O Mapa das Pequenas Coisas Perfeitas (The Map of Tiny Perfect Things)

 

Olha, se você é do tipo que gosta de uma boa história de ficção científica misturada com o cotidiano, mas já está meio cansado daquela fórmula batida de "salvar o mundo", O Mapa das Pequenas Coisas Perfeitas (The Map of Tiny Perfect Things) é um filme que você precisa colocar na lista. Eu assisti sem esperar muito e acabei sendo surpreendido por uma trama que, apesar de usar o velho recurso do loop temporal, entrega algo bem mais pé no chão e direto ao ponto.

Vou te contar aqui o que faz esse filme valer o seu tempo no Prime Video, sem entregar o ouro ou dar spoilers que estraguem a experiência.

A premissa: Um dia que nunca termina

A ideia central do filme é simples, mas bem executada. Imagina acordar e perceber que você está vivendo o mesmo dia, repetidamente. O protagonista, Mark, já está craque nisso. Ele decorou cada movimento das pessoas na cidade, cada pequeno acidente e cada coincidência. Ele vive o que eu chamaria de "dia otimizado".

Tudo muda quando ele encontra Margaret, uma garota que também está presa no mesmo loop. O diferencial aqui não é a tentativa desesperada de quebrar o feitiço, mas sim a decisão deles de mapear todas as "coisas perfeitas" que acontecem naquele dia de 24 horas. É uma narrativa fluida, sem aquele drama pesado, focada em como a gente deixa passar detalhes bobos porque estamos sempre com pressa.

Ficha técnica e o que você precisa saber

Para quem gosta de números e nomes, aqui está o esqueleto do filme. Lançado em 12 de fevereiro de 2021, o longa tem a direção de Ian Samuels e o roteiro assinado por Lev Grossman (o mesmo cara de The Magicians).

  • Título Original: The Map of Tiny Perfect Things

  • Atores Principais: Kathryn Newton (que você talvez conheça de Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania) e Kyle Allen.

  • Nota IMDb: O filme segura um honesto 6.8/10, o que eu considero justo para uma produção que entrega exatamente o que promete sem tentar ser pretensiosa demais.

  • Premiações: Foi indicado ao Critics' Choice Super Awards na categoria de Melhor Filme de Ficção Científica/Fantasia, o que mostra que a crítica também viu valor na proposta.

Onde a mágica acontece: Locações e trilha

Uma coisa que me chamou a atenção foi o visual. O filme foi rodado em Fairhope, no Alabama. É aquela cidadezinha com cara de interior, cheia de árvores e uma luz de fim de tarde que combina muito com a proposta do roteiro. Não parece um cenário montado; parece um lugar onde você realmente gostaria de passar um dia infinito.

Já a trilha sonora ajuda muito a ditar o ritmo. Composta por Tom Bromley, ela mistura um estilo indie com batidas mais modernas que não distraem, mas preenchem bem os silêncios. É o tipo de música que você terminaria de ouvir no carro depois de chegar em casa.

Algumas curiosidades que valem o play

Se você curte os bastidores, aqui vão uns pontos interessantes sobre a produção:

  1. Origem literária: O roteiro é baseado em um conto curto do próprio Lev Grossman. Adaptar um conto para longa costuma funcionar bem porque a história não fica "inchada".

  2. Química real: A interação entre Kathryn Newton e Kyle Allen é muito natural. Eles não parecem personagens de filme lendo falas, mas sim dois jovens tentando entender uma situação bizarra.

  3. Referências: O filme faz referências diretas a outros clássicos de loop, como Feitiço do Tempo, mas de um jeito respeitoso e até meio engraçado, admitindo que eles conhecem as "regras" do gênero.

No fim das contas, O Mapa das Pequenas Coisas Perfeitas é um filme sobre perspectiva. Ele não tenta ser um Interstellar da vida, mas consegue te prender pela simplicidade e pela curiosidade de saber qual será a próxima "coisa perfeita" que eles vão encontrar. Se você quer algo leve para o fim de semana, mas que ainda te faça pensar um pouco sobre como aproveita seu tempo, dá o play sem medo.


Na Hora da Zona Morta (The Dead Zone)

 

Sempre que alguém me pergunta sobre as melhores adaptações do Stephen King, minha mente vai direto para Na Hora da Zona Morta (título original: The Dead Zone). Lançado originalmente em 21 de outubro de 1983, o filme é um daqueles casos raros em que o cinema consegue captar exatamente a melancolia e o peso psicológico de um livro, sem precisar de excessos.

Aqui, não temos palhaços assassinos ou hotéis mal-assombrados. O horror é mais íntimo, quase silencioso. Se você está buscando um suspense sólido, sem firulas, esse é o ponto de partida.

O encontro de dois mestres: Cronenberg e King

Muita gente se surpreende quando descobre que o diretor é David Cronenberg. Na época, ele era conhecido por filmes de "body horror" bem viscerais, mas em Na Hora da Zona Morta, ele entregou um trabalho muito mais contido e preciso. Ele foca na tragédia do homem comum que, após passar cinco anos em coma devido a um acidente, acorda com a habilidade de ver o passado, o presente e o futuro das pessoas apenas com um toque.

A narrativa é direta. Acompanhamos Johnny Smith tentando retomar uma vida que não existe mais, enquanto lida com o fardo de prever desastres que ele se sente obrigado a impedir. É um filme de inverno, frio e cinzento, o que combina perfeitamente com o clima de isolamento do protagonista.

O elenco que sustenta o peso da história

Não dá para falar desse filme sem mencionar Christopher Walken. Ele entrega uma das melhores atuações da carreira aqui. Walken tem aquele olhar que parece estar sempre enxergando algo que nós não vemos, o que encaixa perfeitamente no personagem.

Além dele, o elenco é de primeira:

  • Brooke Adams faz a ex-namorada que seguiu a vida;

  • Tom Skerritt é o xerife que pede ajuda a Johnny;

  • Herbert Lom interpreta o médico que acompanha a recuperação;

  • Martin Sheen aparece como um político em ascensão, Greg Stillson, que desempenha um papel crucial no terço final do longa.

Essa combinação de talentos faz com que a história, por mais fantástica que seja a premissa, pareça pé no chão.

Bastidores, trilha sonora e locações

O filme tem uma estética muito específica. Ele foi rodado quase inteiramente em Ontário, no Canadá (passando por Toronto, Niagara-on-the-Lake e Uxbridge). O cenário canadense ajudou a criar a atmosfera gélida da fictícia Castle Rock, no Maine.

A trilha sonora, composta por Michael Kamen e gravada com a Orquestra Filarmônica Nacional, evita os sustos óbvios do gênero. Ela é clássica, dramática e ajuda a construir a tensão de forma gradual. É um som que te deixa desconfortável, mas sem ser barulhento.

Quanto ao reconhecimento, o filme segura uma nota 7.2 no IMDb, o que é um número bem respeitável para um suspense da década de 80. Nas premiações, ele levou o Saturn Award de Melhor Filme de Horror, consolidando seu status de cult entre os fãs do gênero.

Curiosidades que talvez você não saiba

Para quem gosta de detalhes técnicos e histórias de bastidores, Na Hora da Zona Morta tem algumas pérolas:

  1. Bill Murray foi um dos nomes cogitados para o papel principal antes de Walken ser escalado. Seria um filme completamente diferente.

  2. Stephen King gostou tanto do roteiro de Jeffrey Boam que disse que foi uma das melhores adaptações de sua obra até então.

  3. O próprio King chegou a escrever um rascunho do roteiro, mas Cronenberg preferiu a versão de Boam por ser mais focada no drama do protagonista.

Se você ainda não viu, vale a pena dar o play. É um filme que respeita a inteligência do espectador e entrega uma história completa, sem pontas soltas ou ganchos desnecessários para sequências.