Moana

 


Se você é do tipo que curte uma boa história de aventura, daquelas com jornadas épicas, desafios colossais e uma boa dose de superação, senta aí. Vamos trocar uma ideia sobre um filme que, mesmo sendo uma animação, entrega mais testosterona, coragem e respeito às tradições do que muito filme de ação genérico por aí. Estou falando de Moana (título original: Moana), lançado no final de 2016.

Com uma sólida nota de 7.6 no IMDb, essa produção da Disney é uma verdadeira aula de como construir um herói — ou melhor, uma heroína — sem precisar de clichês bobos, mostrando que a verdadeira força vem de honrar quem você é e de onde você veio.

Como o filme Moana resgata a era dos grandes navegadores?

A história nos joga direto no coração da antiga Polinésia, há cerca de 2.000 anos. Para contextualizar, estamos falando de uma época em que os povos do Pacífico eram simplesmente os maiores navegadores do planeta, desbravando o oceano sem bússola, usando apenas as estrelas, as correntes e o instinto.

Moana, a filha do chefe da ilha de Motunui, sente o chamado do mar aberto. Enquanto seu pai quer mantê-la segura em terra firme, a ilha começa a morrer por conta de uma antiga maldição: o semideus Maui roubou o coração da deusa da criação, Te Fiti, despertando a ira do demônio de lava Te Kā. Para salvar seu povo, a jovem precisa quebrar as regras, aprender a arte proibida da navegação e cruzar o oceano para forçar um semideus gigante e egocêntrico a consertar o que fez. É uma jornada de sobrevivência pura em alto-mar, onde a natureza não facilita para ninguém.

Quem são as mentes e vozes por trás dessa jornada épica?

A direção do filme ficou nas mãos de uma dupla de peso da Disney: John Musker e Ron Clements, os mesmos caras que entregaram clássicos históricos como Aladdin e A Pequena Sereia. Eles decidiram trocar os reinos europeus tradicionais pela imensidão azul do Pacífico, e o resultado visual é de cair o queixo.

No elenco de dublagem original, o grande destaque vai para a química brutal entre os protagonistas:

·         Auli'i Cravalho dá voz a Moana, trazendo uma mistura perfeita de determinação feroz e juventude.

·         Dwayne "The Rock" Johnson dubla o semideus Maui. O papel caiu como uma luva para ele, que empresta todo o seu carisma físico e ironia para um personagem musculoso, prepotente, mas que esconde suas próprias cicatrizes e inseguranças debaixo de uma armadura de tatuagens.

Além deles, o elenco conta com Rachel House (vovó Tala), Temuera Morrison (chefe Tui) e o sempre excelente Alan Tudyk fazendo os barulhos absurdos do galo Heihei — o bicho mais sem noção e engraçado do filme.

Quais foram as locações e inspirações reais da produção?

Embora a ilha de Motunui seja fictícia, a equipe de produção não ficou trancada em escritórios de Los Angeles. Eles botaram o pé na estrada — ou melhor, no barco — e fizeram expedições intensas de pesquisa por ilhas reais como Fiji, Samoa, Taiti e Bora Bora.

O objetivo era absorver tudo: a cor exata da água, o som do vento nas velas, a culinária e, acima de tudo, a sabedoria dos povos locais. Eles até montaram um conselho de antropólogos, historiadores e anciãos locais (o chamado Oceanic Trust) para garantir que a cultura polinésia fosse retratada com o respeito e a verdade que merece. O resultado é uma ambientação que respira autenticidade. Você quase consegue sentir o cheiro do sal e o calor do sol na pele enquanto assiste.

Quais são as melhores curiosidades dos bastidores de Moana?

Produzir uma obra desse tamanho exige soluções geniais. Separei alguns fatos de bastidores que mostram o nível de detalhismo do projeto:

·         O poder está no cabelo: Inicialmente, o design de Maui era careca. No entanto, os consultores polinésios alertaram que, na mitologia deles, a força e o "mana" (poder espiritual) do semideus vinham de seus cabelos compridos. A Disney mudou o visual imediatamente.

·         Tatuagem com vida própria: A tatuagem do "Mini-Maui", que funciona como a consciência do semideus na tela, foi feita usando animação tradicional em 2D desenhada à mão pelo lendário Eric Goldberg (o mesmo criador do Gênio do Aladdin). Foi a primeira vez que a Disney misturou um personagem 2D desenhado à mão diretamente sobre a pele de um personagem 3D.

·         Salvando o frango: O galo Heihei quase foi cortado do filme por ser "sério demais" e não acrescentar nada. Faltando 48 horas para a decisão final, os roteiristas resolveram mudar o rumo: reduziram o QI do bicho a quase zero, transformando-o no animal mais estúpido da história da animação, o que garantiu sua permanência e o tornou um dos favoritos do público.

Crítica sincera: Moana realmente vale o seu tempo?

Sem rodeios: Moana é um filmaço. O que mais me agrada aqui é que a história foge do clichê da mocinha indefesa que precisa ser salva ou que está em busca de um romance. Moana é uma líder em formação. Ela erra, apanha do mar, quebra o barco, mas levanta, limpa o sangue do joelho e continua remando. É uma narrativa de amadurecimento "raiz", focada em disciplina, respeito aos ancestrais e coragem diante do desconhecido.

A relação dela com Maui também é excelente. Longe de ser um mentor perfeito, Maui é um cara quebrado, egoísta, que precisa redescobrir seu próprio valor sem depender da aprovação dos outros ou de seu anzol mágico. O embate visual entre a fragilidade humana e os monstros colossais — como o caranguejo gigante Tamatoa e o monstro de lava Te Kā — é executado com uma escala épica digna de grandes blockbusters.

Adicione a isso a trilha sonora viciante coescrita por Lin-Manuel Miranda e você tem uma aventura memorável, de ritmo ágil, que diverte sem subestimar a inteligência de quem está assistindo. Se você ainda não viu, ou se faz tempo que assistiu, vale muito a pena dar o play. É cinema de aventura da melhor qualidade.

 

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