Se você é fã de cinema de ação, com certeza lembra de como o cenário de super-heróis estava ficando meio repetitivo lá no meio dos anos 2010. Era sempre a mesma fórmula: o herói certinho, o vilão de paletó querendo destruir o mundo e piadinhas leves para toda a família. Eu confesso que já estava cansado desse feijão com arroz.
Foi aí que, de repente, um cara de roupa vermelha colante e um senso de
humor totalmente quebrado chutou a porta de Hollywood. Estou falando de Deadpool, o anti-herói que mudou as regras do jogo e
provou que um filme de quadrinhos podia ser violento, engraçado e genial ao
mesmo tempo.
Vem comigo que vou te contar tudo sobre essa obra-prima que redefiniu o
gênero.
Como surgiu o fenômeno Deadpool em
2016?
Para entender o impacto do filme, a gente precisa voltar um pouco no
tempo. O ano de lançamento foi 2016, mas a jornada
para esse projeto sair do papel durou quase uma década. O estúdio morria de
medo de financiar um filme de super-herói com classificação indicativa para
adultos (o famoso R-Rated nos EUA). Eles achavam que o público masculino e
jovem não seria suficiente para pagar as contas se os adolescentes ficassem de
fora dos cinemas.
O título original é simplesmente Deadpool, e a
produção acompanha a história de Wade Wilson, um ex-militar das Forças
Especiais que trabalha como mercenário. Após descobrir um câncer em estado
terminal, ele aceita participar de um experimento clandestino brutal para
tentar se salvar. O resultado? Ele ganha um poder de cura acelerado incrível,
mas fica com o corpo totalmente desfigurado e com a mente ainda mais instável.
Sob a direção do estreante Tim Miller, que fez
milagre com um orçamento considerado baixo para os padrões de Hollywood (cerca
de 58 milhões de dólares), o longa entregou uma mistura perfeita de pancadaria
realista, efeitos visuais competentes e metalinguagem — aquela clássica quebra
da quarta parede em que o protagonista fala direto com a gente que está
assistindo.
No agregador de notas mais famoso do mundo, o filme conquistou o público
em cheio. Atualmente, a nota IMDb de Deadpool é 8.0/10,
uma média altíssima para produções do gênero, acumulando mais de 1 milhão de
avaliações de fãs do mundo inteiro.
Quem faz parte do elenco de Deadpool?
O coração desse filme atende por um nome: Ryan Reynolds.
Depois de ter sua imagem arranhada no terrível Lanterna Verde
(2011) e em uma versão bizarra do próprio Deadpool em X-Men Origens: Wolverine (2009), Ryan comprou a briga
para fazer o personagem do jeito certo. Ele nasceu para esse papel. O cinismo,
o tempo de piada e a energia física que ele entrega sob a máscara são
impecáveis.
Mas ele não brilha sozinho. O elenco de apoio segura muito bem a onda:
·
Morena Baccarin (Vanessa): A atriz brasileira
entrega uma mocinha que foge totalmente dos clichês de "damisela em
perigo". Ela é o par perfeito para o Wade, com uma química absurda e o
mesmo humor ácido.
·
Ed Skrein (Ajax/Francis): O vilão britânico
que lidera o programa que tortura Wade. Ele é aquele tipo de cara frio que a
gente adora odiar.
·
T.J. Miller (Weasel): O melhor amigo de
Wade e dono do bar de mercenários, responsável por algumas das melhores tiradas
cômicas da produção.
·
Brianna Hildebrand (Negasonic Teenage Warhead) e
Stefan Kapičić (Colossus): A dupla de X-Men que serve como um contraponto
moral hilário para a loucura do Deadpool.
Em relação às gravações, a principal locação de Deadpool foi a
cidade de Vancouver, no Canadá. As pontes cinzentas, o clima urbano
e o visual industrial da cidade canadense casaram perfeitamente com a estética
mais realista e "suja" que o diretor Tim Miller queria dar para a
história.
Quais são as melhores curiosidades
sobre a produção?
Se a história na tela é divertida, os bastidores de Deadpool são quase lendários. Separei as melhores
curiosidades que mostram o quanto esse projeto foi feito na base da pura
insistência:
·
O vazamento misterioso: Em 2014, um teste
de animação em computação gráfica mostrando como seria o tom do filme vazou na
internet. O público pirou tanto que a Fox foi obrigada a dar luz verde para a
produção. Até hoje, há fortes suspeitas de que o próprio Ryan Reynolds ou o
diretor tenham "vazado" o vídeo de propósito para forçar a mão do
estúdio.
·
Orçamento apertado de verdade: A Fox cortou cerca
de 7 milhões de dólares do orçamento poucos dias antes das filmagens começarem.
Por causa disso, os roteiristas tiveram que cortar uma cena de perseguição de
moto e fazer com que o Deadpool esquecesse sua mochila cheia de armas no táxi
antes da batalha final. No fim das contas, a piada ficou tão boa que ninguém
sentiu falta do tiroteio gigante.
·
Maquiagem pesada: Ryan Reynolds passava cerca de
quatro horas por dia na cadeira de maquiagem para aplicar as próteses que
simulavam as cicatrizes de queimadura do Wade Wilson.
·
Amor aos quadrinhos: O uniforme do
herói era tão fiel aos quadrinhos que o próprio Ryan chorou quando o vestiu
pela primeira vez. O ator chegou a levar uma das roupas para casa após o
término das filmagens, sem pedir permissão para o estúdio. Um verdadeiro
mercenário.
Por que a crítica considera Deadpool
um marco no cinema?
A minha crítica sincera sobre Deadpool é que ele
funciona porque não se leva a sério em nenhum segundo, mas trata a inteligência
do espectador com respeito. O filme é um soco no estômago da mesmice. Ele pega
todas as regras do cinema de ação tradicional e as destrói com uma piada de
duplo sentido e uma sequência de luta coreografada ao som de Juice Newton e
Wham!.
O roteiro de Rhett Reese e Paul Wernick é cirúrgico. A estrutura
não-linear mantém o ritmo acelerado, alternando entre a origem dramática (mas
hilária) de Wade e a busca frenética por vingança no presente. O filme entrega
uma violência gráfica estilizada que agrada quem gosta de uma boa pancadaria
raiz, mas equilibra isso com um romance de verdade que dá peso emocional para a
história. Você realmente se importa se o Wade vai conseguir se reencontrar com
a Vanessa.
No fim das contas, Deadpool provou que
o público queria originalidade e ousadia. O filme arrecadou mais de 780 milhões
de dólares mundialmente, tornando-se uma das maiores bilheterias para maiores
de dezoito anos da história e abrindo portas para que outros estúdios
finalmente perdessem o medo de arriscar em produções mais maduras.
É aquele tipo de filme que você pode assistir dez vezes e ainda vai
encontrar uma piada visual ou uma referência pop que deixou passar na primeira
vez. Se você quer ação de primeira, risadas garantidas e um protagonista que
fala a sua língua, dar o play em Deadpool é sempre a
escolha certa.
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