A Pele Que Habito (La Piel que Habito)

 

Sempre que alguém me pede uma recomendação de suspense que foge do óbvio, o primeiro nome que me vem à cabeça é A Pele Que Habito. Não é um filme para qualquer um, mas se você gosta de uma trama bem amarrada e um visual impecável, esse aqui é obrigatório.

Vou direto ao ponto: o filme é uma mistura de ficção científica, drama e um toque de terror psicológico que só o cinema espanhol consegue entregar com tanta frieza. Abaixo, organizei o que você precisa saber sobre essa obra antes de dar o play.

O que esperar de A Pele Que Habito

O título original é La piel que habito, e ele chegou aos cinemas em 2011. Diferente de outros trabalhos mais "coloridos" do diretor Pedro Almodóvar, aqui o clima é mais contido, quase cirúrgico. A história gira em torno de um cirurgião plástico brilhante, mas claramente perturbado, que está obcecado em criar uma pele sintética resistente a qualquer dano.

O que me prendeu nesse filme não foi só o mistério, mas a forma como a narrativa é construída. Almodóvar não tem pressa. Ele te entrega as peças do quebra-cabeça aos poucos, e quando você acha que entendeu a motivação dos personagens, o roteiro dá uma guinada que te deixa pensando por dias. É um cinema de precisão, onde cada detalhe no cenário conta uma parte da história.

O time por trás das câmeras e o elenco de peso

Não dá para falar desse filme sem citar a parceria entre Almodóvar e Antonio Banderas. Eles ficaram anos sem trabalhar juntos, e o retorno não poderia ter sido melhor. Banderas entrega uma atuação minimalista; ele não precisa gritar para mostrar que seu personagem é perigoso.

Ao lado dele, temos Elena Anaya, que faz um trabalho físico impressionante. O elenco ainda conta com nomes como Jan Cornet e Marisa Paredes. Para quem gosta de validar a qualidade antes de assistir, a nota no IMDb costuma girar em torno de 7.6, o que é um índice bem alto para um filme de gênero tão específico.

Trilha sonora e os cenários da trama

Um ponto que sempre me chama a atenção é a estética. O filme foi rodado em locações belíssimas na Espanha, incluindo Santiago de Compostela, Madri e Toledo. A mansão onde a maior parte da trama se passa é quase um personagem à parte: isolada, luxuosa e claustrofóbica ao mesmo tempo.

A trilha sonora é assinada por Alberto Iglesias, parceiro de longa data do diretor. A música é tensa, elegante e ajuda a ditar o ritmo desse suspense. É o tipo de trilha que você percebe que está ali para te deixar desconfortável, mas sem ser invasiva.

Curiosidades e o peso do filme no cinema

Se você gosta de saber os bastidores, aqui vão alguns pontos interessantes que pesquisei sobre a obra:

  • Premiações: O filme não passou batido pela crítica. Levou o BAFTA de Melhor Filme Estrangeiro e faturou vários prêmios Goya (o Oscar espanhol), incluindo Melhor Atriz para Elena Anaya.

  • Inspiração: A trama é baseada no livro Tarantula, de Thierry Jonquet, mas Almodóvar adaptou a história para o seu próprio estilo visual.

  • Reencontro: Como mencionei, foi o primeiro filme de Banderas com Almodóvar em 21 anos. A última colaboração deles tinha sido em Ata-me! (1990).

  • Pele de verdade: A busca pela "pele perfeita" no filme levanta questões éticas sobre biotecnologia que, em 2011, pareciam futuristas, mas que hoje são discussões bem reais.

No fim das contas, A Pele Que Habito é um exercício de estilo. É um filme sobre obsessão, identidade e até onde um homem pode ir para controlar a natureza. Se você quer sair do circuito de blockbusters americanos e ver algo com mais substância e uma direção de arte impecável, pode ir sem medo.


Sin City: A Dama Fatal (A Dame to Kill For)

 

Voltar para Basin City é como reencontrar uma ex-namorada perigosa: você sabe que vai dar problema, mas não consegue evitar o convite. Sin City: A Dama Fatal (título original: Sin City: A Dame to Kill For) chegou aos cinemas em 2014, quase uma década depois do primeiro filme, e mantém aquele visual de HQ que parece que saiu direto da cabeça do Frank Miller.

Se você curte o estilo neo-noir — aquela coisa meio sombria, em preto e branco com toques de cor estratégicos — esse filme é um prato cheio. Vou te contar o que rola por trás dessa produção sem estragar a sua experiência com spoilers.

O time por trás do caos em Basin City

O comando continua nas mãos da dupla Robert Rodriguez e Frank Miller. O Rodriguez é aquele cara que faz de tudo um pouco: dirige, edita e ainda mexe na trilha sonora. Já o Miller garante que a essência dos quadrinhos não se perca no caminho.

O elenco é pesado. Tem o retorno do Mickey Rourke como Marv (o cara é uma rocha), a Jessica Alba voltando como Nancy e o Bruce Willis dando as caras como o fantasma de Hartigan. Mas as grandes novidades ficam por conta do Josh Brolin, que assumiu o papel de Dwight (substituindo o Clive Owen), e do Joseph Gordon-Levitt, que faz um jogador de cartas abusado. E, claro, tem a Eva Green. Ela interpreta a tal "Dama Fatal" e, honestamente, rouba todas as cenas em que aparece.

Por dentro da produção e da trilha sonora

O filme não foi gravado em becos escuros de verdade. Quase tudo foi feito nos Troublemaker Studios, que ficam em Austin, no Texas. Eles usaram a técnica de "tela verde" o tempo todo, o que dá aquele aspecto único de que os personagens estão inseridos dentro de uma ilustração.

A trilha sonora segue a pegada do primeiro, com aquele som que mistura jazz com batidas mais pesadas e modernas. O próprio Robert Rodriguez compôs boa parte das músicas junto com o Carl Thiel. É o tipo de som que você coloca pra dirigir à noite em uma estrada vazia, sabe? Dá o tom exato de urgência e perigo que o filme pede.

Curiosidades que você talvez não saiba

Todo filme desse tamanho tem seus bastidores interessantes. Separei alguns pontos que valem o registro:

  • Mudança de rostos: O Josh Brolin interpreta o mesmo Dwight do primeiro filme, mas a mudança de ator faz sentido dentro da trama (quem conhece a HQ entende o porquê).

  • Lady Gaga: Pois é, a cantora faz uma participação rápida como uma garçonete chamada Bertha. Ela é bem amiga do Rodriguez.

  • Cronologia: O filme funciona como uma mistura de história que acontece antes e depois do primeiro longa de 2005. É um quebra-cabeça temporal.

  • Tecnologia 3D: Diferente do primeiro, esse aqui foi pensado para o 3D, o que destaca ainda mais as camadas de sombras e luzes das ilustrações do Miller.

Notas, prêmios e onde o filme se posiciona

Se a gente for olhar pro IMDb, a nota gira em torno de 6.5. É um pouco mais baixa que a do primeiro filme, mas ainda é uma média respeitável para o gênero. Em termos de premiações, ele não levou nenhum Oscar, mas foi indicado a prêmios técnicos de efeitos visuais e fotografia, como o California on Location Awards.

A real é que o público se dividiu um pouco na época. Alguns acharam que a demora para lançar a sequência esfriou o clima, enquanto outros (como eu) acham que a estética visual ainda é imbatível. Não é um filme sobre lições de moral; é sobre vingança, noites mal dormidas e decisões erradas.

Se você está procurando um filme com visual impecável e uma narrativa bruta, Sin City: A Dama Fatal merece o seu tempo. É cinema de estilo puro, sem firulas.