Y2K - O Bug do Milênio (Y2K)

 

Se você viveu a virada do milênio, com certeza lembra do pavor generalizado que tomou conta do planeta. O fantasma de que os computadores iam travar à meia-noite do dia 31 de dezembro de 1999 e colapsar a civilização era real. Mas e se o verdadeiro problema não fosse o apagão, e sim as máquinas ganhando vida própria para exterminar a humanidade? É exatamente com essa premissa insana que me deparei ao assistir à comédia de terror apocalíptica da A24.

Lançado oficialmente nos cinemas no final de 2024, o filme capta de forma cirúrgica a estética daquela época, temperada com muito gore e um humor ácido. No comando do projeto está o diretor Kyle Mooney, veterano do Saturday Night Live, que faz sua estreia na direção trazendo um caminhão de nostalgia millennial. No agregador de notas mais famoso da internet, a recepção dividiu opiniões: a nota IMDb estabilizou na faixa dos 5.2 de 10. Apesar disso, para quem gosta de produções com o selo A24 e referências de época, o longa tem o seu valor.

Qual é o enredo principal do título original Y2K?

A história acompanha dois adolescentes comuns e meio desajustados socialmente, Eli (Jaeden Martell) e Danny (Julian Dennison). Na icônica noite de Ano Novo de 1999, os dois decidem invadir uma festa de ensino médio bem movimentada na vizinhança. O plano de Eli é simples, mas ousado: se aproximar de Laura (Rachel Zegler), a garota por quem ele é secretamente apaixonado.

O clima de paquera, som de fita cassete e roupas largas é interrompido no exato segundo em que o relógio bate meia-noite. Em vez do esperado bug congelar o sistema, a inteligência artificial da tecnologia da época — desde computadores de tubo até brinquedos K'Nex e carros elétricos infantis — ganha consciência de forma agressiva. A partir daí, a comédia adolescente leve vira um banho de sangue em que o bando de jovens precisa lutar pela sobrevivência contra as engrenagens revoltas.

Quem faz parte do elenco principal e onde o filme foi gravado?

O elenco jovem entrega muito dinamismo em tela. Jaeden Martell funciona bem como o herói tímido, dividindo boa química com a talentosa Rachel Zegler. O alívio cômico pesado fica por conta de Julian Dennison, que rouba várias cenas. A produção ainda conta com participações absurdas e divertidas, como o cantor The Kid Laroi e o lendário Fred Durst, vocalista do Limp Bizkit, interpretando uma versão bizarra de si mesmo no meio do caos.

Sobre a locação, as filmagens aconteceram no estado de Nova Jersey, nos Estados Unidos. O cenário dos subúrbios americanos cinzentos e das casas residenciais foi a escolha perfeita para ambientar o clima de isolamento e paranoia, trazendo aquela atmosfera clássica dos filmes de garagem dos anos 90 e 2000.

Quais são as maiores curiosidades dos bastidores da produção?

Uma das grandes surpresas da obra é o uso pesado de efeitos práticos em vez de abusar de CGI mal feito. A equipe contratada para dar vida aos monstros mecânicos assassinos foi ninguém menos que a Weta Workshop, famosa mundialmente pelo trabalho impecável na trilogia O Senhor dos Anéis. Isso garante um visual bruto e realista para os ataques das máquinas, com direito a liquidificadores e cortadores de grama fazendo estragos bem sangrentos na tela.

Outro detalhe curioso é a trilha sonora recheada de hits que tocam na alma de quem usava o Windows 98. Bandas como Korn, Chumbawamba e o próprio Limp Bizkit ditam o ritmo da correria, transformando o apocalipse cibernético em um grande videoclipe de Nu Metal da MTV. Além disso, o próprio diretor Kyle Mooney faz uma ponta hilária no filme interpretando um balconista de locadora de fitas de vídeo completamente chapado.

Vale a pena assistir? Confira a nossa crítica da obra

Minha opinião sincera é que o longa entrega exatamente o que promete, contanto que você saiba onde está se metendo. O roteiro de Mooney e Evan Winter não se leva a sério em momento algum. O filme brilha quando foca na galhofa e no absurdo das situações, brincando com os clichês de sobrevivência e abusando do gore escrachado. É divertido ver tecnologias obsoletas se transformando em armas letais contra adolescentes desesperados.

Por outro lado, o ritmo sofre um pouco no meio do segundo ato, quando a novidade das piadas sobre o ano 2000 começa a se desgastar e o enredo precisa se sustentar apenas na ação. Não é uma obra-prima do terror psicológico, mas funciona muito bem como um passatempo descompromissado de fim de semana. Se você curte uma comédia sangrenta com muita atitude, fitas VHS e nostalgia pesada, vale a pena dar o play.

 

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