O Predador: A Caçada (Prey)

 

Se você é fã de ficção científica e ação, sabe que a franquia do caçador intergaláctico estava precisando de um fôlego novo. Depois de algumas sequências que não entregaram o esperado, eu decidi dar uma chance para O Predador: A Caçada (título original: Prey). Vou direto ao ponto: o filme é um acerto.

Neste texto, vou analisar o que faz esse longa funcionar, passando pelos detalhes técnicos e curiosidades, sem te entregar nenhum spoiler que estrague a experiência.

O resgate da essência em O Predador: A Caçada

Muita gente se pergunta se precisava de mais um filme do Predador. Eu respondo: desse jeito aqui, sim. Lançado em 5 de agosto de 2022, o filme abandonou a tecnologia exagerada e as cidades grandes para voltar ao básico: a caça.

A direção ficou nas mãos de Dan Trachtenberg, o mesmo cara que mandou muito bem em Rua Cloverfield, 10. Ele entendeu que o Predador é mais assustador quando é uma ameaça invisível e implacável em um ambiente selvagem. A escolha de situar a trama em 1719, focando na Nação Comanche, foi o diferencial para tirar a franquia do lugar comum.

Elenco, locações e a pegada realista

O filme é focado. Não tem um exército de personagens descartáveis. A protagonista é Naru, vivida por Amber Midthunder, que entrega uma atuação física e direta. No elenco, ainda temos Dakota Beavers como Taabe e Dane DiLiegro por baixo da máscara do Predador.

Um ponto que me chamou a atenção foram as locações de filmagem. O filme foi rodado em Calgary, Alberta, no Canadá, especificamente nas terras da Primeira Nação Stoney Nakoda. A cinematografia aproveita a luz natural e as florestas densas, o que dá um tom cru e realista para a produção. Não parece um cenário de estúdio; você sente o frio e o perigo da mata.

Recepção crítica: Nota IMDb e premiações

Se você costuma checar os números antes de dar o play, saiba que o filme foi muito bem recebido. Atualmente, mantém uma nota 7.1 no IMDb, o que é uma marca respeitável para um filme de gênero que saiu direto no streaming (Hulu/Disney+).

No circuito de premiações, O Predador: A Caçada não passou batido. Ele fez história ao ser indicado a seis prêmios Emmy, incluindo Melhor Filme de Televisão e Direção. Acabou levando o Emmy de Melhor Edição de Som, o que faz total sentido quando você ouve o filme em um bom sistema de áudio.

Trilha sonora e curiosidades de bastidores

trilha sonora é assinada por Sarah Schachner. Ela conseguiu misturar instrumentos tradicionais indígenas com sons eletrônicos modernos, criando uma tensão que não te deixa relaxar. É um trabalho minimalista que dita o ritmo da sobrevivência na tela.

Para fechar, separei algumas curiosidades que mostram o cuidado da produção:

  • Dublagem em Comanche: O filme foi o primeiro a ter uma versão inteiramente dublada no idioma Comanche, preservando a cultura que retrata.

  • Design do Predador: Este Predador é mais "primitivo" que o de 1987. O escudo de osso e as armas menos tecnológicas mostram uma evolução biológica e tática interessante.

  • Treinamento pesado: Amber Midthunder e o restante do elenco passaram por um acampamento de treinamento rigoroso para aprender técnicas de caça e combate da época.

Em resumo: O Predador: A Caçada é um filme de sobrevivência que respeita o material original, mas traz uma identidade própria. É seco, visualmente bonito e muito eficiente no que se propõe.


RED: Aposentados e Perigosos (RED)

 

RED: Aposentados e Perigosos

Se você curte um bom filme de ação, mas já está cansado daqueles clichês de heróis imbatíveis de 20 anos de idade, precisa dar uma chance para RED: Aposentados e Perigosos. Eu assisti a esse filme esperando apenas mais um passatempo e acabei encontrando uma das misturas mais competentes de humor ácido e tiroteio bem coreografado dos últimos anos.

O título original é apenas RED, uma sigla para Retired, Extremely Dangerous (Aposentados, Extremamente Perigosos). O filme, lançado em outubro de 2010, entrega exatamente o que promete: veteranos do serviço de inteligência que, em vez de estarem tricotando ou jogando bingo, estão dando trabalho para o governo.

Neste texto, vou te contar por que esse longa dirigido por Robert Schwentke se tornou um item obrigatório na estante (ou no streaming) de qualquer fã do gênero.


O elenco que coloca muito novinho no chinelo

O que me chamou a atenção logo de cara foi o peso do elenco. Não é todo dia que você vê quatro lendas do cinema dividindo a mesma tela em um filme de explosão. O protagonista é o Bruce Willis, interpretando Frank Moses, um ex-agente da CIA que tenta levar uma vida pacata. Mas a coisa escala rápido quando ele precisa reunir sua antiga equipe.

Ao lado dele, temos figuras pesadíssimas:

  • Morgan Freeman: Como Joe Matheson, o mentor do grupo.

  • John Malkovich: No papel de Marvin Boggs, um cara paranoico (com razão) que rouba todas as cenas.

  • Helen Mirren: Interpretando Victoria, uma mulher elegante que manuseia uma metralhadora com uma classe invejável.

A química entre eles é o que segura o filme. Não parece um bando de atores lendo roteiro; parece uma turma de velhos amigos que realmente sabem como derrubar um esquadrão tático sem suar a camisa.

Direção, trilha sonora e os bastidores técnicos

O diretor Robert Schwentke conseguiu dar um ritmo muito fluido para a narrativa. O filme não perde tempo com enrolação. No quesito técnico, a trilha sonora assinada por Christophe Beck cumpre bem o papel, trazendo aquele clima de espionagem clássica misturado com a energia de um filme de assalto moderno.

Sobre a recepção, o filme não passou batido. No IMDb, ele mantém uma nota sólida de 7.0, o que é um ótimo índice para uma comédia de ação. Em termos de premiações, o longa chegou a ser indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Filme - Comédia ou Musical, o que prova que a crítica também comprou a ideia da "melhor idade" armada até os dentes.

As locações de filmagem também ajudam na imersão. A produção rodou cenas em lugares como Toronto (Canadá) e Nova Orleans (EUA), entregando cenários variados que vão de escritórios frios do governo a pântanos e esconderijos urbanos.

Curiosidades que você provavelmente não sabia

Se você gosta de saber o que rola por trás das câmeras, separei alguns pontos interessantes sobre RED:

  • Origem nos Quadrinhos: Muita gente não sabe, mas o filme é baseado em uma minissérie de HQs da DC Comics (pelo selo WildStorm), escrita por Warren Ellis.

  • Treinamento Real: Helen Mirren confessou em entrevistas que adorou aprender a atirar e que recebeu dicas de profissionais para parecer o mais natural possível em cena.

  • Malkovich Sendo Malkovich: O personagem de John Malkovich é tão icônico que ele improvisou diversas reações de paranoia que acabaram ficando na versão final.

  • Sucesso de Bilheteria: O filme custou cerca de 60 milhões de dólares e faturou quase 200 milhões mundialmente, o que garantiu uma sequência alguns anos depois.

Por que você deveria assistir (ou rever) RED hoje?

Para fechar o raciocínio, RED: Aposentados e Perigosos é aquele tipo de filme "pé no chão" dentro da sua própria loucura. Ele não tenta ser um drama profundo sobre a solidão na velhice, mas usa a experiência desses atores para rir da própria situação. É cinema de entretenimento puro, direto e muito bem executado.

Se você quer ver Bruce Willis saindo de um carro em movimento enquanto atira, ou a Helen Mirren sendo a pessoa mais letal da sala, esse é o seu filme. É uma aula de como envelhecer com estilo — e com um arsenal de reserva no porta-malas.