O Vingador do Futuro (Total Recall)

 


O Vingador do Futuro: Eu, Arnold Schwarzenegger, no Planeta Vermelho

Sempre gostei de uma boa pancadaria e de explodir algumas coisas. Mas, em 1990, a coisa ficou séria. Eu era o Arnold Schwarzenegger e estava prestes a estrear em um filme que virou um marco da ficção científica: O Vingador do Futuro.

Esse não é um filme de herói comum, é uma viagem mental, literalmente. E se você está procurando por um texto que te leve de volta àquela época de carros voadores e muita ação em Marte, fica por aqui.


Bastidores de um Clássico da Ficção Científica

Título Original, Direção e Data de Lançamento

O título original do filme é Total Recall. É um nome que já diz tudo sobre o enredo — a memória total, a recuperação de algo que foi apagado.

O cara por trás das câmeras, o mestre que orquestrou toda essa loucura, foi o Paul Verhoeven. Um diretor que não tem medo de ser violento, inteligente e, digamos, um pouco over the top.

O filme chegou aos cinemas no dia 1º de Junho de 1990. E foi um estouro, tanto pela ação quanto pela trama complexa baseada em um conto de Philip K. Dick. Se você conhece Blade Runner ou Minority Report, sabe do que eu estou falando: o cara era um gênio em criar distopias que mexem com a nossa cabeça.

O Elenco e a Nota do Público

Eu, como Douglas Quaid (ou quem quer que ele realmente seja), tive a chance de contracenar com um time de peso. A Sharon Stone, no auge, era a minha esposa que, bom, digamos que ela tinha alguns segredos. E a Rachel Ticotin como Melina, a parceira que precisava ser salva — ou me salvar, dependendo do minuto.

Essa combinação de ação, roteiro inteligente e, claro, meus músculos, rendeu ao filme uma nota respeitável no IMDB: 7.5. Não é pouca coisa para um filme de ação com orçamento pesado de ficção científica. O público sentiu a porrada e curtiu a história.


Locações, Efeitos Práticos e A Trilha Sonora

Filmar uma colônia em Marte não é fácil, ainda mais em 1990, antes do CGI dominar tudo. Por isso, a produção se virou. As principais locações de filmagem foram no México. Isso mesmo, o Planeta Vermelho foi simulado em grande parte nos arredores da Cidade do México, aproveitando paisagens mais áridas e a estrutura dos estúdios.

trilha sonora, que embala toda a pancadaria e a dúvida sobre o que é real, foi composta pelo lendário Jerry Goldsmith. É aquela trilha épica, com batidas fortes e metais que dão o tom de urgência e grandiosidade que o filme precisava. A música dele te coloca no meio de um tiroteio em gravidade zero.


     Curiosidades de Total Recall que Você Precisa Saber

  • Verhoeven e Schwarzenegger: O diretor Paul Verhoeven e eu já tínhamos trabalhado juntos em Robocop, mas a nossa parceria em O Vingador do Futuro foi ainda mais ambiciosa. A gente queria que fosse o filme de ficção científica mais violento e inteligente da época.

  • O Conto Original: O filme é baseado no conto "We Can Remember It for You Wholesale" (Podemos Recordar Tudo Para Você, Por Atacado) de Philip K. Dick. A versão do cinema, claro, escalou a ação e a violência para o nível Hollywood, mas a essência do "implante de memória" está lá.

  • O Efeito "Três Seios": É impossível falar do filme sem mencionar a cena da mutante de três seios. Aquele foi um trabalho de maquiagem e efeitos práticos que viralizou antes de existir internet. Uma imagem icônica que representa o bizarro e o novo mundo de Marte.

O filme é uma aula de como fazer ficção científica com orçamento de blockbuster sem esquecer de fazer o espectador pensar: "Quem sou eu, afinal?"


Se você gosta de uma ação raiz, com efeitos práticos que seguram a onda até hoje e uma história que te faz questionar a realidade, esse é o seu filme. É um pacote completo: Arnold no auge, Marte em rebelião e a dúvida eterna entre o sonho e a realidade.

E aí, você toparia uma viagem de memória na Rekall?


Quanto Mais Quente Melhor (Some Like It Hot)

 

Quanto Mais Quente Melhor: Por que você precisa assistir a esse clássico

Sempre ouvi falar que Quanto Mais Quente Melhor era a maior comédia de todos os tempos. Como um cara que gosta de cinema, mas não tem paciência para filmes lentos ou datados, demorei um pouco para dar uma chance. Recentemente, resolvi parar para assistir e entender o motivo de tanto barulho em torno dessa obra de 1959.

A primeira coisa que notei é que o filme envelheceu bem. O ritmo é rápido, o humor funciona e a direção é precisa. Não é à toa que continua relevante depois de tantas décadas. Abaixo, trago uma análise direta sobre a produção, sem enrolação e, o mais importante, sem spoilers.



A Ficha Técnica e o Toque de Billy Wilder

Para começar, vamos aos dados técnicos. O título original é Some Like It Hot. O filme foi lançado em 29 de março de 1959 nos Estados Unidos. Quem comandou tudo foi o lendário diretor Billy Wilder. Se você entende o mínimo de cinema, sabe que o Wilder era um mestre em roteiros afiados e diálogos inteligentes.

A história gira em torno de dois músicos de jazz que testemunham um crime e precisam fugir da máfia. A solução que eles encontram? Se disfarçar de mulheres e entrar para uma banda feminina. Parece clichê hoje, mas na época foi revolucionário e feito com muita inteligência. O diretor optou por filmar em preto e branco, mesmo com a tecnologia a cores já disponível, porque a maquiagem dos atores principais ficava muito artificial em cores. Foi uma decisão técnica que acertou em cheio na estética noir misturada com comédia.

Um Elenco que Fez História

O filme não funcionaria sem a química absurda entre os três protagonistas. Temos Marilyn Monroe (como Sugar Kane), Tony Curtis (Joe/Josephine) e Jack Lemmon (Jerry/Daphne).

Marilyn traz aquele magnetismo óbvio, mas o que segura o filme é a dinâmica entre Curtis e Lemmon. Jack Lemmon, em especial, entrega uma performance física impressionante. Ver dois caras tentando se passar por mulheres em 1929 (ano em que a trama se passa) gera situações cômicas que não apelam para o desrespeito. É humor de situação puro.

Outro nome que merece destaque é George Raft, que faz o vilão Spats Colombo. Ele traz uma seriedade que contrasta bem com a bagunça dos protagonistas.

Locações e Trilha Sonora de Jazz

A ambientação é um ponto forte. Grande parte da trama se desenrola em um hotel na Flórida, mas, na realidade, as locações de filmagem foram no famoso Hotel del Coronado, em San Diego, Califórnia. O lugar tem uma arquitetura vitoriana que dá um ar de luxo e decadência perfeito para a história.

Quanto à trilha sonora, assinada por Adolph Deutsch, ela é baseada no jazz quente dos anos 20. As músicas não estão ali só para encher linguiça; elas fazem parte da narrativa, já que os personagens são músicos. As cenas em que Marilyn canta, como "I Wanna Be Loved by You", são tecnicamente impecáveis e mostram o auge do charme da "Era de Ouro" de Hollywood.

Nota IMDb, Recepção e Curiosidades

Se você é guiado por notas, aqui vai: Quanto Mais Quente Melhor ostenta uma nota IMDb de 8.2, o que é altíssimo para uma comédia antiga. O filme está constantemente na lista dos melhores de todos os tempos do American Film Institute.

Para fechar, separei algumas curiosidades de bastidores que tornam a produção ainda mais interessante:

  • Atrasos de Marilyn: Dizem que trabalhar com a Marilyn Monroe foi um pesadelo logístico. Ela chegava atrasada constantemente e errava falas simples. Uma frase curta chegava a levar dezenas de tomadas.

  • O título original: O título Some Like It Hot (Alguns Gostam Quente) é uma referência ao estilo de jazz, e não à temperatura ou conotação sexual, embora o duplo sentido seja intencional.

  • A frase final: O filme termina com uma das frases mais famosas da história do cinema. Não vou dizer qual é o contexto para não estragar, mas "Ninguém é perfeito" (Nobody's perfect) foi escrita como um diálogo provisório e acabou ficando na versão final.

Se você quer entender a base da comédia moderna e ver atuações masculinas que definiram o gênero, esse filme é obrigatório. É cinema direto, bem feito e eficaz.