O Advogado dos 5 Crimes (A Murder of Crows)

 

Se você curte thrillers de tribunal que não te fazem de bobo, O Advogado dos 5 Crimes (título original: A Murder of Crows) é aquele tipo de filme que merece uma conferida. Assisti recentemente e resolvi colocar no papel o que faz esse filme ser um "achado" no catálogo de suspense dos anos 90.

Aqui está um guia direto ao ponto para você entender por que essa trama ainda segura a onda.

O Enredo: Um Dilema de Ética e Sangue

A história gira em torno de Russell Spivey, um advogado de defesa brilhante, mas que está com a corda no pescoço. Ele acaba sendo suspenso e resolve escrever um livro. O problema começa quando ele publica um manuscrito que não é dele — e esse livro descreve, com detalhes bizarros, cinco assassinatos reais de advogados que ainda não foram resolvidos.

A narrativa é seca e focada na paranoia. Como o cara vai provar que não é o assassino, se ele lucrou em cima de crimes reais que "fingiu" ter inventado? É um jogo de gato e rato onde a moralidade é o que menos importa.

Ficha Técnica e Onde o Filme se Situa

Para quem gosta de dados técnicos e quer saber se a nota vale o play, aqui estão os detalhes brutos:

  • Data de Lançamento: 1998 (direto para vídeo em alguns mercados, mas ganhou força depois).

  • Diretor: Rowdy Herrington.

  • Nota IMDb: Atualmente mantém um honesto 6.3/10.

  • Premiações: Não foi um imã de Oscars, mas é reconhecido por fãs do gênero como um cult classic de suspense jurídico.

Elenco de Peso

O filme é carregado pelas atuações. Temos o Cuba Gooding Jr. no auge da carreira (logo após o Oscar por Jerry Maguire), entregando um Russell Spivey cínico e desesperado. Ao lado dele, o lendário Tom Berenger traz aquela presença bruta que o papel exige.

Produção: Trilha Sonora e Locações

A ambientação ajuda muito na imersão. O filme se passa e foi filmado em locais que exalam uma atmosfera pesada, como New Orleans (Luisiana) e partes da Flórida, nos EUA. A arquitetura gótica de New Orleans combina perfeitamente com o clima de mistério.

trilha sonora, composta por Steve Porcaro (sim, o tecladista do Toto), é sutil. Ela não tenta te assustar com barulhos repentinos; ela mantém uma tensão constante, lembrando que o cerco está fechando para o protagonista.

Curiosidades que Você Precisa Saber

Mesmo sendo um filme mais direto, os bastidores têm seus pontos interessantes:

  • Título Original: A Murder of Crows. Em inglês, um grupo de corvos é chamado de "a murder", o que faz um trocadilho inteligente com os assassinatos da trama.

  • Roteiro: O diretor Rowdy Herrington também assinou o roteiro, o que dá ao filme uma visão muito coesa do início ao fim.

  • O "Pulo do Gato": O filme explora muito bem a ideia do plágio literário, algo que não era tão comum em suspenses de tribunal daquela época.

Veredito: Se você gosta de filmes como As Duas Faces de um Crime ou A FirmaO Advogado dos 5 Crimes é uma pedida segura. Não espere explosões, espere diálogos afiados e uma reviravolta que te faz pensar sobre quem realmente é o culpado.



Os Últimos Passos de um Homem (Dead Man Walking)

 

Se você está procurando um soco no estômago em forma de cinema, chegou ao lugar certo. Eu assisti a Os Últimos Passos de um Homem (Dead Man Walking) e decidi colocar no papel por que esse filme, mesmo décadas depois, ainda é uma referência brutal sobre a natureza humana e o sistema judiciário.

Abaixo, conto um pouco da minha experiência com a obra, sem entregar o final, mas passando por todos os detalhes técnicos que fazem dele um clássico.

O encontro com o corredor da morte

Logo de cara, o filme me jogou em uma realidade desconfortável. A trama acompanha a Irmã Helen Prejean, uma freira que decide aceitar o pedido de ajuda de Matthew Poncelet, um condenado à morte. O que me chamou a atenção foi a falta de maniqueísmo. O cara não é um "coitadinho" injustiçado; ele é um homem arrogante, difícil de engolir e culpado por crimes terríveis.

A narrativa não tenta te convencer de que ele é inocente. O foco é outro: a dignidade humana e o peso da justiça. A direção de Tim Robbins é seca, direta e evita aquele drama barato de novela. Ele filma o corredor da morte como ele é: frio e burocrático.

Atuações que carregam o filme nas costas

Não dá para falar desse filme sem exaltar o elenco. Sean Penn entrega uma das melhores performances da carreira como Poncelet. Ele consegue transitar entre o desprezível e o vulnerável sem esforço. Já Susan Sarandon é o norte moral da história. Ela não é uma santa intocável, mas uma mulher tentando entender como exercer a compaixão em um ambiente de puro ódio.

Aqui estão os dados técnicos para quem gosta de números:

  • Título Original: Dead Man Walking

  • Data de Lançamento: 29 de dezembro de 1995 (EUA)

  • Diretor: Tim Robbins

  • Elenco Principal: Susan Sarandon, Sean Penn, Robert Prosky, Raymond J. Barry.

  • Nota IMDb: 7.5/10

Premiações e a trilha sonora de peso

O reconhecimento veio rápido. O filme não passou batido pelas grandes premiações de 1996. Susan Sarandon levou o Oscar de Melhor Atriz, uma vitória mais do que merecida. Sean Penn também foi indicado a Melhor Ator, e Tim Robbins à Melhor Direção.

Outro ponto que me pegou foi a trilha sonora. Nada de orquestras exageradas. A música tema foi composta por ninguém menos que Bruce Springsteen. A faixa principal, que carrega o nome do filme, dita o tom solitário da jornada de Poncelet. Além do "The Boss", a trilha conta com nomes como Johnny Cash e Patti Smith, o que traz uma pegada folk/rock bem crua.

Curiosidades e locações reais

Para quem curte os bastidores, o filme foi rodado em Nova Orleans e na Louisiana, inclusive dentro da famosa Prisão de Angola (Louisiana State Penitentiary). Isso traz uma camada de realismo que estúdios de Hollywood raramente conseguem replicar.

Algumas curiosidades rápidas:

  1. História Real: O roteiro é baseado no livro autobiográfico da verdadeira Irmã Helen Prejean.

  2. Preparação: Sean Penn passou muito tempo conversando com prisioneiros reais para pegar o sotaque e os trejeitos de quem vive atrás das grades.

  3. Parentesco: Os filhos e a mãe de Susan Sarandon fazem pequenas participações no filme.

Vale a pena assistir hoje?

Sim. Se você gosta de um cinema que te faz pensar por dias, Os Últimos Passos de um Homem é essencial. Ele não te dá respostas prontas sobre pena de morte ou perdão; ele apenas te obriga a olhar para o rosto de quem está prestes a morrer e decidir o que você sente sobre isso. É um filme de poucas palavras e muita intensidade.