de produção, aqui vão alguns pontos interessantes:

  • Conexão real: Ben Affleck cresceu em Massachusetts, então o sotaque e o jeito de se portar do personagem foram naturais para ele.

  • O verdadeiro J.R.: O autor do livro que deu origem ao filme, J.R. Moehringer, foi quem ajudou o Príncipe Harry a escrever sua autobiografia, O Que Sobra.

  • Estreia de peso: O pequeno Daniel Ranieri, que faz o J.R. criança, foi descoberto por Clooney em um vídeo viral e nunca tinha atuado antes. Ele rouba a cena.

Se você está em dúvida sobre o que assistir no final de semana, Bar Doce Lar é uma boa pedida para quem gosta de boas atuações e uma história que se resolve sem pressa. É um filme sobre entender que, às vezes, a família que a gente precisa não é exatamente aquela que o destino nos deu de primeira.