A Revolta dos Sete Homens (Guns of the Magnificent Seven)

 

Se você curte um bom faroeste, daqueles "raiz", com pouca conversa e muita ação, provavelmente já cruzou com o título A Revolta dos Sete Homens. Eu decidi rever esse clássico recentemente e resolvi organizar o que você precisa saber antes de dar o play.

Este não é o filme original de 1960, mas sim a segunda sequência da franquia iniciada por Sete Homens e um Destino. O clima aqui é de missão de resgate, com aquele estilo clássico de montar um time de especialistas para encarar uma tarefa impossível.

Onde tudo começa: Ficha Técnica e Direção

O filme, cujo título original é Guns of the Magnificent Seven, foi lançado em 30 de julho de 1969. Diferente do primeiro longa, que teve a assinatura de John Sturges, este aqui foi comandado pelo diretor Paul Wendkos.

Wendkos trouxe uma pegada mais direta para a história. O roteiro não perde tempo com floreios sentimentais; ele foca na estratégia e na tensão da guerrilha mexicana. Para quem gosta de detalhes técnicos, a nota no IMDb atualmente gira em torno de 5.5, o que eu considero uma avaliação honesta para um filme que cumpre o que promete sem tentar reinventar a roda.

O novo líder e o bando de mercenários

Uma das maiores curiosidades aqui é a mudança no protagonista. O icônico Chris Adams, antes vivido por Yul Brynner, agora ganha o rosto de George Kennedy. Eu achei a troca interessante: Kennedy traz uma postura mais bruta e menos "aristocrática" que Brynner.

O elenco conta ainda com nomes de peso da época:

  • James Whitmore (Levi Morgan)

  • Monte Markham (Keno)

  • Bernie Casey (Cassie)

  • Joe Don Baker (Slater)

A trama é simples: Chris é contratado para libertar um líder revolucionário mexicano de uma fortaleza quase impenetrável. Para isso, ele precisa recrutar seis homens com habilidades específicas — desde peritos em explosivos até atiradores de elite. É o tipo de narrativa fluida que não te deixa entediado.

Trilha sonora e os cenários de Almería

Não tem como falar de Sete Homens sem mencionar a música. A trilha sonora continua sendo baseada no tema lendário de Elmer Bernstein. Mesmo sendo uma sequência, quando aquele tema principal sobe, você imediatamente entra no clima do Velho Oeste. É, sem dúvida, uma das composições mais marcantes do cinema.

Sobre as locações de filmagem, o filme seguiu a tendência dos "Spaghetti Westerns" da época, apesar de ser uma produção americana. Grande parte das cenas foi rodada na Espanha, especificamente em Almería e nos arredores de Madrid. Aqueles desertos áridos e desfiladeiros que vemos na tela passam total credibilidade de que estamos no meio do México revolucionário.

Premiações e Curiosidades de bastidores

Vamos ser diretos: este filme não foi feito para ganhar o Oscar. Diferente do original, ele não coleciona grandes premiações, focando mais no entretenimento de massa e no mercado de filmes de ação da virada da década de 60 para 70.

Ainda assim, existem curiosidades que valem o registro:

  1. George Kennedy foi o segundo de três atores a interpretar Chris Adams no cinema (o terceiro foi Lee Van Cleef no filme seguinte).

  2. Foi um dos primeiros grandes papéis de Bernie Casey, que antes de ser ator, foi um jogador profissional de futebol americano na NFL.

  3. O filme é notável por ter um elenco mais diverso que o habitual para a época, incluindo atores negros e latinos em papéis de destaque na equipe dos sete.

Se você está procurando um filme de faroeste honesto, com boa dose de pólvora e uma estrutura clássica de "formação de equipe", A Revolta dos Sete Homens merece uma chance na sua lista.



Trainspotting

 

Se você está procurando um filme que defina uma geração sem firulas ou lições de moral baratas, Trainspotting é o seu ponto de partida. Eu assisti a esse filme esperando uma coisa e recebi um soco no estômago — mas do tipo que te faz querer levantar e entender o que aconteceu.

Lançado em 1996, com o título original mantido aqui no Brasil, o longa é baseado no livro de Irvine Welsh e dirigido por Danny Boyle. O cara conseguiu capturar uma Edimburgo que não está nos cartões-postais, cheia de sujeira, ironia e uma busca frenética por qualquer coisa que não seja uma vida medíocre.

O elenco e a direção que mudaram o cinema britânico

O que me chama a atenção em Trainspotting é como o elenco parece estar vivendo aquilo de verdade. Ewan McGregor entrega o papel da vida dele como Renton, o protagonista que tenta (e falha miseravelmente várias vezes) se limpar. Ao lado dele, temos figuras como Ewen Bremner (Spud), Jonny Lee Miller (Sick Boy), Kevin McKidd (Tommy) e o insano Robert Carlyle como Begbie — um sujeito que eu não gostaria de encontrar em bar nenhum do mundo.

Danny Boyle, o diretor, usa uma linguagem visual rápida, quase como um videoclipe, mas com uma substância que poucos conseguem atingir. Ele não tenta te convencer de que aquela vida é glamorosa; ele apenas mostra como ela é, com uma honestidade bruta que falta em muito filme atual.

Uma trilha sonora que vale por um filme inteiro

Eu não posso falar de Trainspotting sem mencionar a trilha sonora. É, sem exagero, uma das melhores da história do cinema. Ela dita o ritmo de tudo.

Temos desde o hino "Lust for Life", do Iggy Pop, que abre o filme naquela correria icônica, até a imersão eletrônica de "Born Slippy", do Underworld. Passando por Lou Reed e Brian Eno, a música aqui não é só fundo; ela é personagem. Se você fechar os olhos e ouvir a trilha, consegue visualizar as cenas de tanta força que as faixas têm.

Curiosidades, locações e os números de Trainspotting

Muita gente acha que o filme foi todo rodado em Edimburgo, já que a história se passa lá. Mas a real é que a grande maioria das locações de filmagem foi em Glasgow. A produção não tinha muita grana na época, então tiveram que se virar como podiam.

Aqui vão alguns pontos que talvez você não saiba:

  • Nota no IMDb: Atualmente ostenta um respeitável 8.1, o que não é pouco para um filme tão visceral.

  • Premiações: Levou o BAFTA de Melhor Roteiro Adaptado e foi indicado ao Oscar na mesma categoria.

  • A cena do banheiro: Aquela cena nojenta do "Pior Banheiro da Escócia"? Relaxa, o que parecia sujeira era, na verdade, chocolate derretido.

  • Preparação: Ewan McGregor perdeu muito peso e até pensou em experimentar algumas substâncias para entender o personagem, mas desistiu da ideia (ainda bem).

Por que você deve assistir (ou rever) hoje mesmo

No fim das contas, Trainspotting não é sobre drogas. É sobre escolhas. O famoso monólogo "Choose Life" (Escolha a Vida) resume bem o espírito da coisa: a crítica ao consumismo, às famílias de comercial de TV e à pressão de ser "alguém" na sociedade.

É um filme rápido, sujo e extremamente inteligente. Se você gosta de cinema que te faz pensar sem ser chato, ele é obrigatório. Sem spoilers, só te digo uma coisa: o final é tão cínico e realista quanto o resto da trama, e é exatamente por isso que funciona tão bem.