Entre Mulheres (Women Talking)

 

Se você está procurando um filme que te faça pensar por dias após os créditos subirem, precisa colocar Entre Mulheres (Women Talking) na sua lista. Quando decidi assistir a essa obra, confesso que esperava um drama de tribunal convencional, mas o que encontrei foi um soco no estômago psicológico. É um filme focado no diálogo, na estratégia e na pura sobrevivência, mostrando que a força nem sempre se mede pelo tamanho do músculo, mas pela capacidade de resistir e planejar o futuro.

Lançado em 2022, o filme carrega uma atmosfera tensa e claustrofóbica que me prendeu do início ao fim. Atualmente, ele sustenta uma nota 6.9 no IMDb, o que, para ser honesto, acho uma avaliação injusta para a profundidade da discussão que ele propõe.

Vamos entender os bastidores e os detalhes que fazem esse longa ser tão impactante.

Qual é a história por trás de Entre Mulheres?

A trama nos joga para dentro de uma colônia religiosa isolada em 2010. O contexto inicial é pesado: as mulheres da comunidade descobrem que foram sistematicamente drogadas e violadas pelos homens dali enquanto dormiam. Com os agressores temporariamente detidos na cidade e os outros homens fora para pagar a fiança deles, essas mulheres têm apenas 48 horas para tomar uma decisão que mudará suas vidas para sempre.

Elas se reúnem em um celeiro para votar entre três opções bem diretas: não fazer nada, ficar e lutar, ou simplesmente ir embora. O que se segue é um debate estratégico de altíssimo nível sobre dignidade, fé, perdão e o peso de recomeçar do zero.

Quem está no comando e no elenco do filme?

A direção inteligente ficou nas mãos de Sarah Polley, que também assinou o roteiro adaptado do livro homônimo de Miriam Toews. Polley faz um trabalho cirúrgico ao guiar a câmera, deixando o ambiente pesado e cru, sem precisar apelar para cenas gráficas de violência para chocar o espectador.

O elenco entrega atuações brutais. Temos nomes de peso como Rooney Mara, Claire Foy, Jessie Buckley e a veterana Frances McDormand (que também é produtora do longa). O único homem que participa ativamente da conversa é o ator Ben Whishaw, que interpreta August, o professor da colônia encarregado de ata a reunião, já que as mulheres ali nunca foram alfabetizadas. A dinâmica entre as atrizes é absurda; você sente a raiva acumulada e o medo em cada troca de olhar.

Onde o filme foi gravado e qual é o visual da obra?

Toda a narrativa se passa em um ambiente rural e isolado, mas a principal locação das filmagens foi na região de Ontário, no Canadá. O visual do filme chama a atenção logo de cara pela escolha de uma paleta de cores extremamente dessaturada, quase cinza, que dá uma sensação de estarmos assistindo a algo parado no tempo, mesmo a história se passando no século XXI.

Essa estética meio opaca reflete perfeitamente o sentimento de opressão daquelas mulheres. É como se a cor tivesse sido drenada da vida delas pela situação em que vivem.

Quais são as principais curiosidades de Entre Mulheres?

Como um bom cinéfilo, gosto de olhar o que acontece por trás das câmeras. Aqui estão alguns fatos intrigantes sobre a produção:

·         Baseado em fatos reais: A história é inspirada nos terríveis eventos reais que aconteceram na colônia de Manitoba, na Bolívia, entre 2005 e 2009, onde mais de 100 mulheres foram abusadas da mesma forma.

·         Reconhecimento da Academia: O impacto do filme foi tão grande que Sarah Polley levou o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado em 2023, além do filme ter sido indicado na categoria principal de Melhor Filme.

·         Ambiente de apoio: Por causa do tema sensível e pesado, a diretora contratou terapeutas para ficarem de plantão no set de filmagem para apoiar o elenco e a equipe técnica durante as gravações das cenas mais densas.

O que achei da obra e qual é a minha crítica?

Olhando de fora, um filme de quase duas horas onde o cenário quase não muda e a ação se resume a pessoas conversando pode parecer cansativo para quem busca adrenalina pura. Mas garanto: a tensão aqui é digna de um thriller de ação.

Minha crítica ao filme é extremamente positiva porque ele foge do clichê do coitadismo. O roteiro aborda o problema com uma mentalidade prática e de sobrevivência. Você vê debates teológicos profundos misturados com pura lógica de guerra: se ficarmos, como vamos nos defender? Se formos embora, para onde iremos e como vamos nos sustentar?

É uma obra que exige maturidade de quem assiste. Entre Mulheres não entrega respostas fáceis e nem um final de conto de fadas, mas nos dá uma lição clara sobre o limite da tolerância humana e o valor da liberdade. Se você respeita o bom cinema de diálogos afiados e histórias cruas, esse filme merece sua total atenção.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe um comentário sobre o filme e compartilhe com seus amigos.