O Homem Invisível (The Invisible Man)

 

Fui assistir ao filme O Homem Invisível (2020) esperando apenas mais um remake de monstro da Universal, mas o que encontrei foi um suspense psicológico que te deixa desconfortável do início ao fim. O diretor Leigh Whannell, que já tinha mostrado serviço em Upgrade, conseguiu atualizar um conceito clássico de forma muito pé no chão.

Neste texto, vou te contar os detalhes técnicos e as curiosidades que fazem desse longa um dos melhores do gênero nos últimos anos, sem entregar nenhuma surpresa da trama.

Ficha técnica e o comando de Leigh Whannell

A primeira coisa que você nota é que o filme não perde tempo com explicações mirabolantes. O título original é The Invisible Man e ele chegou aos cinemas brasileiros em 27 de fevereiro de 2020, curiosamente pouco antes do mundo fechar por causa da pandemia.

O projeto foi encabeçado pela Blumhouse, que tem aquela fórmula de baixo orçamento e alto impacto. O orçamento foi de meros 7 milhões de dólares, mas a entrega visual e de tensão parece de uma superprodução. Leigh Whannell assina o roteiro e a direção, focando muito mais no que a gente não vê do que nos efeitos especiais em si.

Elenco e a trilha sonora que dita o ritmo

Se esse filme funciona, 90% do crédito vai para a Elisabeth Moss. Ela interpreta Cecilia Kass e entrega uma atuação crua. Você sente o cansaço e o medo dela em cada cena. O elenco de apoio também é sólido, com:

  • Aldis Hodge (James Lanier)

  • Storm Reid (Sydney Lanier)

  • Oliver Jackson-Cohen (Adrian Griffin)

Outro ponto que me chamou a atenção foi a trilha sonora de Benjamin Wallfisch. Ele não usa aqueles sustos sonoros baratos (os famosos jump scares). A música é industrial, metálica e parece que está sempre te cercando, o que combina perfeitamente com a paranoia da protagonista.

Locações, notas e o reconhecimento da crítica

Muita gente acha que o filme se passa nos Estados Unidos, mas as locações de filmagem foram quase todas em Sydney, na Austrália. Aquela casa moderna e isolada que aparece no início ajuda muito a criar o clima de "gaiola de ouro" que o roteiro pede.

Quanto à aceitação, os números não mentem:

  • Nota IMDb: 7.1/10 (uma nota bem alta para filmes de terror/suspense).

  • Premiações: O filme levou o prêmio de Melhor Filme de Terror no Saturn Awards e foi indicado a diversas categorias no Critics' Choice e no MTV Movie Awards, principalmente pela atuação da Moss.

Curiosidades que tornam o filme mais inteligente

O que eu achei mais interessante pesquisando sobre a produção foram os detalhes de bastidores. Aqui vão alguns pontos que talvez você não saiba:

  1. O Espaço Vazio: Whannell usa muito o "espaço negativo". A câmera foca em cantos vazios da sala e fica parada por alguns segundos a mais. Isso obriga o espectador a procurar o homem invisível na tela, gerando uma tensão constante.

  2. Sucesso de Bilheteria: O filme arrecadou mais de 140 milhões de dólares. Para um custo de 7 milhões, foi um retorno absurdo.

  3. Conexão com o Dark Universe: Originalmente, o filme seria estrelado por Johnny Depp e faria parte de um universo compartilhado de monstros (estilo Marvel), mas após o fracasso de A Múmia (2017), os planos mudaram e decidiram fazer um filme solo, o que foi a melhor decisão possível.

Se você gosta de um suspense que respeita a inteligência do público e não foca apenas em sangue, esse filme é obrigatório. É um estudo sobre controle e percepção, muito bem executado.


No Ritmo do Coração (CODA)

 

Se você está procurando um filme que entrega uma história sólida sem precisar de grandes efeitos especiais, No Ritmo do Coração (o título original é CODA) é o tipo de obra que você precisa ver. Eu assisti recentemente e, mesmo não sendo o tipo de cara que se derrete com dramas familiares, preciso admitir que a produção é muito bem amarrada. Ele não tenta ser maior do que é, e talvez seja por isso que funcionou tão bem.

Neste texto, vou te contar o que faz desse filme uma experiência interessante, sem entregar nenhuma surpresa da trama, e por que ele acabou levando o prêmio principal do cinema mundial.

A premissa de No Ritmo do Coração

A história gira em torno de Ruby Rossi, interpretada pela Emilia Jones. Ela é a única pessoa que ouve em uma família de surdos. O acrônimo original, CODA, significa Child of Deaf Adults (Filho de Pais Surdos). Na prática, a Ruby é a ponte da família com o resto do mundo, ajudando no negócio de pesca deles em uma cidade litorânea.

O conflito começa quando ela descobre que leva jeito para o canto e quer tentar uma vaga em uma faculdade de música de prestígio. O roteiro foca no peso dessa decisão: seguir o próprio caminho ou continuar sendo o suporte essencial para os pais e o irmão. É um filme sobre escolhas e sobre como a gente se comunica, mesmo quando não usa palavras.

O time por trás das câmeras e o elenco

A direção e o roteiro ficaram nas mãos da Siân Heder. Ela conseguiu adaptar um filme francês chamado A Família Bélier, mas deu uma cara muito mais crua e realista para a versão americana. Um ponto que me chamou a atenção foi a escolha do elenco. Em vez de contratar atores que fingem ser surdos, a produção trouxe atores que realmente fazem parte da comunidade.

Troy Kotsur faz o pai, Marlee Matlin a mãe e Daniel Durant o irmão. A química entre eles é muito natural. A Emilia Jones também mandou bem demais, porque além de cantar, ela teve que aprender a língua de sinais para o papel. Outro destaque é o Eugenio Derbez, que faz o professor de música e traz um equilíbrio bom entre o humor e a disciplina.

Onde o filme foi gravado e a trilha sonora

O cenário é um personagem à parte. O filme foi rodado em Gloucester, Massachusetts, nos Estados Unidos. Você consegue sentir o clima gelado da costa e a rotina pesada dos pescadores locais. Essa ambientação ajuda a tirar o filme daquele lugar comum de "drama de estúdio" e dá uma cara de vida real.

Sobre a trilha sonora, ela é o ponto central. Como a protagonista quer cantar, temos clássicos da gravadora Motown e nomes como Marvin Gaye. Mas o momento que realmente marca é a interpretação de "Both Sides Now", da Joni Mitchell. A música não está lá por acaso, ela serve para mostrar o amadurecimento da personagem.

Sucesso no IMDb, premiações e curiosidades

Se você olha para os números, o filme é um sucesso absoluto de crítica e público. No IMDb, ele sustenta uma nota 8.0, o que é bem alto para o gênero. O lançamento oficial aconteceu em agosto de 2021 pela Apple TV+, logo depois de causar um barulho enorme no Festival de Sundance.

Em termos de prêmios, No Ritmo do Coração fez história no Oscar de 2022. Ele levou as três categorias em que foi indicado:

  • Melhor Filme.

  • Melhor Roteiro Adaptado.

  • Melhor Ator Coadjuvante para Troy Kotsur (ele foi o primeiro ator surdo a ganhar nessa categoria).

Uma curiosidade legal é que a Emilia Jones treinou a língua de sinais por nove meses antes das gravações começarem. Além disso, o filme foi comprado pela Apple por 25 milhões de dólares após a estreia em Sundance, um recorde para o festival na época.

Se você está na dúvida do que assistir no próximo fim de semana, dê uma chance para este filme. É uma produção direta, sem enrolação e que mostra que uma boa história ainda vale mais do que qualquer explosão em CGI.