A Lenda do Cavaleiro Verde (The Green Knight)

 

Sentei para ver A Lenda do Cavaleiro Verde (The Green Knight) esperando uma aventura de fantasia medieval clássica, daquelas com duelos de espada coreografados e heróis impecáveis. O que encontrei foi algo bem diferente. O filme, lançado oficialmente em 30 de julho de 2021, é uma experiência visual que te exige atenção, mas entrega uma atmosfera que poucos filmes do gênero conseguiram chegar perto nos últimos anos.

Se você gosta do selo A24, já sabe que o diretor David Lowery não ia entregar o óbvio. Ele pegou um poema do século XIV e transformou em uma jornada sobre honra, medo e a inevitabilidade do tempo. Sem pressa, sem excessos, mas com um impacto visual brutal.

O que esperar da trama e da direção de David Lowery

A história gira em torno de Gawain, interpretado por Dev Patel. Ele é sobrinho do Rei Arthur, mas, diferente dos cavaleiros da Távola Redonda, Gawain ainda não tem uma grande história para contar. Ele é um cara comum, meio perdido, que gosta de beber e não parece muito pronto para o peso de uma coroa.

Tudo muda quando um ser bizarro, o Cavaleiro Verde, invade o castelo no Natal e propõe um desafio: qualquer um pode desferir um golpe nele, contanto que, um ano depois, viaje até a Capela Verde para receber o mesmo golpe de volta. Gawain aceita, e o filme acompanha essa viagem de um ano depois. A direção do Lowery foca muito no silêncio e na escala das coisas. Você se sente pequeno assistindo, exatamente como o protagonista se sente diante do destino.

Um elenco de peso e uma trilha sonora hipnotizante

O elenco é um dos pontos altos. O Dev Patel entrega uma vulnerabilidade que faz você torcer por ele, mesmo quando ele toma decisões questionáveis. Além dele, temos Alicia Vikander em um papel duplo bem curioso, Joel Edgerton como um lorde que Gawain encontra no caminho e Sean Harris como o rei.

Mas, para mim, o que realmente amarra o clima é a trilha sonora do Daniel Hart. Não espere aquelas orquestras épicas de O Senhor dos Anéis. É uma música tensa, meio folk, meio mística, que usa coros e instrumentos de corda de um jeito que te deixa desconfortável e fascinado ao mesmo tempo. Ela dita o ritmo da caminhada do Gawain pelas paisagens cinzentas e úmidas.

Onde o filme foi gravado e os prêmios que levou

Se as paisagens parecem reais e táteis, é porque são. O filme foi rodado quase inteiramente na Irlanda, usando locações como o Castelo de Cahir e as montanhas de Wicklow. O clima nublado e a vegetação densa da região casaram perfeitamente com a estética "pé no chão" que o diretor queria.

No circuito de premiações, o filme foi muito bem recebido pela crítica, embora tenha sido ignorado pelo Oscar, o que gerou bastante discussão na época. Ele venceu prêmios importantes de associações de críticos, como o National Board of Review e o Gotham Awards, principalmente nas categorias de Melhor Roteiro e Fotografia. No IMDb, a nota flutua em torno de 6.6, o que mostra como ele divide opiniões: quem espera ação rápida geralmente se decepciona, mas quem busca cinema de arte costuma favoritar.

Curiosidades que você precisa saber antes de dar o play

Para quem gosta de saber os bastidores, separei alguns pontos que tornam a produção ainda mais interessante:

  • Nada de CGI exagerado: A armadura e o visual do Cavaleiro Verde foram feitos quase totalmente com maquiagem protética e efeitos práticos. O ator por trás da "casca" é Ralph Ineson.

  • O peso da coroa: A coroa usada pelo Rei Arthur no filme foi desenhada para parecer pesada e antiga, simbolizando o fardo do poder que Gawain ainda não entende.

  • A raposa: Sim, há uma raposa que acompanha Gawain. Ela foi criada com uma mistura de efeitos práticos e digitais para parecer uma presença mística, não apenas um animal comum.

No fim das contas, A Lenda do Cavaleiro Verde é um filme sobre a jornada interna. Não é sobre quem vence a luta, mas sobre como você encara o seu fim. Se você está procurando algo que fuja do padrão de Hollywood e te faça pensar por alguns dias, vale o tempo investido.


A Família (The Family)

 

Se você gosta de filmes que misturam crime com um humor mais ácido, A Família (2013) é uma daquelas escolhas que não tem erro. Eu assisti recentemente e o que mais me chamou a atenção foi como o diretor Luc Besson conseguiu colocar nomes de peso, como Robert De Niro e Michelle Pfeiffer, em uma situação completamente fora do comum.

Aqui vou contar um pouco sobre o que achei do filme, sem estragar a experiência com spoilers, e trazer os detalhes técnicos que mostram por que ele ainda vale o play.

Por que decidi assistir A Família de 2013?

Eu sempre fui fã de histórias de máfia, mas esse filme foge do clichê de "O Poderoso Chefão". O título original é The Family (ou Malavita, em alguns mercados), e a premissa é direta. Um ex-chefe da máfia entra para o programa de proteção à testemunha e é enviado com a família para a Normandia, na França.

O contraste é o que move a trama. De um lado, temos agentes do FBI tentando manter as aparências. Do outro, uma família que resolve problemas do dia a dia, como um encanamento quebrado ou um vizinho chato, usando os métodos violentos que aprenderam no crime. É um filme que não se leva tão a sério, e isso é ótimo para uma tarde de domingo.

O que você precisa saber sobre a produção e o elenco

A escalação aqui é o ponto forte. Ver o Robert De Niro interpretando o Fred Blake (ou Giovanni Manzoni) é um exercício de metalinguagem, já que ele é o rosto mais conhecido do gênero. Ao lado dele, Michelle Pfeiffer entrega uma esposa que não aceita desaforo, e o veterano Tommy Lee Jones faz o papel do agente do FBI que está sempre a um passo de ter um colapso nervoso.

  • Data de lançamento: 13 de setembro de 2013.

  • Diretor: Luc Besson.

  • Atores principais: Robert De Niro, Michelle Pfeiffer, Tommy Lee Jones, Dianna Agron e John D'Leo.

  • Nota IMDb: 6.3/10.

Sobre premiações, o filme não foi feito para ganhar Oscar, mas sim para divertir. Ele chegou a receber algumas indicações em premiações menores, como o Women Film Critics Circle Awards, destacando o trabalho da Michelle Pfeiffer.

Trilha sonora e as locações na França

Um ponto que me agradou bastante foi a ambientação. O filme foi gravado em locações reais na Normandia, na França, além de algumas cenas em estúdios em Paris e em Nova York. Esse cenário europeu bucólico em choque com a brutalidade dos personagens americanos cria um visual interessante.

A trilha sonora, composta por Evgueni e Sacha Galperine, ajuda a ditar esse ritmo de comédia de erros. Tem de tudo um pouco, desde músicas que remetem ao clima clássico da máfia até faixas mais modernas, como "Clint Eastwood" do Gorillaz, que toca em um momento bem oportuno.

Algumas curiosidades que fazem a diferença

Sempre gosto de saber o que rolou nos bastidores, e A Família tem alguns detalhes curiosos que talvez você não perceba de primeira:

  1. Martin Scorsese na produção: O lendário diretor de "Os Bons Companheiros" foi um dos produtores executivos do filme. Isso explica muito do tom da obra.

  2. O nome do cachorro: O título internacional "Malavita" é, na verdade, o nome do cachorro da família. É também um termo italiano usado para descrever o crime organizado.

  3. Homenagem ao gênero: Existe uma cena específica em que o personagem de De Niro assiste a um filme clássico de máfia. É um momento de pura nostalgia para quem acompanha a carreira dele.

No fim das contas, eu diria que esse filme é sobre o hábito. Mesmo quando você quer mudar de vida, sua natureza acaba aparecendo. É uma história de sobrevivência contada de um jeito leve, direto e com boas doses de ação.