Os Bárbaros (The Barbarians)

 

Se você cresceu assistindo ao "Cinema em Casa" no SBT ou garimpando fitas VHS nas locadoras, com certeza já deu de cara com a capa de Os Bárbaros (1987). O filme é uma cápsula do tempo perfeita daquela era de fantasia "brucutu" que tentava surfar na onda de Conan, o Bárbaro.

Vou direto ao ponto: não é uma obra-prima do roteiro, mas é um clássico cult que entrega exatamente o que promete: músculos, espadas e uma dose cavalar de testosterona dos anos 80.

O que é Os Bárbaros (1987)?

O título original é The Barbarians. O filme foi lançado em março de 1987 e traz aquela estética italiana de baixo orçamento que a gente tanto gosta. A direção ficou por conta de Ruggero Deodato. Sim, o mesmo cara de Holocausto Canibal, mas aqui ele segura a mão no gore e foca na aventura fantástica.

A história gira em torno de dois irmãos gêmeos, Kutchek e Gore, que são separados na infância após sua tribo ser atacada pelo vilão Kadar. Eles crescem como escravos, ficam gigantes de fortes e, obviamente, partem em uma jornada de vingança para libertar seu povo e a Rainha Canary.

Elenco e a Presença dos Irmãos Barbarian

O grande chamariz aqui são os protagonistas. Os gêmeos são interpretados por Peter Paul e David Paul, conhecidos na vida real como "The Barbarian Brothers". Eles eram fisiculturistas famosos na época, conhecidos pelo shape imenso e pelo estilo de vida excêntrico.

  • Atores principais: Peter Paul, David Paul, Richard Lynch (como o vilão Kadar) e Eva LaRue.

  • Nota IMDb: Atualmente, o filme sustenta uma nota 4.9/10

Pode parecer baixo para os padrões de hoje, mas para quem entende de "filme B", essa nota é quase um selo de diversão garantida. O filme não se leva a sério, e os irmãos Paul passam boa parte do tempo gritando e fazendo piadas, o que dá um tom de comédia involuntária bem honesto.

Produção: Trilha Sonora e Locações

A trilha sonora foi composta por Pino Donaggio. O cara é um monstro da indústria e trabalhou muito com Brian De Palma. A música consegue dar uma escala épica para cenas que, visualmente, são bem simples.

As filmagens rolaram majoritariamente na Itália, aproveitando as paisagens montanhosas e castelos que dão aquele ar de "Terra Média de baixo orçamento" que funciona muito bem na tela.

Curiosidades e Bastidores

Mesmo sendo um filme de nicho, existem alguns fatos interessantes sobre a produção:

  1. Sem Premiações: Como era de se esperar, o filme não levou nenhum Oscar ou Globo de Ouro. Ele foi feito para o mercado de entretenimento rápido e vídeo doméstico.

  2. Improviso: Dizem que muito do diálogo entre os irmãos foi improvisado. A química (e a loucura) entre David e Peter era real.

  3. Figurino: Os figurinos são o ápice do kitsch dos anos 80. Couro, peles de animais e quase nenhuma camisa.

  4. Influência: O filme é um dos pilares do subgênero "Sword & Sorcery" (Espada e Feitiçaria) que dominou a década de 80.

Por que assistir hoje em dia?

Se você procura um roteiro profundo ou efeitos especiais de ponta, passe longe. Agora, se você quer ver uma aventura raiz, com efeitos práticos, vilões caricatos e dois caras que parecem ter saído de uma propaganda de suplemento alimentar dos anos 80, Os Bárbaros é a escolha certa. É um filme honesto: ele sabe o que é e não tenta ser nada além disso.

É o tipo de produção que fica melhor se assistida com amigos, comentando as cenas absurdas e aproveitando a nostalgia de uma época onde o cinema de fantasia era bem mais "sujo" e artesanal.


Frida


Fala, pessoal. Se você curte cinema biográfico ou simplesmente quer entender quem foi a mulher por trás das sobrancelhas marcantes e das cores vibrantes, o filme Frida é parada obrigatória.

Eu assisti ao longa com um olhar mais técnico e menos romântico, e vou direto ao ponto: o filme é um soco visual. Não é apenas uma história de amor sofrida; é o retrato de uma sobrevivente que usou a arte como válvula de escape.

O que você precisa saber sobre a produção

O título original é apenas Frida, e o filme chegou aos cinemas em 2002. A direção ficou por conta de Julie Taymor, que trouxe uma estética bem peculiar, misturando a realidade com elementos surreais que lembram as próprias pinturas da protagonista.

No elenco, temos Salma Hayek entregando o papel da vida dela. Ela não só interpretou, como lutou anos para tirar esse projeto do papel. Ao lado dela, Alfred Molina faz o papel de Diego Rivera. O cara conseguiu passar exatamente aquela vibe de gênio talentoso, mas completamente insuportável no convívio pessoal. Ainda temos participações de Antonio Banderas, Edward Norton e Geoffrey Rush.

No IMDb, o filme mantém uma nota sólida de 7.4/10, o que eu considero justo pela entrega técnica e atuação.

Premiações e a Trilha Sonora que dita o ritmo

Não dá para falar de Frida sem mencionar a música. O filme levou 2 Oscars:

  1. Melhor Trilha Sonora Original (Elliot Goldenthal);

  2. Melhor Maquiagem.

A trilha é fundamental. Ela não fica ali só de fundo; ela dita o cansaço, a euforia e a dor da Frida. O uso de canções tradicionais mexicanas, como "La Llorona" (na voz marcante de Chavela Vargas), traz um peso absurdo para as cenas. É o tipo de som que você termina o filme e vai procurar no Spotify.

Locações e a imersão no México Real

Um ponto que eu valorizo muito é a autenticidade. O filme não foi feito em um estúdio qualquer em Hollywood. Grande parte das filmagens aconteceu no próprio México, utilizando locações reais como:

  • Cidade do México;

  • San Angel;

  • Teotihuacán (as pirâmides aparecem em momentos chave);

  • Estúdios Churubusco.

Essa escolha faz toda a diferença na fotografia. Você sente o clima seco, as cores das paredes e a textura das ruas. Parece que a gente está andando pela Casa Azul junto com os personagens.

Curiosidades que você provavelmente não sabia

Para fechar, separei alguns fatos que tornam a experiência de assistir ao filme mais interessante:

  • Pinturas reais: Muitas das obras que aparecem sendo pintadas no filme foram feitas pela própria Salma Hayek, que praticou muito para dar veracidade aos movimentos dos pincéis.

  • A sobrinha de Frida: A sobrinha-neta da pintora ficou tão impressionada com a semelhança de Salma que deu a ela um par de brincos que pertenceram à Frida original.

  • Chavela Vargas: A mulher idosa que aparece cantando em um bar no filme é Chavela Vargas, que na vida real foi amiga íntima (e dizem, amante) da própria Frida Kahlo.

No fim das contas, o filme mostra como a Frida transformou um acidente trágico e um relacionamento tóxico em combustível criativo. É um filme sobre resistência, sem melaço excessivo, focado na força de uma mulher que se recusou a ser uma vítima das circunstâncias.