Walter Matthau: Diamante em Bruto (Walter Matthau: Diamond in the Rough)

 

Walter Matthau: Diamante em Bruto

Se você é do tipo que aprecia um bom cinema de raiz, daqueles com personagens casca-grossa mas de coração enorme, senta aí que hoje vamos conversar sobre um cara que definiu esse estilo como ninguém: Walter Matthau. Mais especificamente, vamos falar sobre o documentário Walter Matthau: Diamante em Bruto (título original: Walter Matthau: Diamond in the Rough).

Eu sempre tive uma queda por essas cinebiografias que não tentam dourar a pílula. Matthau nunca foi o galã típico de Hollywood — longe disso —, mas o cara tinha uma presença de tela que engolia qualquer bonitão de queixo quadrado. Esse filme é uma baita homenagem a um dos atores mais autênticos que o cinema já viu.

Qual é o contexto inicial e a história por trás desse filme?

Para entender o documentário, a gente precisa olhar para o homem. Walter Matthau era aquele cara com cara de poucos amigos, postura meio curvada e uma voz que parecia que ele tinha engolido um punhado de brita. Mas, quando ele começava a falar, a mágica acontecia.

O documentário destrincha exatamente essa dualidade. Ele mostra como um garoto pobre do Lower East Side de Nova York, filho de imigrantes, conseguiu peitar a indústria de cinema mais poderosa do mundo e se tornar um gigante. O título não poderia ser mais certeiro: ele era realmente um diamante bruto. Um talento bruto, lapidado pelas dificuldades da vida real, que trouxe para as telas uma verdade que pouca gente conseguia entregar. O filme passeia pela sua infância dura, os tempos de teatro e, claro, a consagração no cinema.

Quando foi o ano de lançamento e quem está no elenco principal?

Lançado originalmente em 1997, bem na reta final da vida do ator (que nos deixou em 2000), o filme funciona quase como um balanço de carreira em vida. A direção ficou nas mãos de David Shear, que teve a sacada genial de não fazer apenas uma colagem de cenas antigas, mas sim costurar depoimentos de quem realmente conhecia o mestre.

No elenco, além do próprio Walter Matthau roubando a cena nas entrevistas, temos um time de peso que conviveu e trabalhou com ele. O maior destaque, claro, não poderia ser outro: Jack Lemmon. A química entre os dois na vida real e nas telas (quem não lembra de Um Estranho Casal ou Dois Velhos Rabugentos?) é o coração de boa parte do documentário. Além de Lemmon, figuras como a atriz Sophia Loren e o diretor Billy Wilder aparecem para dar seus depoimentos, destilando histórias de bastidores que valem ouro para qualquer cinéfilo. As locações das entrevistas variam entre os estúdios de Hollywood e as casas dos próprios artistas, trazendo um clima de conversa de bar bem intimista.

Qual é a nota IMDb e quais as principais curiosidades da produção?

Se você liga para números, a recepção de produções desse tipo costuma ser bem nichada, mas muito respeitada. Atualmente, o filme mantém uma recepção sólida entre os fãs do ator no IMDb, flutuando ali na casa dos 7.0 a 7.5, o que é uma nota excelente para um documentário biográfico de TV daquela época.

Mas o que me pega de verdade são as curiosidades que a obra revela. Separou três fatos que achei fantásticos:

·         O vício em apostas: O filme não esconde o lado humano e os defeitos de Matthau. Ele era completamente alucinado por apostas em corridas de cavalos e esportes. Chegou a perder uma fortuna ao longo da vida, e o documentário aborda isso com uma honestidade brutal, mostrando como ele usava o trabalho no cinema também para pagar as dívidas de jogo.

·         O visual "antigalã": Billy Wilder conta no filme que, no início, os executivos de estúdio não sabiam o que fazer com Matthau porque ele parecia "um agente de apostas que levou uma surra". Foi justamente essa falta de vaidade que o tornou imortal.

·         Irmandade real: A dor de Jack Lemmon ao falar sobre a saúde já debilitada do amigo na época das gravações é de dar um nó na garganta. Era uma amizade de verdade em um meio conhecido pela falsidade.

Qual é a minha crítica sobre Walter Matthau: Diamante em Bruto?

Sendo bem direto com você: esse documentário é obrigatório para quem gosta de cinema feito por homens de verdade, sem filtro e com muita bagagem. A obra acerta em cheio ao não tentar transformar Matthau em um santo. Ele era turrão, tinha seus vícios, reclamava de tudo, mas tinha um carisma que você simplesmente não consegue parar de olhar.

A edição flui muito bem, misturando os momentos cômicos que o consagraram com a melancolia de um homem que sabia que estava no outono da vida. Sentir a admiração de lendas como Billy Wilder e Jack Lemmon por ele nos faz entender que Matthau não era apenas um ator engraçado; ele era um artesão da atuação, alguém que tratava o ofício com um respeito absurdo, por mais que fingisse não ligar. Se você quer entender como a velha Hollywood funcionava e como um sujeito comum virou rei, tire uma hora do seu dia para assistir. Vale cada segundo.

 

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