Ainda Matamos à Moda Antiga (We Still Kill the Old Way)

 

Se você é do tipo que sente falta daquela época em que os problemas do cinema se resolviam no olho no olho — e, claro, com uma boa dose de pólvora —, senta aí. Hoje vamos resgatar uma daquelas pérolas que o streaming costuma deixar escondidas, mas que quem é fã de uma boa história de honra e vingança precisa conhecer: Ainda Matamos à Moda Antiga.

Pegue o seu café e vem comigo analisar por que esse filme merece um espaço na sua lista de próximas assistências.

Do que se trata Ainda Matamos à Moda Antiga?

Para entender o impacto da obra, a gente precisa voltar um pouco no tempo. Lançado originalmente no Reino Unido com o título de We Still Kill the Old Way, o filme chegou com os dois pés na porta trazendo uma pegada muito clara: o choque de gerações entre a velha guarda do crime organizado e os novos criminosos de rua, que não respeitam nada nem ninguém.

A trama acompanha Ritchie Archer, um gangster aposentado que retorna a Londres com um único objetivo: vingar a morte do seu irmão, que foi brutalmente assassinado por uma gangue juvenil implacável. O que esses garotos não esperavam é que a velha guarda não joga o jogo deles. Eles jogam pelas regras antigas, onde o respeito é conquistado na marra.

O filme se passa e foi gravado nas ruas cinzentas e industriais de Londres, na Inglaterra, o que dá todo aquele clima frio, urbano e tenso que a gente espera de um bom thriller britânico.

Quem está por trás e na frente das câmeras?

A direção ficou nas mãos de Sacha Bennett, que soube conduzir o ritmo da narrativa sem pressa, mas sem deixar a peteca cair nas cenas de ação. Ele consegue extrair aquela atmosfera de "filme de Berbigão" moderno, sabe? É direto ao ponto.

No elenco, temos veteranos que dão uma imponência absurda para os personagens. O protagonista é vivido por Ian Ogilvy, que entrega um Ritchie Archer absurdamente elegante, mas com um olhar que diz claramente que ele pode quebrar alguém ao meio se for preciso. Ao lado dele, nomes como Alison Doody, Christopher Ellison e James Cosmo (que você deve lembrar de Coração Valente ou Game of Thrones) completam o time dos cascudos.

Olhando para a recepção geral, o longa mantém uma nota de 5.9 no IMDb. Pode parecer uma nota mediana para os padrões de blockbusters, mas para o nicho de filmes de ação e crime independentes, ela reflete exatamente o que a obra entrega: um entretenimento honesto, sem firulas e que cumpre perfeitamente o seu papel.

Quais são as maiores curiosidades dos bastidores?

Uma das coisas mais legais de saber sobre a produção é que o filme bebe diretamente da fonte dos clássicos de gângster britânicos dos anos 70 e 80, como Caçada na Noite (The Long Good Friday). A ideia do diretor era justamente homenagear os atores dessa era de ouro.

Além disso, o sucesso de público no mercado de home video e streaming foi tão positivo entre os órfãos desse estilo de cinema que o longa acabou ganhando uma sequência direta alguns anos depois, chamada We Still Steal the Old Way (onde eles decidem assaltar um banco, mantendo o mesmo espírito).

Outro ponto que chama a atenção é como a produção conseguiu usar o orçamento enxuto a seu favor, focando a narrativa na presença de tela dos veteranos e em diálogos afiados, em vez de depender de efeitos visuais caros.

Vale a pena assistir a esse filme hoje em dia?

Se você está procurando uma obra de arte conceitual para filosofar no final de semana, talvez não seja a melhor escolha. Mas se você, assim como eu, valoriza uma história bem contada sobre lealdade, o peso da idade e o bom e velho confronto direto, vale cada minuto.

Minha crítica sincera: o grande trunfo aqui é o carisma da velha guarda. É extremamente prazeroso ver aqueles senhores de terno sob medida, que parecem inofensivos em um primeiro olhar, mostrando para uma juventude arrogante o que realmente significa ter experiência de vida (e de combate). O roteiro não inventa a roda, a estrutura de vingança é aquela que a gente já conhece bem, mas a execução tem personalidade.

O ritmo é fluido, a fotografia em Londres ajuda a ditar o tom sombrio e o clímax entrega o que promete. É o tipo de filme ideal para abrir uma cerveja preta no sábado à noite, relaxar no sofá e curtir uma boa e justa revanche.

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