Ventos da Liberdade (The Wind That Shakes the Barley)

 

Assisti recentemente ao filme Ventos da Liberdade (2018) e a primeira coisa que me veio à cabeça foi como a realidade consegue ser mais absurda que a ficção. O longa, cujo título original é Ballon, reconta um dos episódios mais tensos da Guerra Fria de um jeito direto, sem aquela enrolação melodramática que a gente costuma ver em Hollywood. É um filme alemão que sabe construir o suspense usando o básico: o medo de ser pego e a vontade de ser livre.

O que você precisa saber sobre a trama e a direção

A história se passa em 1979 e foca em duas famílias que decidem cruzar a fronteira da Alemanha Oriental para a Ocidental de um jeito nada convencional: em um balão de ar quente fabricado por eles mesmos. O diretor Michael Herbig, que antes era mais conhecido por comédias, surpreendeu muita gente aqui. Ele entrega um thriller técnico, seco e muito bem amarrado.

No elenco, temos nomes como Friedrich MückeKaroline SchuchDavid Kross e Alicia von Rittberg. A atuação é contida, o que combina com o clima de vigilância constante da época. O antagonista, interpretado por Thomas Kretschmann, faz o papel de um oficial da Stasi que não precisa de muito esforço para ser ameaçador. O filme foi lançado oficialmente em 27 de setembro de 2018 e, desde então, virou uma referência para quem gosta de dramas históricos baseados em fatos reais.

Trilha sonora e o visual da Alemanha dividida

A ambientação é um ponto forte. As locações de filmagem passaram pela Baviera e pela Turíngia, na Alemanha, conseguindo replicar aquele cinza industrial e a atmosfera pesada das cidades do lado oriental. Você sente o frio e o isolamento através da tela.

Outro detalhe que ajuda a manter a pulsação alta é a trilha sonora, composta por Marvin Miller e Ralf Wengenmayr. Ela não tenta ditar o que você deve sentir com violinos exagerados, ela apenas marca o ritmo da urgência. É o tipo de som que você quase não percebe de tão bem integrado que está ao barulho do vento e das máquinas de costura tentando montar o balão a tempo.

Recepção, notas e premiações

Se você costuma olhar os números antes de dar o play, o filme tem uma recepção bem sólida. No IMDb, a nota gira em torno de 7.5, o que é um índice respeitável para um thriller europeu. O público costuma elogiar justamente a falta de "firula" e o foco na sobrevivência técnica das famílias.

Em termos de premiações, o filme não passou batido. Ele levou o Prêmio do Público no Festival de Cinema de Miami e teve destaque no Bayerischer Filmpreis (Prêmio do Cinema da Baviera), principalmente pelo design de produção e pela capacidade de entreter sem perder o rigor histórico. Não é um filme de "arte" difícil de assistir, é cinema de entretenimento feito com inteligência.

Curiosidades que tornam a história ainda melhor

O que mais me chamou a atenção foram os bastidores dessa história. Aqui vão alguns pontos que valem o registro:

  • Fidelidade: Os balões usados no filme foram reconstruídos com base nos protótipos reais usados pelas famílias Strelzyk e Wetzel em 1979.

  • Segunda versão: Essa história já tinha sido contada pela Disney nos anos 80, no filme Night Crossing, mas a versão alemã de 2018 é muito mais fiel aos detalhes técnicos e ao clima político da época.

  • O diretor: Michael Herbig levou anos para conseguir os direitos e a confiança das famílias envolvidas para contar a história do jeito que ele queria.

No fim das contas, Ventos da Liberdade é um filme sobre logística e nervos de aço. É sobre como pessoas comuns se tornam engenheiras por necessidade. Se você gosta de uma narrativa que respeita sua inteligência e mantém o pé no chão, vale muito a pena conferir.


Redenção (Machine Gun Preacher)

 

Sabe aquele tipo de filme que te deixa pensando por uns bons minutos depois que os créditos sobem? Pois é. Recentemente, parei para rever Redenção, de 2011, cujo título original é Machine Gun Preacher. Se você gosta de histórias de transformação pesadas e sem filtro, esse aqui é um prato cheio.

Vou te contar o que faz esse longa ser interessante, sem entregar o ouro ou estragar as surpresas da trama.

O que você precisa saber sobre Machine Gun Preacher

A primeira coisa que chama a atenção é que o filme é baseado em fatos. A trama acompanha a vida de Sam Childers, interpretado pelo Gerard Butler. O cara era um criminoso, envolvido com drogas e gangues de motoqueiros, que acaba encontrando um caminho na fé. Mas não é aquela conversão de comercial de TV. O negócio é bruto.

O diretor Marc Forster, o mesmo de 007: Quantum of Solace, conduz a narrativa de um jeito bem direto. Ele mostra o Sam indo para o Sudão e se deparando com uma guerra civil brutal. Em vez de só rezar, o protagonista decide pegar em armas para proteger órfãos e construir um abrigo. É um filme de ação com uma carga moral bem cinzenta, o que eu particularmente prefiro em vez de heróis perfeitos.

Um elenco que segura a bronca

Gerard Butler entrega uma das melhores atuações da carreira dele aqui. Ele consegue passar aquela energia de um homem que está sempre no limite da explosão. Além dele, temos a Michelle Monaghan, que faz a esposa do Sam, e o sensacional Michael Shannon, que interpreta o melhor amigo dele. O Shannon, como sempre, traz uma intensidade que faz toda a diferença nas cenas mais dramáticas.

Se você liga para números, a nota no IMDb hoje gira em torno de 6.7. É uma avaliação honesta. O filme não tenta ser um "queridinho da crítica", ele foca em contar a história do "Pregador de Metralhadora" com a crueza que o tema pede.

Bastidores, trilha sonora e locações

A produção não economizou na ambientação. As filmagens rolaram na África do Sul, que serviu como dublê para as paisagens do Sudão, e também em Michigan, nos Estados Unidos. Essa dualidade entre o subúrbio americano e a savana africana ajuda a dar o tom do conflito interno do protagonista.

Um ponto que eu não posso deixar passar é a trilha sonora. A música tema, chamada The Keeper, foi escrita e interpretada pelo saudoso Chris Cornell. A música é tão boa que rendeu ao filme uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Canção Original. É o tipo de som que gruda na cabeça e combina perfeitamente com o clima de busca por redenção.

Curiosidades e por que assistir

Existem alguns detalhes interessantes sobre a produção que vale mencionar:

  • O verdadeiro Sam Childers ainda está na ativa e continua seu trabalho no Sudão do Sul.

  • Gerard Butler passou um tempo com o verdadeiro Sam para entender seus trejeitos e a forma como ele lidava com as armas.

  • Embora seja um filme de 2011, o tema da guerra civil e das crianças soldados ainda é, infelizmente, muito atual.

Se você está procurando um filme que mistura ação, biografia e uma discussão pesada sobre ética e sobrevivência, Redenção é uma escolha sólida. Não espere um filme leve para um domingo à tarde, mas sim uma história sobre um homem tentando consertar os erros do passado da forma que ele acha possível.