Se
você curte cinema de ficção científica, com certeza já topou com a clássica
história do astronauta que cai em um mundo dominado por símios. Mas hoje, a
nossa conversa de bar é sobre uma versão bem específica dessa saga. Vamos falar
de Planeta dos Macacos
(2001), aquela reimaginação que dividiu opiniões, explodiu cabeças com o visual
e deixou muita gente coçando a cabeça com o final.
Lembro perfeitamente de quando esse filme saiu. Havia uma
expectativa gigantesca no ar, afinal, mexer com um clássico dos anos 60 é
sempre um terreno perigoso. Pega uma xícara de café e vem comigo analisar se
esse projeto realmente se sustenta ou se foi apenas um delírio visual do início
dos anos 2000.
Como surgiu o Planeta dos Macacos de 2001?
Para entender esse filme, a gente precisa voltar para o
final dos anos 90. A 20th Century Fox estava louca para reviver a franquia que
tinha sido um fenômeno décadas atrás. Depois de passar pela mão de vários
diretores e roteiristas (incluindo até James Cameron em algum momento), o
projeto caiu no colo de ninguém menos que Tim Burton.
Lançado oficialmente no ano de
2001, o longa trouxe o título original Planet of the Apes.
A premissa básica você já conhece: o astronauta Leo Davidson tenta salvar um
chimpanzé em uma tempestade eletromagnética no espaço, entra em uma fenda
temporal e cai em um planeta desconhecido no ano de 5021. Lá, os humanos são
escravos e os macacos são a espécie dominante, com cultura, exército e uma
sociedade moldada na força. O grande trunfo aqui era ver como a mente gótica e
peculiar de Burton entregaria esse universo.
Quem está por trás e na frente das câmeras?
O diretor Tim Burton trouxe toda a sua
assinatura visual para o projeto, mas o bicho pegou mesmo foi na escalação do elenco. No papel
principal, temos Mark Wahlberg como o determinado capitão Leo Davidson. Ao lado
dele, a sempre talentosa Helena Bonham Carter dá vida à chimpanzé ativista Ari,
enquanto Estella Warren interpreta Daena, a principal aliada humana de Leo.
Mas o verdadeiro monstro desse filme — e que rouba
absolutamente todas as cenas — é Tim Roth como o cruel General Thade. O cara
entregou uma atuação física impressionante. Completando o time de peso, temos
Michael Clarke Duncan como o imponente gorila Attar e o lendário Charlton
Heston (o protagonista do filme original de 1968) fazendo uma ponta histórica e
irreconhecível sob uma maquiagem pesada de macaco.
Onde o filme foi gravado e quais são os segredos dos
bastidores?
Uma das coisas que mais me impressiona nessa produção é a
escala dos cenários. A principal locação das filmagens incluiu as
paisagens desérticas e lunares de Trona Pinnacles e do Vale da Morte, na
Califórnia, o que deu ao longa aquela textura de terreno hostil e isolado.
Mergulhando nas curiosidades, o
verdadeiro herói dessa produção não aparece na tela: Rick Baker, o mago dos
efeitos de maquiagem. Ele levou o Oscar de Melhor Maquiagem várias vezes na
carreira e, neste filme, recusou o uso de computação gráfica para os rostos dos
símios. Tudo o que você vê são próteses reais e maquiagem aplicada diariamente
por horas. Os atores precisavam passar por uma "escola de macacos"
para aprender a se movimentar e gritar como os animais de verdade. Além disso,
reza a lenda que Mark Wahlberg aceitou o papel em apenas cinco minutos de
conversa com Burton, abandonando a chance de filmar Ocean's Eleven só
para trabalhar com o diretor.
Vale a pena assistir a essa versão de Tim Burton?
Olhando para trás, a nota imdb atual do
filme reflete bem o sentimento geral do público: um modesto 5.7/10. Minha crítica da obra é
que o filme é um espetáculo visual impecável, mas peca severamente no roteiro e
no desenvolvimento dos personagens humanos.
O trabalho de Rick Baker nas maquiagens envelheceu como
vinho; os macacos têm expressões reais, ameaçadoras e cheias de vida, muito
superiores a vários efeitos digitais que vemos hoje em dia. A trilha sonora de
Danny Elfman também dita um ritmo militar e tenso que funciona muito bem. O
problema principal é que o carisma de Mark Wahlberg parece meio travado aqui, e
a trama corre para chegar a um dos finais mais controversos e debatidos da
história da ficção científica — que tenta dar um nó na sua cabeça, mas acaba
soando confuso para quem esperava a genialidade poética do encerramento de
1968.
No fim das contas, Planeta dos Macacos (2001)
não é o desastre que muitos pintam, mas também não alcança o topo do gênero. É
um filme de ação e ficção robusto, com design de produção espetacular,
excelente para um fim de semana em que você quer apenas desligar o cérebro e
ver grandes atores fantasiados descendo a lenha em um cenário apocalíptico. Se
você nunca viu ou faz anos que assistiu, vale a pena revisitar nem que seja
para admirar a arte prática de Hollywood antes da era do fundo verde absoluto.
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