Phoenix: A Última Cartada (Phoenix)

 

Sabe quando você está navegando pelos streamings ou vasculhando canais de madrugada e esbarra em um filme que parece ter sido engolido pelo tempo, mas que te prende logo nos primeiros minutos? Foi exatamente assim que redescobri uma joia oculta do final dos anos 90. Se você curte aquela atmosfera urbana pesada, onde os personagens andam na corda bamba entre a lei e a malandragem, precisa conhecer essa obra.

Estou falando de um thriller policial que carrega toda aquela essência de "cinema de macho" das antigas, com homens lidando com as consequências de suas escolhas erradas, sem firulas.

Qual é o contexto e o enredo de Phoenix: A Última Cartada?

No filme, acompanhamos a história de Harry Collins, um policial de respeito, mas que carrega um calcanhar de Aquiles gigantesco: o vício incontrolável em apostas. O cara é tão supersticioso e compulsivo que aposta em absolutamente tudo, até em corrida de baratas se bobear. Obviamente, isso cobra um preço. Quando ele se afunda em uma dívida violenta com o principal gângster e agiota da cidade, o relógio começa a correr contra ele.

Para tentar limpar sua barra e mudar de vida ao lado de Leila, uma sedutora dona de bar por quem ele está caído, Harry toma uma decisão extrema. Ele convence três parceiros da própria polícia a executarem um plano arriscado: assaltar o caixa do próprio agiota que o está ameaçando. É aquele clássico cenário onde o crime parece a única saída, mas onde a lealdade entre os envolvidos é colocada à prova e você percebe que ninguém ali é flor que se cheire.

Quem está por trás e na frente das câmeras neste clássico de 1998?

Lançado originalmente no ano de 1998, o longa metragem traz o título original de Phoenix. A direção ficou por conta de Danny Cannon, um cara que sabe muito bem como filmar o submundo e a tensão das ruas.

O que realmente eleva o nível da produção é o elenco de peso. O protagonista Harry é interpretado pelo mestre Ray Liotta, que entrega aquela atuação intensa e elétrica que era a marca registrada dele. Dividindo a tela com ele, temos nomes cascudos do cinema como Anthony LaPaglia, Daniel Baldwin, Giancarlo Esposito (muito antes de virar o icônico Gus Fring de Breaking Bad), Jeremy Piven e a incrível Anjelica Huston. É um time de respeito que sabe como segurar um diálogo tenso.

Onde o filme foi gravado e qual é a sua nota no IMDb?

Como o próprio nome sugere, as locações se concentram na cidade de Phoenix, no Arizona (EUA). O cenário desértico misturado com a estética urbana da cidade ajuda a criar um clima abafado, quase sufocante, que combina perfeitamente com o desespero do protagonista. É o ambiente perfeito para um neo-noir de respeito.

Se formos olhar a recepção do público no IMDb, o filme sustenta uma nota 6,3/10. Para os padrões da plataforma, é uma avaliação justa para um filme B policial que acabou virando cult com o passar dos anos. Não é uma obra de arte que mudou a história do cinema, mas cumpre muito bem o papel de prender sua atenção do início ao fim.

Quais são as principais curiosidades dos bastidores da produção?

Uma das coisas mais legais de rever esse filme hoje é notar os paralelos na carreira dos atores. Ray Liotta, que ficou eternizado por papéis de gangster em clássicos como Os Bons Companheiros, aqui atua do outro lado da linha (embora bem borrada), como o policial corruptível.

Outro detalhe bacana é ver Giancarlo Esposito em um papel menor no submundo, entregando os primeiros vislumbres do tipo de atuação fria e calculista que o tornaria mundialmente famoso anos mais tarde na TV. Além disso, a fita bebe muito da fonte do cinema noir clássico dos anos 40 e 50, atualizado com a violência crua e estilizada que ditou o ritmo do final da década de 1990 após o estouro de Quentin Tarantino em Hollywood.

Vale a pena assistir? Confira a crítica do filme

Se você está procurando um filme com heróis perfeitos e finais felizes embalados para presente, passe longe. Phoenix: A Última Cartada é um filme sobre escolhas ruins e desespero masculino. A direção de Danny Cannon é enxuta, focando no desgaste psicológico dos personagens enquanto o assalto se aproxima.

Ray Liotta entrega uma performance excelente; você consegue sentir o suor frio e a ansiedade do vício nas expressões dele. O roteiro não reinventa a roda, mas constrói uma tensão que funciona. O grande mérito da obra é não tentar romantizar a vida desses policiais. Eles erram, são gananciosos e pagam o preço por isso. É um ótimo suspense policial urbano, daqueles que não se fazem mais hoje em dia e que merece muito ser descoberto por quem curte uma narrativa direta e honesta.

 

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