À Espera do Amanhã (The Tomorrow Man)

 

Sabe aquele tipo de filme que você encontra por acaso no streaming, sem grandes expectativas, e acaba te prendendo pelo cansaço de uma forma boa? Foi o que aconteceu comigo ao assistir À Espera do Amanhã (título original: The Tomorrow Man).

Não é um filme de ação frenética, nem uma ficção científica cheia de efeitos especiais. É um drama pé no chão, focado em dois personagens que o mundo costuma ignorar. Se você gosta de histórias sobre o comportamento humano e as manias que desenvolvemos para sobreviver ao medo do futuro, senta aí que eu vou te contar o que achei, sem estragar a experiência com spoilers.

Do que se trata o filme À Espera do Amanhã?

Lançado em 2019, o filme nos apresenta a Ed Hemsler, um homem que vive em função de uma catástrofe que ele acredita ser iminente. Ele é o típico "prepper": estoca comida, tem um bunker e passa horas em fóruns na internet discutindo teorias da conspiração.

O contraste surge quando ele conhece Ronnie Meisner, uma mulher que também vive isolada, mas por um motivo diferente: ela é uma acumuladora. A dinâmica entre os dois é o coração da trama. É interessante ver como duas pessoas tão "quebradas" por traumas e ansiedades tentam construir algo juntas. O roteiro de Noble Jones, que também assina a direção em sua estreia em longas-metragens, foca menos no "fim do mundo" e muito mais no medo que temos de viver o presente.

Elenco e Direção: O peso da experiência

Se esse filme funciona, é 90% por causa da dupla de protagonistas. Temos John Lithgow no papel de Ed. O cara é um monstro da atuação (você deve lembrar dele em The Crown ou Dexter), e aqui ele entrega um personagem paranoico, mas estranhamente carismático.

Ao lado dele, temos a veterana Blythe Danner como Ronnie. A química entre os dois é madura e realista. Não é aquele romance adolescente meloso; é a conexão de duas pessoas que já viram muita coisa e só querem alguém que as entenda. O elenco de apoio ainda conta com nomes como Derek CecilKatie Aselton e a jovem Sophie Thatcher, que hoje em dia está brilhando em Yellowjackets.

Curiosidades e Bastidores: Onde o filme foi gravado?

Eu sempre gosto de saber onde as produções foram rodadas para entender o clima do filme. À Espera do Amanhã foi filmado em locações reais no interior de Nova York, especificamente em cidades como Rochester e Lyons. Esse cenário de cidade pequena americana, com suas ruas calmas e lojas de antiguidades, ajuda muito a passar a sensação de isolamento e rotina que os personagens vivem.

Uma curiosidade bacana é que, apesar de Lithgow e Danner terem décadas de carreira e serem nomes pesadíssimos em Hollywood, essa foi a primeira vez que eles trabalharam juntos como protagonistas. Outro ponto que merece atenção é a trilha sonora, composta por Bobby Johnston. Ela é sutil, quase minimalista, feita para não distrair o espectador dos diálogos e dos olhares dos atores.

Notas e Premiações: O que a crítica achou?

Se você é do tipo que decide o que assistir pela nota, o filme mantém uma média de 5.9 no IMDb. Pode parecer baixo para alguns, mas para um drama indie de baixo orçamento, é uma nota honesta. Ele não tenta agradar todo mundo.

Em termos de prestígio, o longa teve sua estreia mundial no Festival de Cinema de Sundance em 2019, onde foi indicado ao Grande Prêmio do Júri. Estar em Sundance já é um selo de qualidade para quem busca cinema fora do circuito de blockbusters.

No fim das contas, À Espera do Amanhã é um filme sobre as defesas que criamos. Se você quer algo direto, sem firulas e que te faça pensar um pouco na forma como lida com o seu próprio amanhã, vale o play. É cinema de ator, simples assim.


O Cântico Dos Nomes (The Song of Names)

 

Estava procurando algo para assistir no outro dia e acabei revendo O Cântico dos Nomes (The Song of Names). Se você gosta de histórias que misturam mistério com um peso histórico real, esse filme merece sua atenção. Não é um filme de ação, é mais um "quebra-cabeça" sobre identidade e ausência.

Vou te contar o que você precisa saber sobre ele, sem entregar o final, para você decidir se dá o play.

O que você precisa saber sobre a ficha técnica

O filme, lançado originalmente em 25 de dezembro de 2019, é dirigido pelo canadense François Girard. Se o nome não te soa familiar, ele é o mesmo cara que fez O Violino Vermelho, então ele entende de unir música e cinema.

No elenco, temos dois pesos pesados: Clive Owen e Tim Roth. O Roth faz o papel de Martin, um homem que passou a vida tentando entender por que seu irmão adotivo, Dovidl (vivido por Owen na fase adulta), um prodígio do violino, desapareceu sem deixar rastros no dia do seu primeiro grande concerto em 1951.

Uma trama de busca e mistério

A narrativa se divide em várias linhas temporais. Começa na Londres da Segunda Guerra, quando a família de Martin acolhe Dovidl, um menino judeu polonês cujos pais ficaram para trás. Eles crescem como irmãos, mas o desaparecimento de Dovidl vira a vida de Martin do avesso.

Décadas depois, Martin encontra uma pista — um gesto específico de um jovem violinista — que o faz acreditar que Dovidl ainda está vivo. A partir daí, o filme vira uma investigação por vários países. É um ritmo mais cadenciado, focado no diálogo e no silêncio, o que eu, particularmente, prefiro em vez de correria desenfreada.

Trilha sonora e locações que entregam imersão

Não tem como falar desse filme sem mencionar a trilha sonora. Ela foi composta por Howard Shore (o mesmo mestre de O Senhor dos Anéis). A música aqui não é só um fundo; ela é o ponto central da trama. O tal "Cântico" que dá nome ao filme é uma peça musical poderosa, carregada de simbolismo religioso e memória.

Em termos de visual, as locações ajudam muito a ditar o tom sóbrio da história. O filme passou por:

  • Londres (Reino Unido)

  • Montreal (Canadá)

  • Budapeste (Hungria)

  • Treblinka (Polônia)

Essa variação geográfica dá a dimensão do quanto o Martin precisou rodar para tentar fechar essa ferida do passado.

Recepção, notas e algumas curiosidades

Se você é do tipo que olha o IMDb antes de começar, o filme mantém uma nota honesta de 6.4. Não é uma obra-prima unânime, mas é um filme muito sólido tecnicamente. Ele levou alguns prêmios no Canadian Screen Awards, incluindo Melhor Trilha Original e Melhor Edição de Som — o que faz todo sentido depois que você ouve o violino no filme.

Aqui vão algumas curiosidades para você chegar na conversa já sabendo mais:

  1. Baseado em livro: O roteiro foi adaptado do romance homônimo de Norman Lebrecht.

  2. O Violino: Os atores que interpretam Dovidl nas fases jovem e criança tiveram que treinar exaustivamente para parecerem violinistas reais, mesmo que a execução técnica no áudio seja de profissionais.

  3. Temática: O filme aborda o Holocausto de um jeito diferente, focando na preservação da memória através da tradição oral e musical.

No fim das contas, O Cântico dos Nomes é sobre como o trauma molda as escolhas de um homem. É um filme direto, sem firulas, que entrega uma conclusão bem satisfatória.