A Substância (The Substance)

 

Fala, pessoal. Se você curte cinema que te tira da zona de conforto e te faz questionar os padrões de beleza e o passar do tempo, precisa conhecer A Substância (The Substance). Eu assisti ao filme recentemente e, olha, o negócio é intenso.

Vou destrinchar aqui o que você precisa saber sobre essa obra que está dando o que falar, sem estragar a sua experiência com spoilers.

O que é A Substância e por que todo mundo está comentando?

O filme é um body horror (terror corporal) satírico que bota o dedo na ferida da indústria do entretenimento. A história gira em torno de Elisabeth Sparkle, uma celebridade que, ao encarar o declínio da carreira por causa da idade, decide usar uma droga do mercado paralelo que promete criar uma "versão melhorada" de si mesma.

O título original é The Substance, e ele estreou mundialmente em setembro de 2024. A direção ficou por conta da francesa Coralie Fargeat, que já tinha mostrado a que veio no filme Vingança (2017). Aqui, ela eleva o nível da bizarrice visual e da crítica social. No IMDb, o longa sustenta uma nota sólida de 7.8/10, o que é bem alto para o gênero de terror.

Elenco de peso e atuações viscerais

O que segura o filme, além do roteiro ácido, é o elenco. Temos Demi Moore entregando, talvez, a performance da vida dela. Ela não teve medo de se expor. Ao lado dela, Margaret Qualley interpreta a versão jovem e "perfeita", entregando um contraste bizarro e magnético.

  • Direção: Coralie Fargeat

  • Protagonistas: Demi Moore, Margaret Qualley e Dennis Quaid

  • Trilha Sonora: Composta por Raffertie, a música é pulsante, industrial e ajuda a criar aquele clima de ansiedade constante.

As locações de filmagem ajudam a vender essa estética de "Hollywood artificial". Grande parte foi rodada em Paris e no sul da França, mas tudo com aquela cara de estúdio de TV americano plastificado.

Premiações e o impacto no cinema de terror

Não pense que é só "sangue e nojeira". O filme foi ovacionado em grandes festivais. No Festival de Cannes 2024, Coralie Fargeat levou o prêmio de Melhor Roteiro. Isso mostra que, por trás do visual chocante, existe uma base narrativa muito bem construída sobre o que a sociedade espera das mulheres.

A crítica especializada elogiou a coragem de Demi Moore em abraçar um papel tão físico e degradante, algo raro para estrelas do escalão dela. O filme já é considerado um dos melhores do ano por quem curte um cinema mais "pé na porta".

Curiosidades que você precisa saber antes de dar o play

Para quem gosta de bastidores, A Substância tem alguns detalhes interessantes:

  1. Homenagens: O filme bebe muito da fonte de diretores como David Cronenberg e Stanley Kubrick. Você vai notar referências visuais a O Iluminado em vários corredores.

  2. Maquiagem Real: Grande parte dos efeitos visuais foi feita com maquiagem prática e próteses, evitando o excesso de CGI para passar uma sensação mais visceral e real.

  3. Dennis Quaid: O ator entrou no projeto para substituir Ray Liotta, que faleceu antes de começar a filmar. Quaid entrega um personagem caricato e detestável na medida certa.

Em resumo, A Substância é um soco no estômago sobre a busca pela perfeição. É um filme desconfortável, visualmente impecável e que vai te fazer pensar duas vezes antes de desejar ter 20 anos de novo.


Amarcord

 

Fala, pessoal. Se você gosta de cinema de verdade, é impossível passar batido por Amarcord. Esse é aquele tipo de filme que não se assiste apenas; você experimenta. É uma imersão na memória de um dos maiores gênios da sétima arte.

Abaixo, fiz um apanhado geral sobre a obra, focado no que você precisa saber antes (ou depois) de dar o play, sem estragar as surpresas da trama.

O que é Amarcord e por que ele é um clássico?

O título já entrega muita coisa. Amarcord vem da expressão romagnola "a m'arcord", que significa "eu me lembro". O filme é basicamente um mergulho nas memórias de infância e juventude do diretor em uma Itália dos anos 30, sob a sombra do fascismo, mas vista pelos olhos de quem estava mais preocupado com as mulheres da vila e as confusões do dia a dia.

título original é apenas Amarcord, e o filme foi lançado oficialmente em 1973. O que temos aqui não é uma história com começo, meio e fim tradicionais, mas sim uma colagem de momentos. É engraçado, é estranho e, acima de tudo, é muito visual.

Direção, elenco e a atmosfera de Rimini

A direção fica por conta de ninguém menos que Federico Fellini. Se você conhece o termo "felliniano", é aqui que ele atinge o seu ápice. Fellini não queria apenas mostrar a realidade; ele queria mostrar como a memória distorce a realidade, deixando tudo mais exagerado e caricato.

No elenco, não espere grandes estrelas de Hollywood. Fellini preferia tipos físicos interessantes e rostos que contassem histórias. Alguns nomes que se destacam:

  • Bruno Zanin (como o jovem Titta)

  • Magali Noël (a icônica Gradisca)

  • Pupella Maggio

  • Armando Brancia

As locações de filmagem são curiosas. Embora a história se passe em Rimini, cidade natal de Fellini, a maior parte do filme foi rodada nos estúdios da Cinecittà, em Roma. Ele reconstruiu a cidade inteira lá dentro para ter controle total sobre a "luz dos sonhos" que queria passar.

Trilha sonora e o reconhecimento da crítica

Não dá para falar de Amarcord sem mencionar a trilha sonora. Ela foi composta por Nino Rota, o cara que também deu o tom de O Poderoso Chefão. A música tema é daquelas que grudam na cabeça e definem perfeitamente o tom agridoce do filme — uma mistura de nostalgia com uma leve melancolia.

No que diz respeito à recepção, o filme é um gigante:

  • Nota IMDb: Atualmente mantém sólidos 7.9/10, o que é altíssimo para um filme de arte da década de 70.

  • Premiações: Levou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1975 e foi indicado nas categorias de Melhor Diretor e Melhor Roteiro Original.

Curiosidades que você precisa saber

Para quem gosta de detalhes técnicos e fofocas de bastidor, Amarcord é um prato cheio. Separei alguns pontos interessantes:

  1. Personagem Real: O protagonista Titta foi inspirado em um amigo de infância real de Fellini, chamado Titta Benzi.

  2. O Mar de Plástico: Sabe a cena famosa do navio? O mar foi feito inteiramente com lençóis de plástico balançados pela equipe técnica. O efeito ficou propositalmente artificial para reforçar a ideia de "lembrança".

  3. Fascismo no cotidiano: O filme mostra o regime fascista não como um documentário histórico pesado, mas como algo que fazia parte do ridículo cotidiano das pessoas daquela época.

Se você procura um filme que foge do óbvio e quer entender por que Fellini é um dos pilares do cinema moderno, Amarcord é a porta de entrada ideal. É uma obra sobre o tempo, sobre crescer e sobre como nossas memórias são, no fundo, a nossa única posse real.