Um Príncipe em Nova York (Coming to America)

 

Se você cresceu assistindo à Sessão da Tarde ou simplesmente gosta de uma boa comédia, é impossível não ter esbarrado em Um Príncipe em Nova York. Eu decidi rever esse filme recentemente e, olha, ele envelheceu como um bom vinho. O título original é Coming to America, e ele chegou aos cinemas lá em 29 de junho de 1988.

Mesmo décadas depois, a fórmula funciona. Não é só uma história sobre um herdeiro rico querendo casar; é um estudo sobre carisma e timing cômico. Vou te contar um pouco sobre o que faz esse filme ser um pilar do gênero sem estragar nenhuma surpresa, caso você seja um dos poucos que ainda não assistiu.

A história por trás do título original "Coming to America"

A premissa é direta, sem frescuras. O príncipe Akeem, interpretado pelo Eddie Murphy no auge da forma, vive no reino fictício de Zamunda. Ele tem tudo o que o dinheiro pode comprar, mas não quer um casamento arranjado. O cara quer ser amado por quem ele é, não pelo que tem no banco.

A solução? Ir para o lugar mais caótico e honesto que ele consegue pensar: o Queens, em Nova York. O roteiro é inteligente porque usa o choque cultural para gerar humor, mas sem apelar para o ridículo extremo. É aquela jornada clássica do "peixe fora d'água" que a gente gosta de acompanhar.

O time de peso na frente e atrás das câmeras

O que sustenta o filme, além do roteiro, é a direção de John Landis. O cara já tinha no currículo sucessos como Trocando as Bolas, então ele sabia exatamente como extrair o melhor do Eddie Murphy.

No elenco, temos nomes que hoje são lendas:

  • Eddie Murphy (Príncipe Akeem e vários outros personagens);

  • Arsenio Hall (Semmi, o fiel escudeiro, e também múltiplos personagens);

  • James Earl Jones (o imponente Rei Jaffe Joffer);

  • Shari Headley (Lisa McDowell, o interesse romântico).

A química entre Murphy e Arsenio Hall é o que carrega o filme. Eles jogam um para o outro o tempo todo, e isso dá uma fluidez animal para as cenas.

Onde a mágica foi filmada e o som que embalou a época

Muita gente acha que o filme foi todo feito em estúdio, mas as locações de filmagem foram bem reais. Eles rodaram bastante no Queens e no Brooklyn, em Nova York, além de algumas cenas em Los Angeles e na Califórnia para os interiores do palácio. Aquele clima cinzento e urbano de NY nos anos 80 contrasta perfeitamente com o brilho dourado de Zamunda.

trilha sonora também não fica atrás. Sob o comando de Nile Rodgers, a música tema "Coming to America", do grupo The System, virou um hino. É aquele tipo de som que, assim que começa, você já entra no clima da época.

Reconhecimento, IMDb e premiações

Se você olhar o IMDb, o filme mantém uma nota sólida de 7.1/10. Para uma comédia escrachada dos anos 80, isso é um feito e tanto. O reconhecimento não veio só do público, mas também da crítica técnica. Um Príncipe em Nova York recebeu duas indicações ao Oscar:

  1. Melhor Figurino;

  2. Melhor Maquiagem.

A parte da maquiagem é um ponto que merece destaque. O trabalho feito por Rick Baker foi tão absurdo que você muitas vezes esquece que é o mesmo ator fazendo quatro ou cinco pessoas diferentes na mesma cena.

Curiosidades que você (provavelmente) não sabia

Para fechar o papo, separei uns detalhes que mostram como essa produção foi rica:

  • Camaleões: Eddie Murphy e Arsenio Hall interpretam quatro personagens cada. Murphy faz o príncipe, um cantor de soul horrível, um judeu idoso e um barbeiro.

  • McDowell’s: O restaurante onde Akeem trabalha é uma sátira óbvia ao McDonald’s. Na época, a produção teve que garantir que não haveria problemas jurídicos com a rede real.

  • Samuel L. Jackson: Ele faz uma ponta bem rápida como um assaltante no restaurante. É engraçado ver uma lenda dessas antes da fama mundial.

  • Conexão de universos: Existe um easter egg sensacional onde os personagens de Don Ameche e Ralph Bellamy (de Trocando as Bolas) aparecem como mendigos que recebem uma doação de Akeem.

Um Príncipe em Nova York é aquele tipo de filme "conforto". Ele não tenta reinventar a roda, mas faz o básico com uma maestria que poucas comédias conseguem hoje em dia. É direto, engraçado e tem coração.


Um Príncipe em Nova York 2 (Coming 2 America)

 

Se você cresceu assistindo à Sessão da Tarde, sabe que o príncipe Akeem é praticamente um ícone cultural. Por isso, quando anunciaram Um Príncipe em Nova York 2 (ou Coming 2 America, no título original), a curiosidade foi geral. Eu assisti ao filme com aquela mistura de nostalgia e um pouco de ceticismo, e vou te contar o que você precisa saber sobre essa sequência que levou mais de 30 anos para sair do papel.

O filme estreou direto no streaming no dia 5 de março de 2021, depois que a Amazon comprou os direitos da Paramount. O comando ficou nas mãos do diretor Craig Brewer, que já tinha trabalhado com o Eddie Murphy em Meu Nome é Dolemite. A pegada aqui é clara: honrar o passado enquanto tenta trazer um frescor para a nova geração.

O elenco de peso e a direção de Craig Brewer

Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi como conseguiram reunir quase todo mundo do filme de 1988. Eddie Murphy e Arsenio Hall estão lá, não só como Akeem e Semmi, mas também interpretando aqueles vários personagens icônicos da barbearia. É impressionante como a química entre os dois continua funcionando.

Além da dupla dinâmica, o elenco conta com James Earl Jones (o rei Jaffe Joffer), Shari Headley (Lisa McDowell) e a adição de rostos novos como Jermaine Fowler, que vive o filho perdido de Akeem, e Leslie Jones. Mas, para mim, quem rouba a cena é o Wesley Snipes como o General Izzi. Ele traz uma energia cômica que eu não via nele há muito tempo.

Bastidores: Locações reais e um figurino de Oscar

Se você olhar para o palácio de Zamunda e achar que aquilo parece a casa de um magnata do rap, você não está errado. As locações de filmagem foram majoritariamente em Atlanta, na Geórgia, e a mansão do rapper Rick Ross serviu de cenário principal para o palácio real. O lugar é gigantesco e deu a imponência necessária para o filme.

Outro ponto que merece destaque é o visual. O filme foi indicado ao Oscar de Melhor Cabelo e Maquiagem, o que não é surpresa, já que transformar o Eddie Murphy em um senhor judeu de 80 anos exige um trabalho de mestre. A trilha sonora também mantém o nível, misturando clássicos com artistas atuais como Megan Thee StallionJohn Legend e Nile Rodgers. É aquele tipo de música que dita o ritmo certo para uma comédia desse tamanho.

A nota no IMDb e a recepção da crítica

Sendo bem direto com você: a recepção foi dividida. No IMDb, a nota gira em torno de 5.3. Por que isso? Bom, sequências de clássicos absolutos sempre sofrem com a comparação. Muita gente esperava algo revolucionário, mas o filme entrega exatamente o que se propõe: uma homenagem segura e divertida ao original.

Ele não tenta reinventar a roda. É um filme para ver num domingo à tarde, relaxado, sem esperar um roteiro complexo de suspense. As piadas são mais contidas do que as do primeiro filme — que era bem mais "proibidão" por causa da classificação indicativa da época —, mas o carisma dos personagens compensa muita coisa.

Curiosidades que você talvez não saiba

Para fechar o papo, separei alguns detalhes interessantes que notei ou pesquisei sobre a produção:

  • Figurinos Reais: A figurinista Ruth E. Carter (que ganhou o Oscar por Pantera Negra) foi quem desenhou as roupas. Ela misturou moda africana real com um toque de fantasia de Hollywood.

  • A idade de James Earl Jones: Ele gravou suas cenas com 90 anos de idade. É uma lenda viva do cinema.

  • Participações especiais: Fique de olho, porque tem muita gente famosa aparecendo em pontas rápidas, desde Morgan Freeman até astros da música.

  • O barbeiro: Eddie Murphy continua interpretando o Myron, o barbeiro, mesmo décadas depois, provando que a maquiagem evoluiu absurdamente.

No fim das contas, Um Príncipe em Nova York 2 é sobre legado. Vale o play pela nostalgia e por ver que, mesmo 33 anos depois, o Eddie Murphy ainda sabe como carregar um filme nas costas com um sorriso no rosto.