Se você curte clássicos que desafiam as regras do jogo, com certeza já ouviu falar ou esbarrou em alguma versão de uma das histórias mais provocantes do século XX. Mas hoje eu quero bater um papo com você sobre uma adaptação bem específica, aquela que marcou época no início dos anos 80. Vamos falar sobre O Amante de Lady Chatterley (1981), ou, no seu título original, Lady Chatterley's Lover.
Pega um café, se acomoda e vem
comigo entender por que esse filme ainda desperta tanta curiosidade e debate.
Qual é o contexto
histórico e a origem dessa história?
Para entender o filme lançado em 1981, a gente precisa voltar um pouco no tempo. A trama é baseada no polêmico e revolucionário livro homônimo de D.H.
Quando o filme estreou, o mundo estava saindo da
efervescência sexual dos anos 70 e entrando em uma década de transição
estética. O longa trouxe para as telas a história de Constance Chatterley, uma
jovem aristocrata casada com Sir Clifford Chatterley, um homem que retorna da
Primeira Guerra Mundial paralisado da cintura para baixo e impotente. Sentindo-se solitária, negligenciada e presa em um casamento sem
paixão, ela acaba encontrando refúgio e um desejo avassalador nos braços de
Oliver Mellors, o rústico guarda-caça da propriedade da família.
Quem está por trás das
câmeras e no elenco principal?
O filme foi comandado pelo
diretor francês Just Jaeckin.
No elenco, temos a magnética Sylvia Kristel interpretando Lady Chatterley.
Para viver o guarda-caça Oliver
Mellors, o escolhido foi o ator britânico Nicholas Clay, que traz uma presença física imponente e o contraste bruto
necessário para o papel.
Onde o filme foi
gravado e quais são suas locações?
Diferente de
produções que se fecham inteiramente em estúdios, a versão de 1981 fez questão
de buscar o realismo das paisagens britânicas para retratar o isolamento da
propriedade de Wragby Hall.
O filme foi rodado em locações
reais no Reino Unido, usando a beleza natural da zona rural inglesa para acentuar o
contraste entre a frieza da mansão de pedra dos Chatterley e o calor úmido,
quase selvagem, dos bosques onde Mellors trabalha e vive.
Quais são as
principais curiosidades dos bastidores?
Como toda produção
que mexe com temas picantes e censura, O Amante de Lady Chatterley carrega algumas histórias
interessantes de bastidores:
·
Selo Cannon Films:
·
Reencontro de Peso: O filme marcou o reencontro do diretor Just Jaeckin e da
atriz Sylvia Kristel anos após o estrondoso sucesso de Emmanuelle. O apelo do marketing girou fortemente em
torno dessa parceria.
·
A Nota IMDB: Se você for pesquisar hoje, o filme conta com uma nota de 5.2/10 no IMDb. É uma pontuação mediana, o que
nos leva diretamente ao próximo ponto: a recepção do público e da crítica.
O que a crítica achou
e qual é o veredito sobre a obra?
Sendo bem direto com
você: a recepção da crítica na época foi mista, e o tempo transformou o filme
em uma espécie de clássico cult da "Sexta-Feira Muito Louca" do
cinema oitentista.
Muitos críticos
apontaram que Jaeckin suavizou demais as discussões políticas e de luta de
classes que D.H. Lawrence tanto defendia em seu livro, preferindo focar quase
que exclusivamente na estética erótica e no romance visual. O filme adota
aquele filtro suave e "enevoado", quase como um ensaio fotográfico
romântico de época, o que para alguns tirou a crueza e a urgência da história
original.
Por outro lado, não
há como negar que o filme cumpre o que promete no quesito atmosfera. A química
entre Sylvia Kristel e Nicholas Clay funciona na tela, e a trilha sonora ajuda
a ditar o ritmo de uma produção que, se não tem a profundidade literária do
livro, entrega um drama romântico visualmente bonito e inegavelmente sensual.
Para quem gosta de
produções de época com uma pegada mais ousada e quer entender a transição do
cinema erótico dos anos 70 para os 80, é uma obra que merece ser assistida,
mesmo que seja para analisar como a estética daquela década envelheceu.
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