Pronto Pra Recomeçar (Everything Must Go)

 

Puxa uma cadeira e pega um café. Vou te falar de um filme que, se você ainda não viu, deveria. Sabe aquele tipo de história que não tenta te ganhar com explosões ou dramas forçados, mas com uma honestidade que a gente raramente vê por aí? Estou falando de Pronto Pra Recomeçar (Everything Must Go).

Assisti ao filme esses dias e a pegada dele é bem direta: um cara que perde o emprego e a esposa no mesmo dia e acaba morando no jardim da própria casa, vendendo tudo o que tem. É um filme sobre o "fundo do poço", mas sem aquela choradeira de Hollywood.

O básico sobre Pronto Pra Recomeçar

O filme saiu em 2011 e é dirigido por Dan Rush. No papel principal, temos o Will Ferrell, que aqui entrega uma das melhores atuações da carreira dele. Esqueça o Will Ferrell de Anchorman ou das comédias pastelão; aqui ele está contido, sério e muito real.

O elenco ainda conta com nomes de peso como Rebecca HallMichael Peña e o jovem Christopher Jordan Wallace (sim, o filho do Notorious B.I.G.), que faz uma dinâmica excelente com o Will no jardim.

No IMDb, a nota gira na casa dos 6.2/10. Eu, honestamente, acho que merece um pouco mais, mas entendo que ele não é um filme "fácil" para quem espera uma comédia rasgada.

Por que a trilha sonora e o clima do filme funcionam?

Uma das coisas que mais me prendeu foi a trilha sonora. Ela é discreta, assinada por David Kitay, e ajuda a ditar esse ritmo de "vida real". Não tem música épica para momentos tristes; o som é cru, meio melancólico, exatamente como a situação do protagonista, Nick Halsey.

As filmagens rolaram basicamente em Scottsdale e Phoenix, no Arizona. Aquele cenário suburbano, com o sol batendo forte no asfalto e nas tralhas espalhadas pelo gramado, cria um isolamento visual muito forte. Você sente o calor e o desconforto de estar ali, exposto para todos os vizinhos verem sua vida desmoronar.

Premiações e Reconhecimento

O filme não foi um "papa-oscar", mas circulou bem em festivais importantes, como o Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF). O grande mérito aqui foi mostrar que o Will Ferrell tinha profundidade para carregar um drama indie nas costas.

Algumas curiosidades que você talvez não saiba

Se você curte os detalhes dos bastidores, se liga nesses pontos:

  • Baseado em fatos (quase): O roteiro é baseado em um conto do mestre do realismo sujo, Raymond Carver, chamado Why Don't You Dance?. Isso explica muito o tom seco da narrativa.

  • O "Pequeno" Notorious: Como mencionei, o garoto que ajuda o Nick no jardim é filho do lendário rapper Notorious B.I.G. A química entre os dois é o coração do filme.

  • Baixo orçamento: É um filme pequeno, feito com cerca de 5 milhões de dólares, o que prova que uma boa ideia e um bom ator valem mais que efeitos especiais.

Vale a pena assistir?

Se você está procurando um filme para refletir sobre desapego e como a gente lida com as perdas sem precisar de um manual de autoajuda, a resposta é sim. O fim não é aquele "felizes para sempre" clássico, mas é honesto. Ele te deixa com a sensação de que, às vezes, você precisa perder tudo para conseguir começar do zero.

É um filme sobre dignidade, ou o que sobra dela quando o mundo te dá as costas. Curto, direto e sem frescura.


Mãe! (Mother!)

 

Cara, se você gosta de cinema que te deixa desconfortável e com a cabeça fritando, precisa falar de Mãe! (ou mother!, no original). Assisti a esse filme sem saber muito o que esperar e, vou te falar, é uma experiência intensa. Não é um filme para ver comendo pipoca relaxado; é uma obra que exige atenção e estômago.

Vou te contar um pouco sobre o que faz esse filme ser tão comentado até hoje, sem entregar o ouro e estragar as surpresas.

O que você precisa saber sobre a produção

Lançado em 2017, o filme leva a assinatura do Darren Aronofsky. Se você conhece o trabalho dele em Réquiem para um Sonho ou Cisne Negro, já sabe que o cara não brinca em serviço quando o assunto é pressão psicológica.

O elenco é de peso. No centro de tudo temos a Jennifer Lawrence e o Javier Bardem. A dinâmica entre os dois é o que carrega o filme nas costas. Ele interpreta um poeta em crise criativa e ela é a esposa dedicada que está reformando a casa isolada onde moram. Além deles, aparecem nomes como Ed Harris e Michelle Pfeiffer, que chegam para bagunçar completamente o coreto.

No IMDb, o filme ostenta uma nota 6.6. É aquela típica nota de filme que divide opiniões: ou você ama a genialidade por trás da metáfora, ou odeia a agonia que ele causa.

O clima tenso e as escolhas técnicas

Uma coisa que me chamou a atenção foi a ambientação. O filme foi rodado em Montreal, no Canadá, e quase toda a ação acontece dentro de uma mansão vitoriana. Essa escolha dá uma sensação de claustrofobia absurda. Você se sente preso junto com a personagem da Lawrence.

A trilha sonora (ou a falta dela)

Aqui está uma curiosidade técnica: o filme quase não tem trilha sonora convencional. O compositor Jóhann Jóhannsson chegou a escrever uma trilha, mas junto com o Aronofsky, percebeu que o silêncio e os sons ambientes da casa (os estalos da madeira, o vento, os passos) criavam um clima muito mais perturbador. O design de som é, na prática, a música do filme.

Premiações e recepção

Mãe! não foi um queridinho unânime das premiações. Ele foi indicado ao Leão de Ouro em Veneza, o que mostra seu valor artístico, mas curiosamente também recebeu indicações ao Framboesa de Ouro. Isso só prova o quanto ele é polarizador. Muita gente na época não entendeu a proposta de cara.

Do que o filme realmente trata?

Sem dar spoilers, a trama começa simples: um casal vive isolado em uma casa de campo. De repente, estranhos começam a bater à porta e o marido, para desespero da esposa, convida todo mundo para entrar. O que começa como um incômodo social escala para um caos absoluto e surreal.

O filme é uma grande alegoria. Muita gente interpreta como uma metáfora bíblica, outros como uma crítica ambiental sobre como tratamos o planeta. O legal é que o Aronofsky deixa pistas, mas permite que você tire suas próprias conclusões no final.

Algumas curiosidades de bastidores

Para quem curte os detalhes por trás das câmeras, separei alguns pontos interessantes:

  • A casa foi construída do zero: A equipe não achou uma casa que servisse, então construíram a mansão inteira só para o filme.

  • Lesão real: A Jennifer Lawrence se entregou tanto ao papel que chegou a hiperventilar e deslocar uma costela durante as filmagens de uma das cenas mais intensas.

  • Roteiro relâmpago: O diretor escreveu o rascunho inicial do roteiro em apenas cinco dias. Parece que a ideia simplesmente jorrou da cabeça dele.

Vale a pena assistir?

Se você curte thrillers psicológicos que fogem do óbvio e te fazem pensar por dias, a resposta é sim. É um filme cru, direto e visualmente impactante. Só esteja preparado: o ritmo acelera de um jeito que pode te deixar sem fôlego.