Pecadores (Sinners)

 

Assisti a Pecadores (Sinners) recentemente e, olha, o clima desse filme é algo que não se vê todo dia. Se você está cansado daquelas fórmulas batidas de Hollywood e quer algo com mais testosterona e mistério, esse aqui merece sua atenção. Vou te contar o que esperar sem estragar a experiência com spoilers.

O que você precisa saber antes de dar o play

O filme, dirigido por Ryan Coogler (o mesmo de Pantera Negra e Creed), marca o reencontro dele com Michael B. Jordan. Os dois têm uma química de trabalho que funciona muito bem. O título original é Sinners, e o longa chegou aos cinemas no primeiro semestre de 2025.

A história se passa nos anos 30, no sul dos Estados Unidos, durante a era da Lei Seca. Acompanhamos dois irmãos gêmeos — ambos interpretados pelo Jordan — que tentam deixar o passado para trás e voltam para sua cidade natal. O problema é que eles encontram um mal ainda maior esperando por eles lá.

Elenco, direção e aquela nota no IMDb

Além do Michael B. Jordan dando um show em dose dupla, o elenco tem nomes pesados como Hailee Steinfeld e Jack O'Connell. A direção do Coogler é precisa: ele não perde tempo com firulas e foca numa narrativa mais seca e direta.

No IMDb, o filme tem se mantido com uma nota sólida em torno de 7.8/10. É uma pontuação respeitável para um filme que mistura suspense histórico com elementos que flertam com o terror. Sobre premiações, como o filme é recente, ele ainda está no radar dos festivais, mas a crítica já aposta alto na fotografia e na atuação principal para a próxima temporada de prêmios.

Bastidores: Trilha sonora e locações

A música é um capítulo à parte. A trilha sonora foi composta por Ludwig Göransson, que já levou Oscar pra casa e sabe exatamente como criar uma tensão que te deixa desconfortável na poltrona. O som é cru, misturando elementos da época com algo mais sombrio.

Sobre o visual, as filmagens rolaram em locações nos arredores de Nova Orleans, Louisiana. Aquele cenário pantanoso, úmido e isolado ajuda muito a passar a sensação de que não existe saída para os personagens. O uso de câmeras IMAX faz com que a escala do filme pareça gigante, mesmo em momentos de silêncio.

Curiosidades que fazem a diferença

Existem alguns detalhes de bastidores que tornam o projeto mais interessante:

  • Segredo absoluto: Durante a produção, o roteiro era guardado a sete chaves. Nem os atores secundários tinham acesso ao texto completo para evitar vazamentos.

  • Dublê de si mesmo: Michael B. Jordan passou por um treinamento intenso para diferenciar o comportamento e o estilo de luta de cada irmão, já que eles têm personalidades bem distintas.

  • Influências: Coogler mencionou em entrevistas que se inspirou em clássicos do terror gótico e em histórias de folclore do sul dos EUA.

Resumo Técnico

CategoriaDetalhes
Título OriginalSinners
DiretorRyan Coogler
ProtagonistaMichael B. Jordan
GêneroSuspense / Thriller
Ano de Lançamento2025

Se você curte um cinema que preza pela atmosfera e não entrega tudo de bandeja, vale o ingresso. É um filme sobre escolhas ruins e consequências piores ainda.


O Escafandro e a Borboleta (Le Scaphandre et le Papillon)

 

Sempre que alguém me pede uma recomendação de filme que foge do óbvio, O Escafandro e a Borboleta é um dos primeiros que me vem à cabeça. Não é o tipo de obra que você assiste apenas para passar o tempo, mas sim para entender um pouco mais sobre a resiliência humana sem aquele sentimentalismo barato que a gente vê por aí.

Vou te contar por que esse filme, dirigido pelo Julian Schnabel em 2007, ainda é uma aula de cinema e por que você deveria dar uma chance a ele.

A história real por trás de Le Scaphandre et le Papillon

O título original já entrega a origem francesa da obra. O filme é baseado na autobiografia de Jean-Dominique Bauby, que era o editor da revista Elle na França. Ele sofreu um AVC devastador que o deixou com a "síndrome do encarceramento". Basicamente, o cara ficou totalmente paralisado, com exceção do olho esquerdo.

O ator Mathieu Amalric faz um trabalho absurdo aqui. Ele consegue transmitir toda a frustração e a adaptação do personagem sem dizer uma única palavra durante boa parte da projeção. O elenco ainda conta com Emmanuelle Seigner e Marie-Josée Croze, que trazem um equilíbrio necessário para a narrativa. É um filme sobre a mente tentando escapar de um corpo que virou uma prisão de metal, o tal escafandro.

Direção de Julian Schnabel e as locações reais

O que mais me impressionou quando vi foi a direção do Julian Schnabel. Ele não é apenas um diretor, é um pintor, e você percebe isso na fotografia do Janusz Kaminski (o mesmo de O Resgate do Soldado Ryan). Eles decidiram filmar do ponto de vista do Bauby. A câmera é o olho dele. Fica embaçada, corta rápido, pisca. É imersivo e, de certa forma, claustrofóbico no início.

As filmagens rolaram em Berck-sur-Mer, na França, exatamente no Hôpital Maritime onde o Bauby ficou internado na vida real. Estar no local autêntico dá um peso diferente para as cenas. Você sente o vento daquela costa francesa e o isolamento do hospital de uma forma bem direta.

Trilha sonora e o reconhecimento internacional

A trilha sonora do Paul Cantelon é bem pontual e não tenta te forçar a sentir nada. Ela acompanha o ritmo dos pensamentos do protagonista. Além disso, o filme usa músicas de artistas como Lou Reed e Tom Waits, o que dá uma camada mais madura e menos melancólica para a experiência.

No circuito de premiações, o filme não passou batido:

  • IMDb: Atualmente mantém uma nota sólida de 8.0.

  • Cannes: Schnabel levou o prêmio de Melhor Diretor.

  • Globo de Ouro: Venceu como Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Diretor.

  • Oscar: Recebeu quatro indicações, incluindo Direção e Roteiro Adaptado.

Curiosidades que você provavelmente não sabia

O processo de criação desse filme e do livro em que ele se baseia é de cair o queixo. Aqui estão alguns pontos que fazem a gente respeitar ainda mais a obra:

  1. O livro foi ditado com um olho: Bauby escreveu o livro inteiro piscando para uma assistente que recitava o alfabeto. Foram cerca de 200 mil piscadas.

  2. Morte prematura: Infelizmente, Bauby morreu apenas dois dias após a publicação do livro na França.

  3. Escolha do diretor: Schnabel aceitou o projeto porque o roteiro o ajudou a processar a morte do próprio pai, mas ele tratou tudo com uma objetividade muito interessante.

  4. Língua original: Inicialmente, queriam produzir o filme em inglês para o mercado americano, mas Schnabel insistiu em manter o francês pela autenticidade.

No fim das contas, O Escafandro e a Borboleta é um filme sobre a imaginação. É sobre como um cara que não consegue mover um dedo ainda consegue viajar pelo mundo e pelas memórias através do pensamento. Se você gosta de cinema técnico, bem atuado e com uma história que te deixa pensando por dias sem ser apelativa, esse é o filme.