Falcão Negro em Perigo (Black Hawk Down)

 

Se você curte cinema de guerra, sabe que existe o antes e o depois de Falcão Negro em Perigo. Não estou falando de um filme de herói onde o protagonista sai sem um arranhão. Estou falando de um relato seco, visceral e tecnicamente impecável sobre o que rola quando um plano militar vai para o espaço em questão de minutos.

O que você precisa saber sobre Black Hawk Down

O título original é Black Hawk Down, e o filme chegou aos cinemas em março de 2002 aqui no Brasil. A direção ficou nas mãos de Ridley Scott, um cara que não brinca em serviço quando o assunto é visual. Ele pegou a história real de uma missão em Mogadíscio, na Somália, em 1993, e transformou em quase duas horas e meia de pura tensão.

O elenco é um "quem é quem" de Hollywood. Tem o Josh Hartnett liderando, mas se você piscar, perde o Ewan McGregor, o Eric Bana, o Tom Hardy (bem novinho) e até o Nikolaj Coster-Waldau (o Jaime Lannister). É um time de peso para mostrar o lado dos Rangers e da Delta Force naquela emboscada.

Por que a nota no IMDB é tão alta?

Atualmente, o filme sustenta uma nota 7.7 no IMDb, o que é bem alto para o gênero. O motivo é simples: ele não perde tempo com floreios. A narrativa é direta. Você entende o objetivo, vê o erro acontecer e sente o peso da sobrevivência.

Em termos de reconhecimento, o filme não passou batido nas premiações. Levou dois Oscars (Melhor Montagem e Melhor Som), o que faz todo sentido, já que a imersão sonora é um dos pontos mais fortes da obra. Se você tiver um bom home theater ou um fone de qualidade, vai entender do que estou falando.

Trilha sonora e os cenários de Marrocos

A trilha sonora é assinada pelo mestre Hans Zimmer. Ele fugiu daquelas marchas militares heróicas e batidas. Em vez disso, usou uma mistura de sintetizadores com sons étnicos e guitarras distorcidas que passam uma sensação de desconforto e urgência constante.

Sobre as locações de filmagem, um detalhe curioso: embora a história se passe na Somália, o filme foi rodado quase todo no Marrocos. A equipe de produção conseguiu recriar a arquitetura e o caos urbano de Mogadíscio de um jeito tão fiel que você se sente dentro daqueles becos cercado por milícias.

Curiosidades que fazem a diferença

Sempre gosto de observar os detalhes que mostram o capricho da produção. Aqui vão alguns pontos que talvez você não saiba:

  • Treinamento real: Os atores passaram por cursos intensivos de orientação militar com Rangers e operadores da Delta Force de verdade para aprenderem a segurar as armas e se comunicar corretamente.

  • Homenagem nos capacetes: Para ajudar o público a identificar quem era quem no meio da poeira e do combate, os nomes dos personagens foram escritos nos capacetes, algo que não era padrão na época.

  • Apoio militar: O exército dos EUA forneceu os helicópteros Black Hawk e Little Bird reais para as filmagens, além de pilotos que participaram de manobras complexas para as câmeras.

Falcão Negro em Perigo é um filme sobre logística, erro humano e a irmandade sob fogo cruzado. Se você ainda não viu, ou faz tempo que assistiu, vale o play. É cinema de alto nível, sem o sentimentalismo barato que a gente costuma ver por aí.


Django: O Último Matador (L'ultimo killer)

 

Se você é fã de Western Spaghetti, sabe que a década de 60 foi uma terra sem lei para o cinema italiano. Eu estava revisitando alguns títulos dessa época e parei em Django o último matador, lançado originalmente em 1967 com o título L'ultimo killer. Vou ser direto com você: o filme é um produto típico do seu tempo, mas não espere encontrar aqui a mesma genialidade dos clássicos de Sergio Leone.

O longa foi dirigido por Giuseppe Vari e traz George Eastman (nome artístico de Luigi Montefiori) no papel principal. A história segue aquela fórmula batida do jovem que busca vingança e precisa aprender a atirar com um mestre veterano. É o básico do gênero, entregue de uma forma que, para ser honesto, às vezes cansa pela falta de originalidade.

Django o último matador e a febre do Western Spaghetti

A primeira coisa que você precisa entender sobre esse filme é que o nome "Django" no título brasileiro é puro marketing. Naquela época, o sucesso do personagem de Franco Nero era tão gigante que as distribuidoras enfiavam o nome Django em qualquer faroeste que chegasse ao mercado. O título original, L'ultimo killer, faz muito mais sentido para a trama, que foca na transição de um homem comum para um assassino frio.

Lançado em 1967, o filme tenta pegar carona na estética suja e violenta que definiu o gênero, mas o roteiro é previsível. George Eastman, apesar de ter a estampa de um herói de faroeste, entrega uma atuação um tanto engessada. Ele faz o papel de Ramon, um cara que vê sua família ser destruída e decide que a única saída é o chumbo. É aquela narrativa masculina clássica, seca e sem espaço para muitos sentimentos, focada apenas no objetivo final.

A direção de Giuseppe Vari e o peso de George Eastman

Giuseppe Vari não era um diretor de primeira linha, e isso fica claro em algumas escolhas de montagem. O ritmo do filme é oscilante. Em alguns momentos, a tensão funciona, mas em outros, a gente sente que a cena se arrasta mais do que o necessário. Além de Eastman, o elenco conta com Anthony Ghidra, que acaba entregando uma performance mais sólida que a do protagonista.

No IMDb, o filme ostenta uma nota modesta de 5.8. Não é um desastre, mas mostra que ele está longe de ser uma unanimidade entre os críticos e o público. Ele não recebeu premiações de destaque, o que não surpreende ninguém que conheça bem o circuito de faroestes B da Itália. É um filme para quem realmente gosta de garimpar o gênero e não se importa com clichês.

Onde o filme foi gravado e os detalhes técnicos

Se tem uma coisa que me agrada nesse tipo de produção são as locações. Como a maioria dos Westerns Italianos, as filmagens aconteceram principalmente na Itália, nos arredores de Roma e nos famosos Elios Studios. Mesmo com um orçamento visivelmente apertado, eles conseguem criar aquele ambiente árido e desolador que a gente espera de um deserto na fronteira.

A trilha sonora ficou por conta de Roberto Pregadio. Veja bem, Pregadio é um bom compositor, mas aqui ele parece estar operando no piloto automático. A música cumpre o papel de preencher o silêncio e pontuar os duelos, mas você provavelmente não vai sair cantarolando o tema principal como faria com uma composição de Ennio Morricone. É funcional, apenas isso.

Curiosidades e por que ele não é um clássico absoluto

Existem alguns pontos curiosos sobre essa produção que valem a menção:

  • Marketing enganoso: Como eu disse, não existe ligação real com o Django original.

  • George Eastman: O ator ficou muito mais famoso anos depois em filmes de terror e exploração, como o infame Antropophagus.

  • Violência: Para 1967, o filme até que tem uma dose honesta de brutalidade, o que era a marca registrada do gênero na Itália.

No fim das contas, Django o último matador é um filme mediano. Ele diverte se você estiver em um domingo chuvoso sem nada melhor para fazer, mas a falta de um roteiro mais afiado e de um protagonista mais carismático impede que ele suba de patamar. É o tipo de obra que a gente assiste, reconhece o esforço, mas esquece os detalhes fundamentais uma semana depois.


Os Anjos Também Comem Feijão (Anche gli angeli mangiano fagioli)

 

Se você espera encontrar a mesma química explosiva dos filmes de Bud Spencer com o Terence Hill, já aviso: melhor baixar um pouco a expectativa. Os Anjos Também Comem Feijão (ou Anche gli angeli mangiano fagioli, no original de 1973) tenta pegar carona nessa fórmula de sucesso, mas entrega algo que, embora assistível, parece um café requentado.

Eu assisti ao filme recentemente e, olha, ele tem seus méritos, mas não espere uma obra-prima do gênero. O diretor Enzo Barboni, que assina como E.B. Clucher, tentou repetir a dose de humor e pancadaria, só que dessa vez ambientando a história na Nova York da época da Grande Depressão.

A dupla que quase funciona

O maior problema, na minha visão, é a falta de sintonia. Bud Spencer continua sendo o gigante carismático de sempre, interpretando o lutador Charlie Smith. O problema é o parceiro dele. No lugar do Terence Hill, colocaram o Giuliano Gemma como Sonny. Gemma é um ótimo ator, brilhou em vários "Western Spaghetti", mas aqui ele parece estar tentando demais ser o Terence Hill.

A trama gira em torno desses dois sujeitos desajustados que tentam entrar para a máfia para ganhar a vida. Só que eles têm um "defeito" grave para quem quer ser bandido: eles são bons demais. Acabam protegendo as pessoas que deveriam extorquir. É engraçadinho, mas o ritmo cansa um pouco depois da primeira hora.

Ficha técnica e aquela nota no IMDb

Se você é do tipo que se guia por números, o filme tem uma nota 6.6 no IMDb. É uma pontuação justa para uma comédia despretensiosa que não mudou a história do cinema. Lançado oficialmente em 22 de março de 1973, o longa não chegou a ganhar premiações de peso ou festivais importantes. Ele foi feito para o consumo rápido das massas, e cumpriu esse papel na época.

O elenco ainda conta com Robert Middleton e Victor Israel, rostos conhecidos para quem gosta desse tipo de produção italiana. No fundo, é aquele filme que você deixa passando no domingo à tarde enquanto faz qualquer outra coisa.

Trilha sonora e os cenários de papelão

Um ponto que sempre me chama a atenção nesses filmes é a música. A trilha sonora ficou por conta de Guido e Maurizio De Angelis. Se você já viu qualquer filme do Bud Spencer, conhece o estilo deles. É aquela música chiclete, meio boba, que fica na cabeça, mas que aqui não parece ter o mesmo brilho de outros trabalhos da dupla.

Sobre as locações de filmagem, embora a história se passe em Nova York, boa parte do que você vê foi rodado nos estúdios da Cinecittà, em Roma. Eles até conseguiram recriar bem o clima da década de 1930, mas se você olhar com atenção, percebe que falta aquela sujeira e o caos real da Nova York daquela época. Ficou tudo meio limpo demais, meio artificial.

Curiosidades que salvam o papo

Apesar das minhas críticas, existem alguns pontos curiosos sobre a produção:

  • O substituto: Terence Hill era a primeira escolha para o papel de Sonny, mas ele estava ocupado gravando "Meu Nome é Ninguém".

  • Continuação sem Bud: O filme fez sucesso suficiente para ganhar uma sequência chamada Anche gli angeli tirano di destro, mas sem o Bud Spencer. Como dá para imaginar, foi um desastre ainda maior.

  • Dublês: Muita gente não sabe, mas as cenas de briga eram coreografadas quase como um balé, e muitos dos dublês eram os mesmos que apareciam em todos os filmes da época.

No fim das contas, Os Anjos Também Comem Feijão é um filme mediano. Ele diverte se você não tiver nada melhor para fazer, mas não chega perto dos clássicos da dupla original. É um passatempo honesto, porém esquecível.