Ip Man 4: O Final (Ip Man 4: The Finale) (葉問4:完結篇)

 

Fala, beleza? Se você curte artes marciais, com certeza já ouviu falar do mestre que treinou ninguém menos que Bruce Lee. Ip Man 4: O Final (ou Ip Man 4: The Finale) encerra a saga de Donnie Yen com chave de ouro. Assisti ao filme recentemente e decidi organizar os pontos principais para quem quer entender por que essa franquia se tornou um marco do cinema de ação.

Sem enrolação e sem spoilers, vamos ao que interessa.

O mestre chega aos Estados Unidos

Diferente dos filmes anteriores, que se passavam na China ou em Hong Kong, aqui a história muda de ares. O diretor Wilson Yip leva o mestre Ip Man para os Estados Unidos da década de 60. O objetivo dele é buscar uma escola para o filho, mas o que ele encontra é um cenário de preconceito e resistência cultural.

O legal dessa narrativa é que ela coloca o Wing Chun em contraste com o caratê e o estilo de luta dos fuzileiros navais americanos. É um filme sobre legado. A gente vê um mestre já envelhecido, lidando com problemas de saúde, mas que ainda mantém aquela calma absurda antes de distribuir socos em alta velocidade.

Ficha técnica e elenco de peso

Para quem gosta de números e nomes, Ip Man 4 foi lançado em dezembro de 2019 e mantém uma recepção muito sólida. No IMDb, o filme ostenta uma nota 7.0, o que é bem alto para sequências de ação.

O elenco é o coração do projeto:

  • Donnie Yen: O cara é a alma do filme. Não consigo imaginar outro ator no papel.

  • Scott Adkins: Ele interpreta o vilão Barton Geddes. Se você gosta de lutas viscerais, sabe que o Adkins é um monstro na tela.

  • Danny Chan: Faz o papel de Bruce Lee e, olha, a semelhança física e os trejeitos são impressionantes.

As filmagens rolaram principalmente na China e no Reino Unido, que serviram de cenário para recriar a São Francisco daquela época.

Trilha sonora e reconhecimento

A trilha sonora fica por conta de Kenji Kawai, o mesmo compositor que deu o tom épico aos filmes anteriores. A música consegue ser nostálgica, trazendo aquele tema clássico que arrepia qualquer fã quando a luta principal começa.

Em termos de premiações, o filme não passou batido. Ele dominou as categorias técnicas no Hong Kong Film Awards, vencendo em áreas como:

  1. Melhor Edição.

  2. Melhor Design de Som.

  3. Melhor Coreografia de Ação (claro, vindo do mestre Yuen Woo-ping, não dava para esperar menos).

Curiosidades que você precisa saber

Separei alguns pontos que fazem a gente olhar para o filme com outros olhos:

  • A despedida de Donnie Yen: O ator declarou na época que este seria o seu último filme de artes marciais "raiz". Ele queria fechar esse capítulo da carreira com o personagem que o consagrou mundialmente.

  • O realismo das lutas: Apesar de ser cinema, as coreografias buscam respeitar a filosofia do Wing Chun. A luta contra o personagem de Scott Adkins é um exemplo brutal de técnica contra força bruta.

  • Bruce Lee no auge: O filme mostra a famosa demonstração de Bruce Lee no Long Beach International Karate Championships, um momento histórico real que foi recriado com perfeição.

Ip Man 4 é aquele tipo de filme que você assiste para ver porrada de qualidade, mas acaba ficando pela história de respeito e integridade. É um encerramento digno para uma das melhores quadrilogias de ação já feitas.


O Bebê de Rosemary (Rosemary's Baby)

 

Se você curte cinema, sabe que tem filmes que não precisam de sustos repentinos para te deixar desconfortável. O Bebê de Rosemary (ou Rosemary's Baby, no título original) é o rei dessa categoria. O clima de paranoia que ele constrói é impressionante, mesmo décadas depois do lançamento.

Vou te contar por que esse clássico de 1968 continua sendo uma aula de suspense psicológico sem precisar de um pingo de sangue.

Onde tudo começa: o novo apartamento e a vizinhança estranha

A trama é direta, sem enrolação. Rosemary Woodhouse, interpretada por uma Mia Farrow brilhante, e seu marido Guy (John Cassavetes), um ator em busca de sucesso, se mudam para o Edifício Bramford, em Nova York. O lugar tem uma fama meio sombria, mas eles ignoram os boatos.

Logo de cara, eles são "adotados" pelos vizinhos idosos, os Castevet. É aqui que o filme te pega. O diretor Roman Polanski faz um trabalho cirúrgico em transformar a gentileza excessiva dos vizinhos em algo sufocante. Quando Rosemary engravida, o que deveria ser um momento de alegria vira um pesadelo silencioso. Ela começa a perder o controle sobre a própria vida, a própria dieta e até sobre o próprio corpo.

A ficha técnica que explica o sucesso

Não é por acaso que o filme é um marco. Ele equilibra atuações viscerais com uma direção técnica impecável. Dá uma olhada nos dados que consolidam essa obra:

  • Data de Lançamento: 12 de junho de 1968.

  • Diretor: Roman Polanski (foi sua estreia em Hollywood).

  • Elenco Principal: Mia Farrow, John Cassavetes, Ruth Gordon e Sidney Blackmer.

  • Nota no IMDb: Atualmente ostenta sólidos 8.0/10.

  • Premiações: Ruth Gordon levou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo papel da vizinha invasiva Minnie Castevet. O filme também foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado.

Locações e a trilha sonora de arrepiar

Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a ambientação. O prédio onde tudo acontece existe de verdade: é o Edifício Dakota, no cruzamento da 72nd Street com a Central Park West, em Nova York. O prédio é imponente e ajuda a criar aquela sensação de isolamento, mesmo no meio de uma metrópole.

A trilha sonora merece um comentário à parte. Composta por Krzysztof Komeda, a música de abertura é uma canção de ninar cantada pela própria Mia Farrow. É simples, melódica e, por isso mesmo, bizarramente perturbadora. Ela dita o tom do filme: algo que deveria ser inocente, mas que esconde algo muito errado por trás.

Curiosidades que cercam o filme

Existem várias histórias de bastidores que tornam o filme ainda mais interessante (e um pouco macabro):

  1. O sacrifício de Mia Farrow: Para passar realismo, Polanski convenceu a atriz (que era vegetariana) a comer fígado de galinha cru em uma das cenas mais famosas.

  2. Problemas no casamento: Durante as filmagens, Frank Sinatra, então marido de Mia, enviou os papéis do divórcio para o set porque ela se recusou a abandonar a produção para participar de um filme dele.

  3. Realismo urbano: Em algumas cenas, Polanski mandou Mia Farrow atravessar ruas movimentadas de Nova York com o trânsito fluindo de verdade, confiando que os carros parariam.

Por que você deve assistir hoje?

O Bebê de Rosemary não é um filme de monstros óbvios. O terror aqui é a perda da autonomia e a dúvida se o que você está vivendo é real ou uma conspiração. É um filme sobre isolamento social e manipulação, temas que continuam bem atuais. Se você quer um suspense que te faça pensar e que te deixe com uma sensação estranha depois que os créditos sobem, esse é o filme.