Histórias Que é Melhor Não Contar (Historias para no contar)

 

Histórias Que é Melhor Não Contar

Sabe quando você junta os amigos para tomar um café ou tomar uma cerveja e a conversa inevitavelmente cai naquelas situações absurdamente vergonhosas que todo mundo já passou? Aquelas mancadas homéricas no relacionamento, mentiras que saíram do controle ou segredos que deveriam ter ido para o túmulo? É exatamente essa vibe desconfortável, mas curiosamente magnética, que senti ao assistir a essa comédia dramática espanhola.

Se você curte aquele humor ácido, meio cínico, que te faz rir de nervoso enquanto pensa "graças a Deus isso não é comigo", vem comigo que vou te contar tudo sobre essa produção que bota o dedo na ferida das nossas maiores misérias cotidianas.

O que é Historias para no contar e qual seu contexto?

A premissa aqui é direta ao ponto: cinco histórias curtas, focadas em encontros e desencontros urbanos, onde o ser humano mostra seu lado mais ridículo, patético e, sejamos sinceros, real. O filme funciona como um espelho meio distorcido da classe média alta espanhola, pegando situações como infidelidade, ciúme paranoico e a eterna necessidade de validação, e transformando isso em piada.

Lançado originalmente em 2022 com o título de Historias para no contar (mantido em várias plataformas por aqui), o longa tenta capturar aquela essência de "comédia de erros". Sabe aquele papo de que o homem perde o amigo, mas não perde a piada? O filme tenta ir por aí, mas foca no quanto a gente se esforça para manter as aparências quando tudo já está desmoronando. No IMDb, a nota atual flutua na casa dos 6,4, o que já te dá um spoiler: é uma obra que divide opiniões e não agrada a todo mundo.

Quem está por trás e na frente das câmeras?

O grande maestro dessa bagunça organizada é o diretor Cesc Gay, um cara já carimbado no cinema espanhol por saber radiografar as neuroses masculinas e as crises de meia-idade (como ele fez muito bem no premiado Truman). Para dar vida a esses personagens absurdos, ele escalou a nata do cinema espanhol e argentino.

O elenco é pesado e conta com nomes como Chino Darín, Antonio de la Torre, Javier Rey, Anna Castillo, Maribel Verdú e José Coronado. Toda essa galera se divide entre os episódios. A locação principal é a bela e cosmopolita cidade de Barcelona, que serve como um plano de fundo elegante e um contraste perfeito para a mesquinharia e as situações bizarras em que os personagens se enfiam.

Quais são as maiores curiosidades dos bastidores?

Uma das coisas mais legais de saber sobre a produção é que o diretor Cesc Gay escreveu o roteiro durante o confinamento da pandemia. Dá para sacar de onde veio o isolamento mental e a obsessão dos personagens, né? Ele canalizou toda a frustração de ficar trancado em casa para criar diálogos rápidos e dinâmicos, quase teatrais.

Outro ponto curioso é a estrutura. Filmes em episódios são sempre um risco, e aqui o diretor optou por não cruzar as histórias de forma direta. Elas são independentes, unidas apenas pelo tema central: a incapacidade crônica que nós temos de nos comunicarmos direito quando as coisas apertam. Além disso, ver o Chino Darín e o Antonio de la Torre dividindo o mesmo universo urbano traz um peso dramático que, às vezes, até ultrapassa o tom de comédia proposto.

Vale mesmo a pena assistir ou é perda de tempo?

Agora vamos ao que interessa: a real sobre o filme. Sendo bem direto, Historias para no contar não é nenhuma obra-prima. O filme entrega o que promete no quesito "rir do nervoso alheio", mas sofre do mal clássico de quase toda produção antológica: a irregularidade. Algumas histórias te pegam pelo pescoço logo de cara, enquanto outras parecem aquela piada interna de bar que o contador se enrola e perde o timing antes de chegar ao final.

O ponto forte é ver grandes atores interpretando homens fracos, inseguros e patéticos. É um exercício quase terapêutico ver caras casca-grossa do cinema passarem vergonha na tela por pura imbecilidade ou ego ferido. Mas o roteiro peca por ser previsível em vários momentos e por não ir tão fundo no estômago quanto poderia. Falta um pouco daquele soco cínico que diretores como Álex de la Iglesia ou o início de Almodóvar sabiam dar. É um filme ok para um domingo tedioso, mas se você busca algo marcante que mude sua semana, pode tirar o cavalinho da chuva. É divertido para ver a hipocrisia alheia, mas acaba rápido e se esquece na mesma velocidade.

 

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