Bliss: Em busca da felicidade (Bliss)

 

Cara, eu tirei um tempo pra rever Bliss: Em busca da felicidade (título original: Bliss) e, olha, o filme é um "nó na cabeça" bem executado. Se você curte ficção científica que não se baseia só em explosões, mas em questionar o que é real, senta aí que a gente precisa conversar sobre essa obra do Mike Cahill.

O que é real em Bliss?

A trama gira em torno do Greg, um cara que parece estar no fundo do poço, e da Isabel, uma mulher que vive nas ruas e jura de pé junto que o mundo caótico onde eles estão é só uma simulação de computador.

O filme brinca o tempo todo com essa dualidade: ou o Greg está tendo um surto psicótico ou ele realmente vive em um paraíso tecnológico e "Bliss" é apenas um experimento. É o tipo de história que te deixa tentando montar o quebra-cabeça até os créditos subirem.

Direção, elenco e números

Lançado em 5 de fevereiro de 2021, o filme traz o Owen Wilson e a Salma Hayek nos papéis principais. É curioso ver o Owen saindo daquela vibe de comédia pura para algo mais denso, e a Salma entrega uma energia caótica que sustenta bem o mistério.

Aqui vão os dados frios para quem gosta de estatística:

  • Diretor: Mike Cahill (o mesmo de Another Earth).

  • Nota IMDb: Atualmente na casa dos 5.4/10. É uma nota que divide opiniões, justamente porque o filme não entrega respostas mastigadas.

  • Premiações: Não chegou a levar grandes estatuetas, mas foi muito comentado nos festivais de gênero pela sua premissa ambiciosa.

  • Locações: As filmagens rolaram entre Los Angeles (aquela parte mais crua e urbana) e a belíssima ilha de Split, na Croácia, que serve como o contraste visual perfeito para o "mundo ideal".

Trilha sonora e a estética visual

A música fica por conta do Will Bates. Ele conseguiu criar uma atmosfera que transita entre o melancólico e o sintético. Sabe aquele som que parece um zumbido eletrônico constante? Ajuda muito a entrar na paranoia do Greg.

Visualmente, o filme é um jogo de contrastes. De um lado, tons de azul e cinza de uma cidade decadente; do outro, a saturação e o brilho da Croácia. É um deleite visual que ajuda a separar (ou confundir ainda mais) as duas realidades propostas pelo diretor.

Algumas curiosidades que você talvez não saiba

Para fechar esse papo, separei uns detalhes que mudam um pouco a perspectiva sobre o filme:

  • A conexão científica: Mike Cahill é fascinado por ciência e filosofia. Ele consultou especialistas para que a parte "tecnológica" da simulação fizesse algum sentido teórico.

  • Sem efeitos pesados: Diferente de Matrix, o filme foca mais na atuação e no ambiente do que em efeitos especiais mirabolantes para mostrar a tecnologia.

  • Metáfora social: Muita gente lê o filme como uma grande metáfora para o vício em drogas, já que o uso de "cristais" é o que faz os personagens transitarem entre os mundos.

Se você está a fim de um filme que não vai te dar todas as respostas e vai te fazer pensar na vida enquanto toma uma cerveja depois, Bliss vale o play. 


Uma Razão Para Viver (Breathe)

 

Eu estava navegando pelos catálogos de streaming outro dia, procurando algo que não fosse só explosão ou comédia vazia, e acabei parando em Uma Razão para Viver. O título original é Breathe, e confesso que ele entrega muito mais do que parece à primeira vista. Não é apenas um drama biográfico, é o tipo de história que faz a gente repensar o valor de conseguir tomar um café sozinho ou dar uma volta no quarteirão.

Se você gosta de cinema baseado em fatos, mas foge de roteiros que tentam te fazer chorar a qualquer custo, esse filme é uma boa pedida. Vou te contar por que ele vale o seu tempo, sem entregar nenhuma surpresa importante da trama.

A história real por trás de Breathe

O filme, lançado em 2017, conta a trajetória de Robin Cavendish. No final dos anos 50, ele era um cara aventureiro e cheio de vida que, de repente, se viu paralisado pela pólio aos 28 anos. Naquela época, o diagnóstico era praticamente uma sentença de morte ou, no mínimo, uma vida inteira confinado a uma cama de hospital, respirando por aparelhos.

O que me chamou a atenção na narrativa é como o roteiro foca na mobilidade. Em vez de se entregar ao pessimismo, Robin e sua esposa, Diana, decidem que a vida dele não seria limitada pelas paredes de uma clínica. Eles foram pioneiros no desenvolvimento de tecnologias que hoje parecem básicas, mas que na época foram revolucionárias para pessoas com deficiência.

Quem faz o filme acontecer: Direção e Elenco

Um ponto curioso aqui é a direção. Quem comanda o projeto é o Andy Serkis. Sim, o cara que deu vida ao Gollum em O Senhor dos Anéis e ao Caesar em Planeta dos Macacos. Essa foi a estreia dele como diretor, e ele mandou muito bem ao equilibrar o peso da doença com a leveza do humor britânico.

No elenco, temos o Andrew Garfield interpretando o Robin. Ele consegue passar a angústia e a determinação do personagem de um jeito muito sóbrio, sem excessos. Ao lado dele, Claire Foy (que muita gente conhece de The Crown) faz o papel da Diana. A química entre os dois é o que segura o filme. Não é aquele romance meloso de Hollywood, mas uma parceria prática de quem precisa resolver problemas reais para continuar vivo.

Bastidores, trilha sonora e onde o filme foi gravado

A produção não economizou no visual. As locações de filmagem se dividem entre as paisagens rurais da Inglaterra, como a histórica Hatfield House em Hertfordshire, e cenários na África do Sul. Essa mudança de cenário ajuda a dar a sensação de liberdade que o protagonista tanto buscava.

trilha sonora ficou por conta de Nitin Sawhney. A música é presente, mas não tenta ditar o que você deve sentir, o que eu aprecio bastante. Ela apenas acompanha o ritmo da história de forma natural.

No que diz respeito a reconhecimento, o filme foi bem recebido pela crítica e pelo público, garantindo uma nota 7.1 no IMDb. Ele também recebeu indicações importantes, incluindo duas nomeações ao BAFTA (o Oscar britânico), o que prova que a qualidade técnica acompanha a força da história.

Curiosidades e por que a nota do IMDb faz sentido

O que mais me impressionou quando terminei de assistir foi descobrir quem estava por trás da produção. O produtor do filme é Jonathan Cavendish, ninguém menos que o filho do verdadeiro Robin Cavendish. Isso explica por que o filme parece tão autêntico e respeitoso com a memória dos envolvidos.

Outra curiosidade bacana é que muitas das cadeiras de rodas adaptadas que aparecem nas cenas foram recriadas com base nos modelos originais desenvolvidos pelo Robin e seu amigo Teddy Hall. É um filme sobre engenharia e teimosia tanto quanto é sobre amor.

Se você está procurando uma narrativa fluida, que mostre a capacidade humana de adaptação sem precisar de clichês dramáticos, Uma Razão para Viver é a escolha certa para o seu próximo final de semana.