Se
você curte uma boa ficção científica de ação, com certeza já cruzou com Incursão Alienígena
navegando pelos catálogos de streaming. À primeira vista, o filme vende aquela
promessa clássica: naves gigantescas, tecnologia extraterrestre esmagadora e a
humanidade lutando para não virar poeira. Eu decidi dar o play esperando ver
aquele combate tático de alto nível e uma resistência de respeito, mas preciso
ser bem direto com você: a experiência entrega um visual impactante, mas
derrapa feio onde mais importava.
Nas linhas abaixo, vou abrir o jogo sobre o que funciona
e o que é pura enrolação nessa produção russa. Prepare-se, porque o buraco é
bem mais embaixo e eu não vou passar pano para os furos desse roteiro.
Qual é a verdadeira origem de Incursão Alienígena?
Para entender o cenário, precisamos dar nome aos bois. O
título original da obra é Vtorzheniye (Вторжение), lançado
oficialmente no ano de 2020. Ele foi vendido por aqui como
um filme isolado, mas na verdade é a sequência direta de Attraction (2017).
A trama se passa três anos após os eventos do primeiro
longa. A protagonista, Julia, sobreviveu ao contato com a tecnologia alienígena
e agora desenvolveu habilidades misteriosas. O problema é que o Ministério da
Defesa russo a transformou em um rato de laboratório, tentando replicar esses
poderes para fins militares. Enquanto isso, uma inteligência artificial
extraterrestre julga que a humanidade se tornou uma ameaça grande demais para o
universo e decide que a única solução é o nosso extermínio total.
A direção fica por conta de Fedor Bondarchuk, um
cineasta experiente em blockbusters na Rússia. No papel principal, temos
novamente Irina Starshenbaum
como Julia, acompanhada por Rinal Mukhametov (o alienígena
Harikon), Alexander Petrov (o
ex-namorado perturbado Artyom) e Yura Borisov como o soldado
encarregado de protegê-la.
As locações principais se dividiram entre os cenários
urbanos e modernos de Moscou e as paisagens isoladas de
Kaliningrado. O diretor também levou a equipe para os estúdios no território de
Maldon, no Reino Unido,
e até para locações na Islândia para capturar imagens de
fundo que dessem um ar mais desolado e épico às cenas de inundação e destruição
em massa.
Quais são as maiores curiosidades dos bastidores?
Produzir um filme desse tamanho fora do eixo de Hollywood
exige muito esforço técnico, e existem alguns fatos interessantes sobre a
produção que merecem destaque:
·
Inundação
digital massiva: A sequência final exige
uma quantidade absurda de efeitos visuais simulando água engolindo a cidade de
Moscou. Foram necessários meses de renderização para que o comportamento físico
da água parecesse realista nas telas.
·
Pegadinha
do streaming: Quando chegou às
plataformas digitais no Ocidente, o filme não foi divulgado claramente como
"Parte 2". Isso fez com que muita gente ficasse completamente perdida
no início da projeção, sem entender as relações entre os personagens.
·
Orçamento
recorde: Foi uma das produções mais
caras da história recente do cinema russo, contando com forte apoio estatal e
parcerias internacionais para garantir que os efeitos especiais batessem de
frente com o padrão americano.
O que a crítica achou dessa ficção científica russa?
Se formos olhar friamente para a recepção global, o
termômetro não mente: a nota IMDb é 5,6/10. E,
sinceramente, essa pontuação faz todo o sentido.
Visualmente, o filme é um espetáculo. Se você busca
apenas explosões bem feitas, perseguições de viaturas com o exército na rua e
naves manipulando a gravidade e a água de um jeito impressionante, a direção de
Fedor Bondarchuk entrega isso com sobra. O design de som e a fotografia são
pesados e te mantêm atento na poltrona durante as cenas de combate.
O grande problema — e onde o filme afunda — é o roteiro.
A história tenta ser profunda, trazendo debates sobre o perigo do controle de
dados e inteligências artificiais dominando os meios de comunicação, mas tudo é
conduzido de forma extremamente confusa. Os diálogos são rasos e engessados. A
protagonista, Julia, que deveria ser o centro de uma virada épica por conta de
seus poderes, acaba virando um "bibelô" que passa boa parte do tempo
sendo escoltada e protegida pelos personagens masculinos ao seu redor. A
narrativa perde o fôlego no segundo ato com reviravoltas previsíveis e
melodrama barato, que quebram completamente o ritmo que um bom filme de ação
militarizada exige.
Vale a pena gastar o seu tempo assistindo?
Se o seu objetivo for apenas desligar o cérebro no final
de semana, abrir uma cerveja e curtir um quebra-pau de grande escala com ótimos
efeitos visuais, Incursão Alienígena cumpre o papel
de passatempo esquecível. A estética militar e o caos urbano são muito bem
executados.
Agora, se você espera uma história de ficção científica
madura, com tática inteligente, coerência e personagens que realmente se
importam com o peso da sobrevivência da espécie, vai terminar a sessão
frustrado. O cinema russo provou que tem orçamento e braço técnico para fazer
barulho, mas ainda precisa aprender a escrever um roteiro que sustente o peso
de suas próprias explosões.
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