A Volta dos Sete Homens (Return of the Seven)

 

Se você curte um bom faroeste, com certeza já ouviu falar de Sete Homens e um Destino. Mas hoje eu vim falar da sequência: A Volta dos Sete Homens (título original: Return of the Seven). Eu revi o filme recentemente e decidi organizar os pontos principais para quem quer entender se essa continuação de 1966 mantém o nível do clássico original ou se é apenas mais um "tiro no escuro" de Hollywood.

O retorno de Chris Adams: O que esperar dessa sequência

Lançado oficialmente em 29 de outubro de 1966, o filme tenta resgatar aquela atmosfera de honra e pólvora que marcou o início da década. A trama se passa alguns anos após o primeiro longa. O líder do grupo, Chris Adams, precisa reunir um novo time para resolver um problema em uma vila mexicana.

Desta vez, o pretexto é o sequestro de camponeses (incluindo um dos sobreviventes do primeiro filme) para trabalharem como escravos na reconstrução de uma cidade morta. É uma narrativa direta, sem muitas firulas sentimentais. Eu diria que é um filme de "missão", onde o foco é o recrutamento e a execução do plano. Se você gosta de ver a dinâmica de um grupo sendo formado, essa parte é bem sólida.

Elenco, direção e os detalhes técnicos por trás das câmeras

No comando da direção temos Burt Kennedy, um sujeito que já tinha bastante rodagem no gênero western. Mas vamos ser sinceros: a grande estrela aqui é Yul Brynner. Ele foi o único do elenco principal original que aceitou voltar para o papel.

Aqui estão alguns dados técnicos para você se situar:

  • Diretor: Burt Kennedy.

  • Elenco Principal: Yul Brynner (Chris), Robert Fuller (Vin), Julian Mateos (Chico), Warren Oates (Colbee) e Claude Akins (Frank).

  • Nota IMDb: O filme segura uma média em torno de 5.5, o que mostra que ele é bem mais simples que o seu predecessor.

  • Premiações: O destaque absoluto vai para a indicação ao Oscar de Melhor Trilha Sonora Adaptada.

A substituição de nomes como Steve McQueen e Charles Bronson por Robert Fuller e outros atores muda um pouco a química do grupo, mas Yul Brynner ainda entrega aquela presença imponente que o personagem exige.

Trilha sonora, locações e as curiosidades de bastidores

Se tem uma coisa que não decepciona é a trilha sonora. O lendário Elmer Bernstein voltou para trabalhar os temas, garantindo que aquela marcha icônica do faroeste estivesse presente. É o tipo de música que faz você querer montar num cavalo e sair cavalgando, mesmo que nunca tenha chegado perto de um.

Sobre as locações de filmagem, o filme não foi rodado no México, mas sim na Espanha, especificamente em áreas de Almería e arredores de Madrid. Naquela época, a Espanha era o "pátio de recreio" dos diretores de faroeste devido aos custos baixos e paisagens que passavam facilmente pelo Velho Oeste ou pelo México.

Algumas curiosidades rápidas:

  1. Steve McQueen não voltou porque, na época, ele e Yul Brynner não se bicavam muito nos sets.

  2. Este foi o primeiro de três filmes que tentaram dar continuidade à saga original no cinema.

  3. Embora seja uma produção americana, a pegada visual já flertava um pouco com o que o Western Spaghetti estava fazendo na Europa.

Vale a pena assistir hoje em dia? Minha análise sincera

Para fechar o papo, A Volta dos Sete Homens é um filme para quem é fã do gênero e não é exigente demais com roteiros complexos. Ele entrega o que promete: tiroteios, homens de poucas palavras e uma trilha sonora de primeira. Não tenta reinventar a roda, apenas segue a trilha deixada pelo primeiro filme.

Eu vejo esse longa como um passatempo honesto. Se você já assistiu ao clássico de 1960 e quer ver o que aconteceu com Chris Adams, vale o play. É um faroeste "raiz", focado na ação e na camaradagem bruta entre os pistoleiros.


Trinity Ainda é Meu Nome (...continuavano a chiamarlo Trinità)

 

Se você curte um bom bang-bang, mas está cansado daquela seriedade toda dos filmes de faroeste tradicionais, precisa parar um pouco e olhar para Trinity Ainda é Meu Nome. Eu já vi esse filme dezenas de vezes e, para mim, ele continua sendo a prova de que pancadaria e humor caminham muito bem juntos quando o roteiro é bem feito.

Lançado originalmente em 21 de outubro de 1971, esse longa é a sequência direta do já icônico Lo chiamavano Trinità.... O título original, "...continuavano a chiamarlo Trinità", resume bem o que encontramos: a continuação das trapalhadas de dois irmãos que são o oposto um do outro, mas que funcionam perfeitamente na tela.

O Fenômeno de Terence Hill e Bud Spencer

Não tem como falar desse filme sem citar a dupla dinâmica: Terence Hill e Bud Spencer. O diretor Enzo Barboni (que usava o pseudônimo de E.B. Clucher) foi um gênio ao perceber que o público queria ver o Trinity (Hill), o "mão esquerda do diabo", e seu irmão Bambino (Spencer), o "mão direita do diabo", em situações absurdas.

A dinâmica é simples e direta, sem enrolação. O Trinity é o cara rápido, esperto e sempre sujo, enquanto o Bambino é a força bruta que só queria paz, mas acaba sempre no meio de uma confusão. O elenco ainda conta com nomes como Yanti Somer e Harry Carey Jr., mas vamos ser sinceros: a gente assiste por causa dos dois gigantes.

Bastidores, Trilha Sonora e Locações de Tirar o Fôlego

O que me chama a atenção em Trinity Ainda é Meu Nome é a parte técnica, que muitas vezes passa batida. A trilha sonora é assinada pelos irmãos Guido & Maurizio De Angelis (conhecidos como Oliver Onions). É aquele tipo de música que gruda na cabeça e dita o ritmo das cenas de luta, que mais parecem uma coreografia de dança de tanto tapa sincronizado.

Sobre as locações de filmagem, muita gente acha que o filme foi rodado nos EUA, mas a verdade é que o "Velho Oeste" deles era a Itália. As cenas foram gravadas em lugares como Campo Imperatore (no Gran Sasso), Lazio e arredores de Roma. A fotografia aproveita as montanhas e planícies italianas de um jeito que você realmente acredita estar na fronteira americana.

Sucesso de Crítica e Prêmios de um Gigante do Cinema

Eu não sou o único que gosta desse filme. No IMDb, ele mantém uma nota sólida de 7.2, o que é excelente para uma comédia de ação dos anos 70. Ele não é apenas um "filme de pancadaria"; é um marco cultural que ajudou a definir o subgênero "Western Spaghetti" cômico.

Em termos de premiações, o filme foi um sucesso comercial estrondoso na Europa. Ele chegou a ganhar o Golden Screen na Alemanha, um prêmio dado a filmes que alcançam marcas impressionantes de bilheteria em um curto período. Na época, ele superou produções de Hollywood com orçamentos muito maiores, provando que o carisma da dupla era imbatível.

Curiosidades que Você Provavelmente Não Sabia

Para fechar o papo, separei alguns detalhes que mostram por que esse filme é diferente:

  • O Comedor de Feijão: Aquela cena famosa do Trinity comendo um prato inteiro de feijão não foi fingimento. Terence Hill ficou 24 horas sem comer para devorar tudo de uma vez e dar realismo à cena.

  • Velocidade Real: A rapidez de Terence Hill com o revólver e nos tapas não era efeito de câmera. Ele realmente era absurdamente rápido, o que facilitava muito o trabalho do diretor Enzo Barboni.

  • Dublês: Bud Spencer e Terence Hill faziam a grande maioria das suas cenas de luta. A química entre eles era tão real que os erros de gravação muitas vezes eram mantidos porque ficavam mais engraçados.

Se você está procurando um filme para relaxar, ver uns vilões levando uns tabefes bem dados e dar risada com um humor limpo e eficiente, Trinity Ainda é Meu Nome é a escolha certa. É cinema raiz, sem frescura.