Se
você curte dramas biográficos intensos, daqueles que mostram os bastidores de
decisões que mudaram o rumo da história, precisa colocar Golda - A Mulher de uma Nação
(título original: Golda) na sua lista. Eu assisti a
esse filme recentemente e confesso que a produção me pegou pelo estômago. Não é
um filme de guerra comum, com explosões a cada cinco minutos, mas sim um
thriller político e psicológico focado na pressão brutal que cai sobre os
ombros de um líder em tempos de crise.
Lançado em 2023, o longa traz uma atmosfera cinzenta,
claustrofóbica e cheia de fumaça de cigarro, recriando os dezenove dias
terríveis da Guerra do Yom Kippur, em 1973. No IMDb, o filme sustenta uma nota
6.0/10 — o que, na minha opinião, é um pouco injusta, já que a atuação
principal compensa qualquer ritmo mais lento que a direção possa ter tomado. Se
você quer entender como um dos momentos mais tensos do século XX foi gerido nos
bastidores, vem comigo que vou te contar o que achei.
Quem foi o diretor responsável por comandar essa tensão?
O homem por trás das câmeras é o diretor israelense Guy
Nattiv, vencedor do Oscar pelo curta Skin (2018). Nattiv
fez uma escolha muito clara aqui: em vez de filmar o campo de batalha
tradicional, ele decidiu focar a câmera na "sala de situação" e nos
corredores do poder.
O trabalho dele se concentra em mostrar o isolamento de
Golda Meir. Acompanhamos o peso de cada relatório de baixas que chega até a
mesa dela. Para dar o tom exato daquela época, o diretor escolheu como locações
principais cidades no Reino Unido, como Londres, além de cenas gravadas no
próprio território de Israel. Essa mistura ajudou a criar cenários que parecem
bunkers reais, sufocantes e pesados, onde o destino de milhares de soldados era
decidido em uma tragédia que se desdobrava minuto a minuto.
Qual é o elenco que dá vida aos bastidores da Guerra do
Yom Kippur?
O grande trunfe do filme é, sem dúvidas, o elenco,
encabeçado por uma Helen Mirren absolutamente irreconhecível. A transformação
física dela para viver a "Dama de Ferro de Israel" é impressionante.
Mas não é só a maquiagem; Mirren entrega uma postura cansada, mas firme, de uma
mulher idosa que estava enfrentando um câncer secretamente enquanto tentava
salvar seu país da aniquilação.
Ao lado dela, temos Liev Schreiber entregando uma atuação
cirúrgica como Henry Kissinger, o Secretário de Estado americano da época. As
conversas entre os dois via telefone ou na cozinha de Golda, negociando apoio
militar, são os pontos altos do roteiro. O elenco ainda conta com Camille
Cottin (como Lou Kaddar, a fiel secretária de Golda) e Rami Heuberger, que
interpreta o icônico e fragilizado general Moshe Dayan. A dinâmica entre esse
gabinete de guerra com os nervos à flor da pele é o que sustenta o ritmo do
filme.
Quais são as principais curiosidades sobre a produção de
Golda?
Uma das coisas que mais me chamou a atenção quando
pesquisei sobre os bastidores foi o processo de caracterização da Helen Mirren.
Ela passava nada menos que três horas e meia todos os dias na cadeira de
maquiagem para aplicar as próteses e a pele falsa que a transformaram em Golda
Meir.
Outro detalhe fascinante é o uso constante do cigarro na
narrativa. Golda era uma fumante inveterada na vida real e o filme faz questão
de mostrar isso. O cigarro funciona quase como um relógio de areia, marcando o
nível de estresse da primeira-ministra. Além disso, a produção teve acesso a
gravações de áudio originais de soldados e comandantes da época, que foram
integradas ao design de som do filme, trazendo um realismo brutal para os
momentos em que o gabinete ouve as transmissões do front de batalha.
Qual é a crítica real sobre a obra e vale a pena
assistir?
Se você entrar esperando um filme de ação militar com
estratégias de combate mirabolantes e tanques avançando no deserto, pode se
decepcionar. A minha leitura de Golda é de que se trata de um filme
sobre a solidão do comando. O roteiro escolhe focar no drama humano e político,
o que torna o ritmo arrastado para alguns, mas profundamente imersivo para
outros.
O filme acerta em cheio ao não transformar Golda Meir em
uma heroína infalível. Ela comete erros, confia em relatórios de inteligência
falhos no início e carrega a culpa pelas perdas humanas. A trilha sonora pesada
e a fotografia lavada ajudam a passar essa sensação de urgência e melancolia.
Para quem gosta de história militar, política internacional e grandes atuações,
o filme vale cada minuto. É um retrato cru sobre como o poder cobra o seu preço
na saúde e na mente de quem o exerce nos dias mais escuros de uma nação.
Se você quiser entender melhor o contexto histórico
daquele outubro de 1973 antes de dar o play na produção, posso te ajudar.
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