A Rosa Venenosa (The Poison Rose)

 

Sentei esses dias para rever alguns suspenses e acabei parando em A Rosa Venenosa. Se você gosta daquela pegada clássica de detetive particular, com narração em off, fumaça e segredos de cidade pequena, sabe do que estou falando. O filme, cujo título original é The Poison Rose, saiu em 2019 e tenta resgatar o clima dos filmes noir dos anos 40, mas com uma cara mais moderna.

Vou te contar o que achei e passar os detalhes técnicos pra você decidir se vale o play.

O time por trás das câmeras e o elenco de peso

A primeira coisa que me chamou a atenção foi o elenco. Não é todo dia que você vê John TravoltaMorgan Freeman e Brendan Fraser dividindo a mesma história. O Travolta interpreta Carson Phillips, um cara que já foi estrela de futebol americano e agora vive como investigador particular, regado a bebida e jogos de azar. Ele acaba voltando para sua cidade natal no Texas para resolver um caso de desaparecimento que, claro, é muito mais sujo do que parece.

A direção ficou dividida entre Francesco Cinquemani, George Gallo e Luca Giliberto. É um trio curioso para um filme desse tamanho. O longa estreou oficialmente no dia 24 de maio de 2019, nos Estados Unidos. Além dos grandes nomes masculinos, temos a Famke Janssen (a Jean Grey de X-Men) entregando uma atuação bem sólida como uma antiga paixão do protagonista.

O clima técnico: Trilha sonora e locações

Se tem algo que ajuda a segurar a onda de um filme de investigação é o ambiente. A Rosa Venenosa foi rodado em locações bem interessantes, alternando entre Savannah, na Geórgia (que tem aquele visual sulista carregado), e partes em Roma, na Itália. Essa mistura dá um contraste visual bacana para a trama.

A trilha sonora segue o manual do gênero. Tem muito blues e jazz, com aquele saxofone que parece chorar no fundo das cenas. O destaque fica para o trabalho de Marcus Miller, um monstro do baixo que sabe exatamente como criar uma tensão sem precisar de barulho.

No IMDb, a nota atual está na casa dos 4.7. É uma pontuação baixa para muita gente, mas eu vejo como um filme de nicho. Ele não tenta reinventar a roda, ele tenta ser um "comfort movie" para quem curte histórias de crime com ritmo mais lento.

Curiosidades e premiações que ninguém comenta

Muita gente ignora, mas o filme chegou a levar o prêmio Hollywood Social Impact Award no Hollywood Film Awards, focado no impacto da produção e do elenco. Outro ponto que achei curioso é que esse foi um dos filmes que marcou o início do "retorno" de Brendan Fraser para o cinema, antes de ele ganhar o Oscar anos depois por A Baleia. Aqui ele está bem diferente do que estamos acostumados a ver em A Múmia.

Uma curiosidade de bastidor é que o filme é baseado no livro homônimo de Richard Salvatore, que também participou do roteiro. A química entre Travolta e Freeman é o ponto alto, já que eles são amigos na vida real há décadas, mas raramente tinham trabalhado juntos em um projeto com tanto tempo de tela dividido.

Vale a pena investir o seu tempo?

Se você busca uma obra-prima que vai mudar sua vida, talvez não seja esse o caso. Mas se você quer um filme para uma noite de chuva, com uma narrativa direta e sem frescuras, ele entrega o que promete. É um filme sobre passado, escolhas erradas e como o lugar de onde viemos sempre dá um jeito de nos puxar de volta.

A narrativa é fluida e, mesmo sendo um suspense, não tenta te enganar com reviravoltas impossíveis ou efeitos especiais exagerados. É pé no chão, seco e direto ao ponto. Se você curte ver veteranos do cinema fazendo o que sabem de melhor, dê uma chance para A Rosa Venenosa.


Vilões (Villains)

 

Sabe quando você está navegando pelo catálogo de streaming, sem muita paciência, e topa com um filme que parece simples, mas te prende pela bizarrice? Foi assim que cheguei em Vilões (título original: Villains), lançado em 2019. Não é um blockbuster barulhento, e talvez por isso ele funcione tão bem. É um suspense com pitadas de humor ácido que não tenta te emocionar de forma barata, mas te deixa curioso para saber até onde aquela situação vai escalar.

O que esperar de Vilões (2019)

A premissa é direta, do jeito que eu gosto. Temos um casal de criminosos amadores, Mickey e Jules, que após um assalto mal planejado, ficam sem combustível e decidem invadir uma casa isolada para encontrar um carro ou qualquer coisa que os tire dali. O problema é que os donos da casa, George e Gloria, são muito mais perturbados do que os invasores.

O filme foi dirigido pela dupla Dan Berk e Robert Olsen, que conseguiram criar um ambiente claustrofóbico sem precisar de muitos cenários. A história se resolve basicamente dentro daquela propriedade, o que aumenta a tensão. O ritmo é fluido e o roteiro não perde tempo com explicações desnecessárias.

Um elenco que segura a tensão

O que realmente me convenceu a assistir foi o elenco. Bill Skarsgård (o Mickey) e Maika Monroe (a Jules) entregam uma química muito boa como o casal "bonitinho, mas ordinário". Skarsgård, que muita gente conhece como o Pennywise, aqui mostra um lado mais humano e até meio bobalhão, o que contrasta bem com a Maika, que já é veterana do gênero suspense.

Do outro lado, temos Jeffrey Donovan e Kyra Sedgwick. Eles interpretam os donos da casa e dão um show de atuação como um casal de psicopatas refinados e educados. É esse embate entre os "vilões amadores" e os "vilões profissionais" que dá o tom da obra. No IMDb, a nota gira em torno de 6.2, o que eu considero justo para um filme que cumpre o que promete sem inventar a roda.

Bastidores, locações e a trilha sonora

Se você gosta de detalhes técnicos, o filme foi rodado principalmente no estado de Nova York, em locais como o Hudson Valley. Essa ambientação de casa antiga e isolada no meio do nada ajuda muito a passar a sensação de que não há para onde fugir.

Outro ponto que me chamou a atenção foi a trilha sonora, assinada por Andrew Hewitt. Ela não é invasiva, mas sabe pontuar os momentos em que o humor vira tensão em segundos. Em termos de reconhecimento, o filme circulou bem em festivais de gênero, chegando a ser indicado no SXSW Film Festival, o que já mostra que ele tem uma qualidade técnica acima da média desses suspenses que saem direto para vídeo.

Curiosidades e por que assistir

Uma curiosidade interessante é que o roteiro de Villains chegou a figurar na "Black List" de Hollywood, que é uma lista anual dos melhores roteiros ainda não produzidos. Isso explica por que o diálogo é tão afiado e as situações são tão bem amarradas.

Outro detalhe legal é ver como o filme brinca com as cores. Enquanto o casal de jovens usa roupas e tons mais vibrantes, a casa e os donos têm uma estética mais sóbria e antiga, marcando bem o choque de gerações e de loucuras.

Se você está procurando algo para assistir em uma noite de bobeira, que seja curto (tem cerca de 1h30), direto e que não te trate como idiota, esse filme é uma ótima escolha. É um suspense de "invasão domiciliar" invertido que funciona muito bem.


Aprendiz de Espiã (My Spy)

 

Olha, se você está procurando um filme para relaxar sem precisar fritar o cérebro com tramas complexas, Aprendiz de Espiã (ou My Spy, no original) é uma escolha bem honesta. Eu assisti recentemente e vou te passar a real sobre o que achei, sem enrolação e, claro, sem estragar as surpresas da história.

O que esperar de Aprendiz de Espiã

A premissa é direta ao ponto. Temos o Dave Bautista interpretando o JJ, um agente da CIA que é pura força bruta, mas zero sutileza. O cara é um trator, só que o trabalho dele exige discrição. Depois de uma missão que não saiu exatamente como planejado, ele acaba sendo "rebaixado" para uma operação de vigilância simples em Chicago.

É aí que a coisa muda de figura. Ele é descoberto por uma garota de 9 anos chamada Sophie, vivida pela Chloe Coleman. Em vez de entregar o cara, ela decide chantageá-lo para que ele ensine a ela como ser uma espiã. A dinâmica funciona bem porque o Bautista tem um timing de comédia muito bom, fazendo aquele tipo "bruto sensível" que a gente já viu em Guardiões da Galáxia, mas que aqui ganha um fôlego novo.

Direção, elenco e a ficha técnica

O filme chegou oficialmente em 2020 e tem a assinatura do diretor Peter Segal. Se você não liga o nome à pessoa, ele é o cara por trás de comédias como Como se Fosse a Primeira Vez e Agente 86, então ele entende bem como equilibrar humor e ação.

Além do Bautista e da pequena Chloe, que carrega o filme nas costas em vários momentos, temos a Kristen Schaal fazendo a parceira tecnológica do JJ. Ela é ótima e traz um alívio cômico mais ácido. O Ken Jeong também aparece, sendo o Ken Jeong de sempre, o que costuma garantir umas risadas extras. No IMDb, o filme sustenta uma nota 6,4, o que eu considero justo para uma comédia de ação desse estilo. Não é um vencedor de Oscar, mas cumpre o que promete.

Bastidores: Locações, trilha e curiosidades

Muita gente acha que o filme foi gravado inteiramente nos Estados Unidos, já que a história se passa em Chicago. Mas, na verdade, a maior parte das locações de filmagem foi em Toronto, no Canadá. É aquele truque clássico de Hollywood para reduzir custos de produção.

trilha sonora ficou por conta do Dominic Lewis. Ele consegue pontuar bem as cenas de ação sem deixar o clima pesado demais. Sobre as premiações, o filme não levou grandes estatuetas para casa, mas foi indicado ao People's Choice Awards na categoria de Filme de Família, o que já mostra bem qual é o público-alvo aqui.

Uma curiosidade legal é que o Dave Bautista também entrou como produtor do filme. Ele queria provar que conseguia carregar um filme de comédia como protagonista, saindo um pouco da sombra dos filmes de super-heróis. E olha, o cara convence.

Vale a pena colocar na lista?

Se você curte aquele estilo de filme onde o cara durão é amolecido por uma criança esperta, como aconteceu com o Schwarzenegger em Um Tira no Jardim de Infância, vai gostar de Aprendiz de Espiã. É um filme fluido, com piadas que funcionam tanto para adultos quanto para os mais novos e cenas de ação bem coreografadas.

Não espere uma revolução no gênero de espionagem. É entretenimento puro para uma tarde de domingo. O ritmo é bom, o tempo de tela é bem aproveitado e a química entre os protagonistas é o ponto alto.