Pega
seu café e acomode-se porque hoje eu quero conversar com você sobre um dos
filmes mais loucos e criativos que eu assisti nos últimos tempos. Sabe aquela
obra que foge completamente de tudo o que a gente está acostumado a ver no
circuito tradicional? Pois é. Estou falando de Pobres Criaturas, que foi
lançado no finalzinho de 2023. O título original lá fora é Poor Things e o
filme chegou aos cinemas explodindo a cabeça de muita gente.
A premissa de cara lembra muito um conto clássico de
Frankenstein. No entanto, logo nos primeiros minutos, você percebe que a parada
é bem mais profunda, engraçada e ácida. Eu confesso que fui assistir sem saber
exatamente o que esperar e acabei completamente fisgado pela jornada bizarra da
protagonista e pela estética irada da produção.
Quem dirigiu e quem está no elenco de Pobres Criaturas?
O cara no comando dessa loucura toda é o diretor grego
Yorgos Lanthimos. Ele já tem uma fama merecida por fazer filmes fora da caixa e
aqui ele pisou fundo no acelerador. Para dar vida a essa história de forma tão
impactante, ele reuniu um elenco que entrega uma verdadeira aula de atuação.
A Emma Stone faz a Bella Baxter, uma mulher que foi
trazida de volta à vida de uma forma grotesca, ganhando o cérebro da própria
filha que ela esperava. É um papel bizarramente complexo e ela destrói na
performance. Do lado dela, nós temos o Willem Dafoe interpretando o genial e
perturbado cientista Godwin Baxter. O rosto dele está totalmente deformado pela
maquiagem, mas o ator constrói um lado paternal que prende a sua atenção na
hora.
E então entra o Mark Ruffalo no papel do advogado Duncan
Wedderburn. O Duncan é aquele típico malandro sedutor que jura que tem o
controle de tudo ao seu redor. Ver a pose de machão dele desmoronar aos poucos
até ele virar um cara totalmente frágil e patético é uma das coisas mais
hilárias do filme. O ator Ramy Youssef também marca presença como o assistente
metódico do cientista. Ver essa galera contracenando é diversão garantida.
Onde o filme foi gravado e como é o visual da obra?
Se você esbarrou em algum trailer por aí, já notou que o
visual de Pobres Criaturas não tenta ser realista em momento nenhum. O filme se
passa em uma versão surreal e muito colorida da Era Vitoriana. Durante a viagem
de descobrimento da Bella, nós passamos por cidades como Londres, Lisboa,
Alexandria e Paris. A grande sacada aqui é que as filmagens aconteceram quase
inteiramente em gigantescos estúdios fechados na cidade de Budapeste, na
Hungria.
A equipe de produção não queria gravar em ruas reais
porque o objetivo era criar um mundo que parecesse ter saído da mente de alguém
que está descobrindo tudo pela primeira vez, exatamente como funciona a cabeça
da protagonista. Eles construíram cenários colossais, usando céus pintados à
mão, barcos cenográficos e prédios de proporções exageradas. Em vários momentos
o visual parece um sonho lúcido, e em outros um pesadelo esquisito. Toda essa
direção de arte te puxa direto para dentro da atmosfera da história.
Quais são as curiosidades mais insanas sobre a produção?
Filmes com essa escala sempre guardam ótimas histórias de
bastidores. Uma curiosidade muito bacana é que a Emma Stone não foi apenas a
estrela na frente das câmeras, ela também atuou como produtora de Pobres
Criaturas. Ela acreditou tanto na visão do projeto que se envolveu anos antes
de as filmagens sequer começarem.
Outro momento cômico das gravações tem a ver com a
passagem da história por Lisboa. Em uma cena icônica, a Bella descobre os
famosos pastéis de nata e resolve comer vários de uma tacada só. Acontece que a
atriz precisou repetir esse take dezenas de vezes e acabou passando muito mal
de tanto comer doce no set.
Além disso, o diretor usou lentes de câmera muito raras e
antigas para gravar grande parte das cenas. Isso cria aquele efeito arredondado
e distorcido nas bordas da tela, como se fosse um olho de peixe. Essa técnica
dá a sensação exata de que nós estamos bisbilhotando a vida íntima dos
personagens por um buraco de fechadura.
Qual é a minha crítica e a nota do IMDb para Pobres
Criaturas?
Indo direto aos números, o filme ostenta uma nota
excelente no IMDb, girando em torno de 8.3 de 10. Isso prova que a obra não
agradou apenas a crítica especializada nos festivais, mas também conquistou em
cheio o público que comprou a ideia e mergulhou na história.
Na minha visão, Pobres Criaturas é um filmaço denso e
muito inteligente. O roteiro tem um humor negro afiadíssimo. Eu ri alto em
diversas cenas, especialmente acompanhando a perda de controle do personagem do
Mark Ruffalo. É genial ver como o ego masculino dele é destroçado conforme a
Bella vai ganhando independência intelectual e sexual. A evolução dela é o
grande motor do filme, começando como uma pessoa totalmente sem filtro até
virar uma mulher implacável, que não engole as regras e a hipocrisia da
sociedade.
Vale o aviso de que a obra tem cenas bem gráficas. O
filme não tem nenhum pudor ao explorar temas viscerais e a sexualidade humana
de forma bem explícita, então definitivamente não é o tipo de entretenimento
para qualquer estômago. Mas se você curte cinema de verdade e gosta de sair da
sessão com a cabeça fritando sobre liberdade, controle e a condição humana,
essa é uma escolha certeira. É uma experiência absurda que vai render um ótimo
assunto e boas risadas na próxima mesa de bar.
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