Se
você é fã de ficção científica clássica e distopias que fazem a nossa cabeça
dar um nó, senta aí, pega um café e vamos trocar uma ideia sobre uma produção
que muita gente deixa passar batido. Hoje eu quero te falar sobre a adaptação
para a TV de uma das obras mais importantes da literatura mundial: Admirável Mundo Novo (Brave New
World), lançada em 1980.
Todo mundo conhece o livro de Aldous Huxley, publicado lá
em 1932, mas a versão cinematográfica de 1980 — que na verdade foi um filme
feito para a televisão dividido em duas partes — traz uma roupagem muito
peculiar para aquela sociedade moldada em laboratório, onde a individualidade é
um crime e a felicidade é garantida por uma pílula chamada Soma. Eu sempre
curti histórias que questionam o rumo que estamos tomando como sociedade, e
revisitar esse clássico me fez ver o quanto ele continua atual.
Qual é o contexto inicial de Admirável Mundo Novo de
1980?
Para entender o impacto dessa versão, a gente precisa
voltar um pouco no tempo. No final dos anos 70 e início dos 80, o mundo vivia o
auge da Guerra Fria, o medo da automação industrial e o avanço rápido da
biotecnologia. Foi nesse cenário que a rede de TV americana NBC decidiu peitar
o desafio de adaptar o livro de Huxley.
O filme nos joga direto no ano de 632 d.F. (depois de
Ford, que virou o "Deus" dessa galera devido à linha de montagem). A
história foca em Bernard Marx, um homem do topo da hierarquia social (um Alfa),
mas que se sente deslocado e incompleto naquele mundo perfeitamente controlado,
onde as pessoas nascem em provetas e o amor monogâmico é visto como uma
perversão obscena.
Quem são os nomes por trás do diretor e elenco?
A direção ficou nas mãos de Burt Brinckerhoff,
um cara que fez muita carreira na televisão americana. Ele teve a difícil
missão de traduzir visualmente o conceito de um mundo futurista com o orçamento
e as limitações técnicas de 1980.
No elenco, temos Bud Cort
interpretando o protagonista Bernard Marx. Se você curte cinema cult, deve
lembrar dele no clássico Ensina-me a Viver (Harold and
Maude). Ele entrega perfeitamente aquele ar de sujeito esquisito, meio
inadequado para o sistema. O elenco ainda conta com Kristoffer Tabori no
papel de John, o "Selvagem" (o cara criado fora da bolha tecnológica
que serve como o choque de realidade da trama), além de participações de peso
como Keir Dullea (o
eterno astronauta de 2001: Uma Odisséia no Espaço) e Dick Gautier.
Abaixo, dá uma olhada na ficha técnica rápida que separei
para você se situar:
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Título
original: Brave New World
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Ano
de lançamento: 1980
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Diretor: Burt Brinckerhoff
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Nota
IMDb: Atualmente, o longa sustenta uma
nota média de 6.2 no IMDb, o que mostra que, embora
seja um clássico cult, dividiu opiniões ao longo dos anos.
Onde foram feitas as gravações e quais as principais
curiosidades?
Quando falamos de locação, o filme usou bastante os
cenários urbanos e a arquitetura modernista da Califórnia, nos Estados Unidos,
para simular a Londres futurista e estéril do livro. Eles aproveitaram prédios
com linhas retas, concreto exposto e visual corporativo para passar aquela
sensação de uma sociedade fria, limpa e excessivamente organizada. Em contrapartida,
as cenas da reserva dos "selvagens" usaram paisagens desérticas para
dar o contraste de um mundo bruto e natural.
A produção é cheia de bastidores interessantes. Uma das
maiores curiosidades é que, por ser um filme de três horas feito para a TV
aberta da época, os roteiristas precisaram dar uma bela "maneirada"
nos temas sexuais pesados e no consumo explícito de drogas que estão no livro
original. Mesmo assim, a produção conseguiu manter o clima perturbador da
lavagem cerebral coletiva. Outro ponto curioso é a estética visual: o figurino
e os cenários gritam "futuro planejado nos anos 70", o que hoje dá um
charme nostálgico absurdo para a obra.
Qual é a crítica real sobre essa obra?
Se formos analisar o filme friamente, ele entrega uma
experiência muito honesta para a época. A grande força dessa versão de 1980 não
está nos efeitos especiais — que hoje parecem bem datados —, mas sim na força
do texto de Huxley e na atuação do elenco.
O embate ideológico entre o mundo "perfeito" e
robótico de Bernard e a humanidade visceral, imperfeita e cheia de dores de
John, o Selvagem, é o ponto alto do filme. É o tipo de ficção científica que eu
respeito, porque ela não precisa de explosões a cada cinco minutos para te
prender; ela te ganha no desconforto de perceber que, às vezes, a nossa
sociedade atual flerta perigosamente com aquela ficção. O ritmo pode parecer um
pouco lento para quem está acostumado com o cinema frenético de hoje, mas para
quem gosta de uma narrativa densa e com substância, vale muito o play.
No fim das contas, Brave New World (1980)
funciona como uma excelente cápsula do tempo. Ele nos mostra como o início da
década de 80 enxergava o futuro e serve como um ótimo complemento para quem
devorou o livro e quer ver aquela distopia materializada na tela. Se você tiver
a chance de garimpar essa produção por aí, assista. É um baita exercício de
reflexão sobre o preço da nossa própria liberdade.