Matador de Aluguel (Road House)

 

Se você curte um bom filme de ação que não tenta reinventar a roda, mas entrega o que promete, senta aí. Vou te contar o que achei de Matador de Aluguel (2024), o remake que trouxe o Jake Gyllenhaal para o centro do ringue e que chegou chutando a porta no Prime Video.

O novo rosto de Elwood Dalton e a direção de Doug Liman

Diferente do clássico de 1989 com o Patrick Swayze, o título original Road House (2024) coloca o Jake Gyllenhaal no papel de Elwood Dalton. O cara é um ex-lutador do UFC que vive assombrado por um erro do passado e sobrevive participando de lutas clandestinas onde ninguém tem coragem de enfrentá-lo.

O filme é dirigido por Doug Liman, o mesmo cara de A Identidade Bourne e No Limite do Amanhã. Dá para sentir o toque dele: a ação é seca, rápida e as câmeras se movem de um jeito que você se sente levando o soco junto com o protagonista. O longa foi lançado oficialmente em 21 de março de 2024 e, honestamente, cumpre bem o papel de entretenimento bruto.

Elenco pesado e a estreia de Conor McGregor

O Dalton da vez é mais sombrio. Gyllenhaal entrega um personagem que é educado até o momento em que precisa quebrar o braço de alguém. Mas quem rouba a cena (pelo caos, não necessariamente pela atuação clássica) é Conor McGregor. O lutador faz sua estreia no cinema como Knox, um vilão completamente instável e insano que serve como o contraponto perfeito para a frieza do Dalton.

O elenco ainda conta com nomes como:

  • Daniela Melchior (que faz a Ellie, o interesse romântico e voz da razão);

  • Billy Magnussen (o vilão mimado Ben Brandt);

  • Jessica Williams (Frankie, a dona do bar que contrata Dalton);

  • Joaquim de Almeida (o xerife local).

No IMDb, o filme está segurando uma nota média de 6.2/10. Não é uma obra de arte para ganhar Oscar — e convenhamos, nem se propõe a isso —, mas é um sólido filme de porradaria. Sobre premiações, o foco aqui foi a recepção de público no streaming, batendo recordes de audiência no Prime Video logo na estreia.

Trilha sonora e o visual das Florida Keys

trilha sonora é assinada por Christophe Beck, mas o que dita o ritmo são as bandas de blues e rock que tocam ao vivo no palco do bar (o Road House). A música é quase um personagem, parando só quando as garrafas começam a voar.

Sobre as locações de filmagem, a história se passa em Glass Key, nas Florida Keys (EUA), mas a maior parte das gravações rolou na República Dominicana. O cenário é paradisíaco: mar azul, sol de rachar e bares de madeira pé na areia que contrastam com a violência pesada das cenas.

Curiosidades que você precisa saber

Se você gosta de detalhes de bastidores, aqui vão alguns pontos interessantes:

  • Realismo no UFC: Algumas cenas foram gravadas durante o UFC 285 em Las Vegas, com Gyllenhaal subindo na balança e entrando no octógono de verdade na frente do público.

  • Recorde do McGregor: Dizem que o Conor McGregor se tornou o ator estreante mais bem pago da história com este filme.

  • Homenagem: Há pequenos easter eggs espalhados que remetem ao filme original de Patrick Swayze, mas a pegada aqui é bem mais voltada para o MMA moderno.

  • Treinamento: Jake Gyllenhaal passou por uma transformação física bizarra para o papel, mantendo uma dieta rigorosa e treinos de luta por meses.

No fim das contas, Matador de Aluguel 2024 é aquele filme ideal para um sábado à noite. É direto, tem boas coreografias e não gasta seu tempo com dramas desnecessários. Se você busca ação honesta, vale o play.


Seberg

 

Cara, se você curte cinema que mistura política, drama psicológico e uma pitada de história real, precisa colocar Seberg (ou Seberg: Contra Todos os Inimigos) na sua lista. Eu assisti recentemente e o filme entrega uma visão bem crua de como o sistema pode moer alguém, sem precisar de grandes explosões ou dramas novelescos.

Aqui está o que você precisa saber sobre essa produção de 2019 que passou meio fora do radar de muita gente.

Do que se trata Seberg e qual o título original?

O filme, cujo título original é simplesmente Seberg, foca em um recorte bem específico da vida da atriz francesa Jean Seberg. Se você não liga o nome à pessoa, ela foi o rosto da Nouvelle Vague, famosa pelo clássico Acossado.

Mas o filme não é sobre glamour. Ele mostra como a atriz se tornou alvo do FBI no final dos anos 60 por causa do seu envolvimento romântico e financeiro com o ativista Hakim Jamal, dos Panteras Negras. O diretor Benedict Andrews escolheu focar menos na biografia "nascimento ao estrelato" e mais no suspense de vigilância.

Elenco de peso e a nota no IMDB

Kristen Stewart carrega o filme nas costas. Eu sei que muita gente ainda tem preconceito por causa de Crepúsculo, mas aqui ela prova que é uma das melhores atrizes da geração dela. Ela consegue passar aquela paranoia de quem sabe que está sendo vigiada, mas não consegue provar.

Além dela, o elenco conta com:

  • Anthony Mackie (o atual Capitão América) como Hakim Jamal.

  • Jack O'Connell como o agente do FBI que começa a questionar a ética da operação.

  • Margaret Qualley e Vince Vaughn.

No IMDB, o filme tem uma nota 5.9. Sendo bem sincero, acho um pouco baixa. O filme merece pelo menos um 7.0 pela ambientação e pela atuação da Stewart, mas o ritmo mais lento e o tom menos emotivo podem ter afastado o público que buscava algo mais "Hollywood raiz".

Trilha sonora e locações: a estética dos anos 60

Um dos pontos altos para mim é a estética. A trilha sonora, composta por Jed Kurzel, é tensa e minimalista, o que ajuda a criar aquele clima de sufocamento. Não espere músicas animadas de época o tempo todo; o som aqui serve para te deixar desconfortável, assim como a protagonista.

As filmagens rolaram principalmente em Los Angeles, o que faz todo o sentido, já que a história se passa no coração da indústria cinematográfica e nos subúrbios onde o FBI montava seus esquemas de escuta. A reconstrução de época é impecável, das roupas aos carros.

Premiações e recepção da crítica

Embora não tenha sido um "papa-Oscar", Seberg teve sua estreia mundial no Festival de Cinema de Veneza em 2019. A performance da Kristen Stewart foi muito elogiada pela crítica especializada, mesmo que o roteiro tenha recebido algumas ressalvas por ser direto demais. É aquele tipo de filme que brilha em festivais pela temática política e social, que continua bem atual.

Algumas curiosidades que você talvez não saiba

Para fechar, separei uns pontos interessantes sobre os bastidores:

  1. Vigilância Real: O programa do FBI mostrado no filme, o COINTELPRO, existiu de verdade e foi responsável por perseguir diversas figuras públicas que apoiavam movimentos de direitos civis.

  2. Preparação: Kristen Stewart estudou obsessivamente os tiques e o jeito de falar de Jean Seberg, inclusive a forma como ela lidava com a imprensa francesa e americana.

  3. O visual: O corte de cabelo curto (pixie cut) que a Stewart usa no filme é uma marca registrada da Seberg real, que virou ícone de estilo na década de 60.

Resumo da ópera: Seberg é um filme sóbrio. Ele não tenta te fazer chorar, ele tenta te deixar indignado com a invasão de privacidade e a destruição de uma carreira por ideologia. Se você gosta de thrillers políticos com uma pegada histórica, vale o play.